Marco Antônio Usuário Nivel 5 Postagens: 35191 Registro: 06/05/2002 Local: Belo Horizonte - MG - Brasil Status: online
Postado em 23/10/2005 17:29:00
Paulo Modesto da Silva Júnior, o Paulinho, é um garoto de apenas 12 anos. Como todos os garotos da sua idade, gosta de assistir televisão e jogar videogame. No almoço, prefere arroz, feijão e estrogonofe. Tem seis irmãos, estuda na 6ª série de uma escola pública e mora numa casa sem reboco externo no bairro Sagrada Família, em Belo Horizonte, com os pais, irmãos, tia e avó. Seu pai, Paulo Modesto, 45 anos, trabalha com reciclagem de plástico.
Tudo igualzinho à maioria dos meninos de sua idade e de sua faixa social, exceto por um detalhe: apesar de ser ainda uma criança, Paulinho já é considerado “mercadoria cobiçada” no nebuloso mundo do futebol – um negócio gigantesco que, segundo estimativas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), movimenta anualmente cerca de US$ 250 bilhões (mais de R$ 550 bilhões) em todo o globo. No Brasil, esse valor é de US$ 32 bilhões (cerca de R$ 70 bilhões).
Artilheiro do time infantil do América Futebol Clube, considerado uma fábrica de bons jogadores no Brasil, Paulinho come poeira todas as terças e quintas no campo de terra do Ferroviário, em Belo Horizonte, onde o América treina suas categorias infantis. Tem currículo. Marcou 10 gols e foi artilheiro da Copa Sul-Americana da Paz, disputada em São Paulo e vencida pelo América em 2003, e se destacou na Norhalne Cup, realizada na Dinamarca no ano passado. Seus planos? “Só quero jogar futebol”, garante.
É constantemente assediado por representantes de Cruzeiro e Atlético. Empresários e agentes de jogadores famosos observam o menino e oferecem ajuda financeira em troca de um possível gerenciamento de sua carreira. Recentemente, um fazendeiro de São Paulo e o empresário de um famoso jogador brasileiro sondaram seu pai com ofertas de apoio financeiro. Paulo Modesto garante que, por enquanto, tem resistido. Mas sabe que o destino é inevitável. “Vai chegar uma hora que o cansaço vai me vencer, e aí eu espero colocá-lo nas mãos de uma pessoa que possa representá-lo”, diz, já sonhando com um futuro regado a euros. No fundo, sabe que o filho é produto de exportação.
Jorge Gontijo
Paulo Modesto da Silva Júnior, o Paulinho: 12 anos e passaporte já pronto para o sonho de faturar em euros O assédio sobre Paulinho retrata um fenômeno que, embora já comum, ainda é pouco conhecido fora do lado business do futebol brasileiro, onde o jogador é considerado “matéria-prima”: empresários, agentes, procuradores e curiosos de todos os tipos debruçam-se diariamente sobre jogadores cada vez mais novos para tentar descobrir e assumir talentos que, no futuro, poderão render gordas comissões em negociações com clubes brasileiros ou estrangeiros.
Trata-se de uma verdadeira caça ao tesouro, um negócio de risco, onde os atletas são chamados de “mercadoria perecível”, já que tanto podem se valorizar como sumir nos tortuosos caminhos dos gramados brasileiros. Uma caçada que começa cada vez mais cedo – aos 12 ou 13 anos, garotos como Paulinho já são observados.
“Muitos empresários oferecem cesta básica, dinheiro, material de construção e outros benefícios para as famílias carentes. Alguns pais não resistem e entregam os filhos a procuradores até por R$ 6 mil”, diz Guilherme Spagnulo, responsável pelas categorias infantis do América e profundo conhecedor dos bastidores do futebol. “São o câncer do futebol”, vaticina. “Eles buscam os garotos com carrões, dão cesta básica, tênis de mais de mil reais e chuteiras caras, criando laços afetivos com a família, na certeza de que vão ganhar no futuro”, completa Nilson Ribeiro, consultor esportivo e estudioso do futebol.
