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Tópico: Coluna do Tostão !
Marco Antônio
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 Postado em 19/06/2011 7:57:00 PM

A verdade incomoda
Como se esperava, foi aprovado, na Câmara dos Deputados, o sigilo dos orçamentos para a Copa de 2014 e Olimpíadas, com a justificativa de acelerar as obras. Como disse o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi uma decisão "escandalosamente absurda". Resta o Senado. Não tenho esperança.

Mudo de assunto. Um ano antes da Copa de 2010, no momento em que o Brasil ganhava das grandes e pequenas seleções, Beckenbauer disse que não gostava de ver o time jogar. Dunga e os pachecões protestaram. Beckenbauer não falou que a seleção era ruim, e sim que jogava igual às outras.

Na véspera de o Brasil ser eliminado pela Holanda, quando Dunga tinha entre 70% e 80% de aprovação popular, Cruyff falou que não pagaria para ver o Brasil jogar. Dunga e os ufanistas ficaram indignados. Cruyff não disse que o time do Brasil era fraco, e sim que não o agradava.

Semanas atrás, a versão inglesa da revista "Four-Four-Two" deu o seguinte título em uma reportagem: "Morreu o futebol brasileiro". Obviamente, é exagerado, provocativo, para chamar a atenção, como é comum em todo o mundo. Já o conteúdo dizia que os melhores jogadores brasileiros são defensores, e que o Brasil produz pouquíssimos craques e joga um futebol feio. Falo a mesma coisa há séculos.

A verdade incomoda. Alguns não aceitam as críticas, por convicção e falta de senso crítico, outros, por ufanismo, e muitos, porque não querem desvalorizar o produto futebol, um grande negócio.

Felizmente, surgiram Ganso e Neymar. O perigo é exigir que os dois resolvam tudo. Eles, por serem jovens, é que precisam de ajuda. Sempre foi assim.

O antigo chavão sobre a diferença entre o futebol brasileiro, habilidoso, criativo, bonito e imprevisível, e o europeu, tático, veloz, de muita força física e com jogadores altos e fortes, não existe há muito tempo.

Isso não significa que o Brasil não seja candidato a ganhar todos os títulos. Mas, quando chega às quartas de final de uma Copa, as chances de ganhar e de perder são as mesmas.

A maioria acha que essa transformação é inevitável, por causa da globalização e da evolução do futebol, que se tornou mais tático e científico. Os conhecimentos estariam à disposição de todos, pelo menos para os países com tradição.

Se não existisse o Barcelona, acreditaria nisso, ficaria conformado e, sem utopia, me tornaria torcedor e comentarista de rugby. Tenho ainda esperanças de continuar no futebol.

Carreira curta
Se Guilherme, Dudu Cearense e, principalmente, Daniel Carvalho jogarem o futebol que mostraram no início de suas carreiras, o Atlético vai melhorar muito. Dudu Cearense e Daniel Carvalho foram destaques nas seleções de base e chegaram a ser convocados para o time principal. Guilherme, mesmo irregular, mostrou muito talento no Cruzeiro.

Dudu Cearense era um volante que marcava, tinha bom passe e avançava, com qualidade, para receber a bola. Guilherme era um jogador de poucos, mas de decisivos e belos lances. Daniel Carvalho tinha um passe bonito e surpreendente, além de finalizar muito bem de fora da área. Os três são ainda jovens para cair de produção. Precisam acordar. A carreira é curta.



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Marco Antônio
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 Postado em 24/06/2011 2:38:00 PM

Santos, a bola é sua
Em Montevidéu, o Peñarol tentou pressionar e mostrou toda sua limitação ofensiva. O Santos, com Neymar jogando como os outros, se igualou ao time uruguaio. Hoje, como o Peñarol vai jogar do jeito que sabe, na defesa e no contra-ataque, o Santos, mesmo favorito, poderá ter grandes dificuldades. O aspecto emocional é decisivo nesses momentos.

A deficiência principal de Zé Eduardo não é não fazer gols. Ele luta bastante, mas não dribla nem dá um bom passe. Só corre. Se o Santos for campeão, vão dizer que