Marco Antônio Usuário Nivel 5 Postagens: 35191 Registro: 06/05/2002 Local: Belo Horizonte - MG - Brasil Status: online
Postado em 23/10/2005 17:32:00
O clube inglês Manchester United, segundo mais rico do mundo (o primeiro é o espanhol Real Madrid), fatura sozinho, anualmente, cerca de R$ 840 milhões. No Brasil, os 19 maiores times, somados, faturam cerca de R$ 825 milhões por ano, segundo estimativas da Casual Auditores. E registraram prejuízo de quase R$ 300 milhões em 2004. Ou seja, apenas um time europeu ganha mais dinheiro por ano que as 19 maiores “potências” brasileiras juntas.
Por que a discrepância? Simples: na Europa, os clubes são dirigidos como empresas, por profissionais. Ganham dinheiro com tudo: marketing, contratos publicitários, licenciamentos, transmissão de jogos, cartões de crédito, venda de camisas (responsável por quase metade da renda do Real
Madrid), uso de estádio e até seguros para carros. No Brasil, a maior fonte de renda dos clubes é a venda da principal matéria-prima do futebol: os jogadores. Só este ano, por exemplo, cerca de 800 atletas foram “exportados”, segundo cálculos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Tome-se como exemplo o centenário América Futebol Clube, de cujas bases já saíram jogadores como Tostão, Palhinha, Fred, Gilberto Silva, Euler, Wagner, Éder Aleixo, Irênio, Evanilson e Ronaldo Luís. Amargando a terceira divisão do futebol brasileiro, o clube vive tempos difíceis.
“Nossas despesas mensais são de R$ 500 mil, mas a renda é bem menor”, diz o presidente do América, Antonio Baltazar. Enquanto tenta viabilizar o Planeta América, empreendimento comercial que, segundo Baltazar, vai gerar dinheiro suficiente para arcar com 10% das despesas totais do clube (ou 25% do necessário para montar um time competitivo, estimado em R$ 700 mil), o América continua fazendo o que sempre fez: revelar jovens jogadores para negociar e, assim, sobreviver. “Nossa meta é revelar seis bons jogadores da base por ano e negociar pelo menos dois”, admite o presidente.
Praticada há anos, essa mentalidade já contaminou os próprios jogadores. Ninguém pensa em crescer no América. Paranaense de 19 anos, o atacante Douglas é considerado, por dirigentes do clube, como a “bola da vez” – ou seja, o próximo jogador a se destacar. Douglas, contudo, já sonha mais alto. “Os próprios treinadores dizem que ninguém fica rico no América. Aqui é uma oportunidade, uma vitrine para o futuro”, raciocina. O Atlético luta para negociar promessas como Ramon, Quirino e Renato para o exterior, e o Cruzeiro não conseguiu segurar estrelas como Fred e Athirson, na atual temporada. Maior celeiro de craques do mundo, o futebol brasileiro está morrendo de sede – e com o bico na água.
Marco Antônio Usuário Nivel 5 Postagens: 35191 Registro: 06/05/2002 Local: Belo Horizonte - MG - Brasil Status: online
Postado em 23/10/2005 17:32:00
Promulgada em 1998, a Lei Pelé está na raiz do surgimento acelerado de empresários, agentes e procuradores de jogadores. Pela legislação atual, os contratos assinados entre atletas profissionais e clubes, embora tenham prazos definidos, podem ser rompidos a qualquer momento. Para isso, basta que a multa rescisória seja paga ao clube. Sem os vínculos anteriores, os atletas ganharam liberdade para buscar as melhores propostas de trabalho – tarefa que, desde então, passou às mãos de seus agentes. “A Lei Pelé tirou os jogadores das mãos do clube e colocou nas mãos dos empresários”, diz Cássio Simão de Castro, empresário do setor e um dos sócios da Nova Era Assessoria Esportiva, empresa que administra a carreira de aproximadamente 25 atletas.
A brecha, contudo, é mais embaixo. Também pela Lei Pelé, os clubes só podem assinar contratos e pagar salários a atletas que tenham 16 anos ou mais. Criou-se, portanto, uma espécie de buraco negro legal abaixo dessa idade, propício à ação de agentes e procuradores. Quando chegam aos 16, a maioria dos jogadores já tem empresário com participação em seus direitos federativos ou poder para decidir seu futuro. “A Lei Pelé diz que só pode ter contrato a partir dos 16 anos. Mas, na prática, a lei não existe. Se chegar um empresário com uma proposta, o pai fecha na hora”, garante Paulo Modesto da Silva, pai de Paulinho, centroavante do time infantil do América – e, portanto, conhecedor do assunto. “Fechar na hora”, no caso, significa dar poderes a alguém, através de uma procuração, para gerenciar integralmente a carreira do atleta. Apesar de polêmico, o procedimento é legal e tem valor na Justiça. Detalhe: a procuração, ainda segundo a legislação, só pode ter duração de um ano, mas pode ser renovada.
A maioria dos agentes prefere manter procurações “informais” com atletas mais novos, na faixa dos 12 aos 14 anos. Ajudam as famílias, pagam despesas e compram material esportivo, criando vínculos que dificilmente serão desfeitos, mas evitam assinar papéis. O motivo é simples: nessa faixa etária, os jogadores representam alto risco, já que, quanto mais novo, maior a chance de desistir da carreira. Nesse caso, vão-se os sonhos de comissões milionárias. Faz parte do jogo – e quem lida com “mercadoria perecível” sabe o gramado que pisa.
Marco Antônio Usuário Nivel 5 Postagens: 35191 Registro: 06/05/2002 Local: Belo Horizonte - MG - Brasil Status: online
Postado em 23/10/2005 17:50:00
Se um jogador que você nunca ouviu falar for escalado em seu time, não se assuste. Não se trata de desinformação da sua parte. O mais provável é que haja, aí, o dedo de um empresário do futebol, responsável pelo gerenciamento da carreira de atletas. Tentar escalar jogadores em times conhecidos, para que ganhem visibilidade, é parte da rotina desses profissionais – que, aliás, não têm do que reclamar. Os números do setor são tão vistosos quanto um gol de placa.
Max Vianna é um dos mais conhecidos empresários do futebol no país. Sócio da Koliseu Marketing Esportivo, em Belo Horizonte, Vianna gerencia em sua empresa cerca de 50 jogadores em Minas, São Paulo, Rio, Pernambuco, Ceará e Paraná – entre eles Francismar, que acaba de trocar o América pelo Cruzeiro, e Irênio, ex-América, que fez fortuna no México.
É ele quem faz as contas. “Hoje, uma empresa brasileira de porte médio desse setor fatura entre
US$ 300 mil e US$ 500 mil anuais. Já uma top de linha ganha mais de US$ 1 milhão por ano”, calcula. Nos grandes negócios, as somas são ainda maiores. Estimativas do setor apostam que Wagner Ribeiro, um dos intermediários da venda de Robinho ao Real Madri, embolsou cerca de R$ 3 milhões. Já na outra ponta, o “investimento” total em um jovem atleta de 16 anos, durante cerca de três ou quatro anos, é bem menor: cerca de R$ 100 mil, em quatro ou cinco anos.
Mas o trabalho é duro. “Geralmente, os garotos da base não têm nada em casa. Damos a eles um salário, assistência psicológica, jurídica e material esportivo. Muitos vêm do interior, e acabamos virando irmãos mais velhos”, ensina.
Há também o velho trabalho de bastidor. “Quando o jogador está na reserva, ou tentamos trocá-lo de time ou ‘chegamos junto’ no treinador”, explica Vianna. Observação: no jargão futebolístico, “chegar junto ao treinador” significa realizar um forte trabalho de convencimento para que o técnico escale o atleta – e aí, todas as armas são usadas. Todas. “Afinal, o atleta é um produto de venda e tem que ser reconhecido”, explica. Funcionários dos clubes e seguranças são usados como “olheiros” – ou seja, ganham dinheiro para indicar jovens promessas aos empresários. “Recentemente, um agente levou três dos nossos jogadores de 14 anos para o Internacional de Porto Alegre”, conta Guilherme Spagnulo, responsável pelas categorias infantis.
A maior parte da renda dessas empresas vem de comissões cobradas dos salários dos atletas ou nas negociações. Vianna, por exemplo, garante que só cobra comissão sobre o salário quando o jogador começa a ganhar a partir de R$ 10 mil mensais. Os valores variam. Mas o negócio é sempre conduzido com mão-de-ferro. “Conquistamos a confiança do atleta, e a partir daí ele não faz mais nada sem nossa autorização. Gerenciamos de tal forma que eles só fazem o que determinamos”, frisa.
Também na maior parte das vezes, a participação dos empresários nos direitos federativos dos jogadores é variável. “A média é uma participação de 10% no caso dos meninos, 15% a 20% para juvenis, e 30% para juniores”, diz Cássio Simão de Castro, um dos donos da Nova Era Assessoria Esportiva. “O procurador do Ramon, por exemplo (jovem promessa do Atlético), tem uma participação de 8% sobre seu passe; e o Fred (ex-jogador do Cruzeiro negociado para o Lyon, da França) era dono de 15%.
Na avaliação de Nilson Ribeiro, consultor esportivo, existem hoje 3 mil agentes esportivos no país. Em Minas, seriam cerca de 200. “Mas tem muito aventureiro, muito pirata”, critica Castro. “Tem de tudo: policiais, taxistas, advogados, pais e até mulheres de jogadores”, revela Vianna. Haja artista para tanto picadeiro.
Johnny Usuário Nivel 5 Postagens: 7648 Registro: 06/05/2002 Local: Belo Horizonte - MG - Brasil Idade: 42 anos
Postado em 24/10/2005 11:53:00
É a dura realidade.
A longo prazo, a tendência é de que os clubes formadores sejam extintos, pois não vão conseguir o retorno necessário para continuar investindo na base.
Outra tendência também é de que os empresários passem a controlar os clubes, até mesmo no que se relaciona à escalação do time que entra em campo (até mesmo coisas do tipo: o fulano, craque do time, só joga se o ciclano também jogar, ou só vai para o time tal se for titular).
ganso Usuário Nivel 5 Postagens: 3006 Registro: 28/08/2003 Local: Belo Horizonte - MG - Brasil Idade: 45 anos
Postado em 24/10/2005 13:10:00
mas esse tipo de escalaçao ja rola....
Formiga Usuário Nivel 5 Postagens: 8181 Registro: 02/02/2004 Local: São Paulo - SP - Brasil Idade: 40 anos
Postado em 24/10/2005 13:14:00
Por que a discrepância? Simples: na Europa, os clubes são dirigidos como empresas, por profissionais. Ganham dinheiro com tudo: marketing, contratos publicitários, licenciamentos, transmissão de jogos, cartões de crédito, venda de camisas (responsável por quase metade da renda do Real Madrid), uso de estádio e até seguros para carros. No Brasil, a maior fonte de renda dos clubes é a venda da principal matéria-prima do futebol: os jogadores. Só este ano, por exemplo, cerca de 800 atletas foram “exportados”, segundo cálculos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
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"Nossa meta é revelar seis bons jogadores da base por ano e negociar pelo menos dois”, admite o presidente Antôni Baltazar.
Nem falo nada.
Fica evidente:
1- que a Lei Pelé enforca os clubes menores. Criticaram quando nossos dirigentes obrigavam os atletas do América a contratá-los como seus procuradores. Realmente não sei se é legal, mas que era "legal", isso era.
2- que, se por um lado os clubes são reféns dos procuradores, de outro lado, os procuradores PRECISAM dos clubes para dar visibilidade e oportunidade a "SEUS" atletas. Ou seja, se souber, o América pode sair de um estado de parasitismo, onde o o procurador(parasita) suga o clube(hospedeiro) para uma simbiose, onde clube e procuradores se ajudam mutuamente mediante contratos claros!
3- que o América joga dinheiro fora com hospedagem, logística e alimentação se não puder segurar os jovens até a idade de vendê-los.
4- que nossos dirigentes são incompetentes mesmo por buscar a sobrevivência do clube apenas na venda de atletas, quando clubes europeus exploram principalmente o marketing. "Metade da renda do Real Madri vem da venda de camisas" -> o América não tem camisas pra vender! Já venderam todas...
5- que o Perrela é o procurador oficial da nossa base, pois só repassamos pra ele, que fica cada vez mais rico, porque já compra jogador formado e sem risco de "desistir da carreira".
Johnny Usuário Nivel 5 Postagens: 7648 Registro: 06/05/2002 Local: Belo Horizonte - MG - Brasil Idade: 42 anos
Postado em 24/10/2005 13:34:00
Formiga,
Que a marca dos clubes brasileiros é mal explorada, ninguém duvida, mas não se esqueça que a realidade econômica do torcedor europeu é bem diferente da do torcedor brasileiro.
O torcedor canil paga R$10,00 numa camisa pirata, porque não tem R$90,00 para pagar a oficial (quase um terço do salário mínimo).
Marco Antônio Usuário Nivel 5 Postagens: 35191 Registro: 06/05/2002 Local: Belo Horizonte - MG - Brasil Status: online
Postado em 27/11/2005 15:47:00
“Vai chegar uma hora que o cansaço vai me vencer, e aí eu espero colocá-lo nas mãos de uma pessoa que possa representá-lo”, diz, já sonhando com um futuro regado a euros. No fundo, sabe que o filho é produto de exportação.
Valsechi Usuário Nivel 5 Postagens: 2048 Registro: 22/07/2005 Local: belo horizonte - MG - Brasil Idade: 39 anos
Postado em 28/11/2005 21:05:00
Se o tal garoto é craque mesmo, o América tem que segurar, competir de igual para igual com os empresários, bancar estudo, reforma da casa e etc até chegar o momento em que o garoto pode assinar contrato - dezesseis anos. Neste momento, é fazer um contrato bem feito que resguarde o nosso time. Ainda que tudo dê errado e o jogador saia do Coelho, temos direito a indenização pelo tempo que formamos o jogador. É saber cobrar depois...
Johnny Usuário Nivel 5 Postagens: 7648 Registro: 06/05/2002 Local: Belo Horizonte - MG - Brasil Idade: 42 anos
Postado em 29/11/2005 06:01:00
Concordo com tudo. Só falta o detalhe de arranjar o $$$ para bancar isso...
Já há algum tempo tenho a opinião de que as categorias de base têm que ser repensadas. Não adianta ter 100 meninos ganhando 300 reais por mês; com a Lei Pelé, Dos 100, tem que escolher 30 e pagar 1.000 reais de salários, com contratos em dia.
A situação mudou, as regras do jogo não são mais as mesmas. Temos que nos adaptar.
Marco Antônio Usuário Nivel 5 Postagens: 35191 Registro: 06/05/2002 Local: Belo Horizonte - MG - Brasil Status: online
Postado em 29/11/2005 09:13:00
Tem craque no infantil , no juvenil , e no júnior que não joga nada no profissional. O contrário também acontece . Isso não é só no América . É em qualquer clube do mundo.
Um dos principais erros do América foi ter feito contratos longos com jogadores que tinha potencial e depois não mostraram nada.
Johnny Usuário Nivel 5 Postagens: 7648 Registro: 06/05/2002 Local: Belo Horizonte - MG - Brasil Idade: 42 anos
Postado em 29/11/2005 10:14:00
Marco,
Como você mesmo diz, a virtude está no meio. Também não dá para, em 100 jogadores, revelar 3 e perdê-los porque a multa rescisória é mínima ou o contrato é de apenas dois anos. O difícil é ter o "olho" para separar o joio do trigo.
Investimento em categoria de base é investimento de alto risco. Isso também não vale só para o América, mas para todos os clubes do Brasil.
Marco Antônio Usuário Nivel 5 Postagens: 35191 Registro: 06/05/2002 Local: Belo Horizonte - MG - Brasil Status: online
Postado em 29/11/2005 17:43:00
"O difícil é ter o "olho" para separar o joio do trigo."
Nem os outros clubes possuem esse profissional . Como ficamos sabendo só dos acertos , os erros passam despercebidos.
WP , Ruy , Tucho , Claudinei , Somália , Fred , Rodrigo , Alessandro , Thiago Gosling foram dispensados de outros clubes.
Repito que com essa lei Pelé , talvez uma reduzida . O time azul fez isso . Mandou vários embora. Alguns desses depois podem se tornar bons jogadores.
Marco Antônio Usuário Nivel 5 Postagens: 35191 Registro: 06/05/2002 Local: Belo Horizonte - MG - Brasil Status: online
Postado em 26/03/2008 13:42:00
Dez anos de Lei Pelé: excesso de proteção aos atletas ou falta de preparo dos clubes?
Após uma década de sua criação a Lei 9.615/98 ainda causa discussão entre especialistas da área do direito desportivo
Rubem Dario
Nesta segunda-feira, a Lei 9.615/98, conhecida como Lei Pelé, completa dez anos. Na prática são apenas sete anos, já que os primeiros três foram usados para que os clubes se adaptassem às exigências. Uma década de “experiências e práticas” e mais uma série de modificações no texto original não foram suficientes para um entendimento. Dirigentes, representantes de atletas e advogados especialistas em direito desportivo ainda discutem alterações. A pergunta central é: “A Lei Pelé protege de maneira excessiva os atletas ou os clubes que não souberam se adaptar a nova realidade?”.
O objetivo principal da Lei Pelé, quando a mesma foi criada, era extinguir com o passe. Os jogadores deixaram de ser propriedade dos clubes e passaram a atuar de acordo com contratos de trabalho, que tem um tempo determinado e valores de multas fixados em caso de quebra.
A mudança na legislação fez com que os clubes buscassem outras maneiras de continuar lucrando com a transferência de jogadores. Contratos mais duradouros, multas rescisórias mais elevadas foram algumas das alternativas aplicadas.
Porém, um reflexo dessa nova realidade é a saída de atletas cada vez mais cedo de suas equipes. Com a chance de ganhar um salário maior e o sonho da projeção internacional, garotos de 18, 17, 16 anos deixam suas equipes antes mesmo da profissionalização. Em parte devido a influência de empresários, em parte devido a falta de profissionalismo do futebol brasileiro, que ainda possui uma série de equipes que não pagam em dia ou não respeitam os direitos dos jogadores e até mesmo por opção dos próprios atletas, já que a Lei facilita esse “êxodo”.
Com base nesse cenário, os clubes brasileiros pedem auxilio do governo federal para proteger as “equipes formadoras”. O técnico Vanderlei Luxemburgo é um dos defensores dessa tese.
“A Lei Pelé precisa de revisão. Não trouxe grandes benefícios, a não ser fazer com que os times se tornassem mais profissionais. Os atletas não conquistaram a liberdade, pelo contrário, são mais prejudicados. O vínculo deles mudou de lado, dos clubes para os empresários. Nas transações de hoje, quem mais conquista é o empresário”, afirmou Luxemburgo.
Para o presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo, Rinaldo Martorelli, a Lei Pelé precisa sim de modificações, mas elas não podem regredir para o tempo da Lei do Passe.
“Alguns representantes de clubes brasileiros afirmam que a Lei Pelé acabou com o nosso futebol. O que eles querem? A volta do passe? É admissível hoje em dia ter uma classe de trabalhadores presa a sua entidade empregatícia como acontecia naquele tempo? É óbvio que não. Isso é trabalho escravo. Todos precisam estar abertos para a discussão e acho muito saudável que ela exista, mas é preciso acabar com as bobagens que escutamos diariamente”, explicou Martorelli.
Sobre as afirmações de Luxemburgo, de que os empresários são os novos “donos” dos atletas, o presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais também pondera.
“Os empresários atuam no futebol há muito tempo. Se você pegar citações da CPI da Nike, que aconteceu entre 2000 e 2001, portanto em um período anterior a Lei Pelé, eles já eram citados no texto. Em um relatório dessa investigação é solicitada a quebra do sigilo bancário de 20 empresários. A verdade é que eles [empresários] se preparam melhor para a nova realidade do futebol e agora os clubes estão correndo atrás do prejuízo, mas não podem fazer isso de um modo autoritário e ultrapassado”, contou Martorelli.
Existe hoje em tramitação na Câmara Federal o projeto de Lei 5.186/2005 (Lei do Clube Formador), que propõe alterações na Lei Pelé. Porém, Álvaro Melo Filho, um dos responsáveis pelo texto da Lei já vê a necessidade de uma reformulação total das propostas.
“Infelizmente a morosidade e a lentidão com que as coisas são tratadas nesse país prejudicam demais que cheguemos a um norte comum para todos. Não adianta se apegar a questões que vão valer apenas para o território brasileiro. Se queremos proteger os clubes, sem prejudicar os atletas, precisamos fazer de uma forma que as normas sejam válidas fora de nossas fronteiras. O texto fica parado na Câmara e cada deputado e senador quer ter uma linha sua. Ali entram sugestões inconstitucionais de dirigentes. O problema do futebol brasileiro vai muito além da Lei Pelé”, concluiu Álvaro Melo Filho.
Todos os horários são de Brasília (GMT -03:00) Nova Mensagem desde a sua Última Visita. [***] Palavra proibida pelo moderador do Grupo de Discussão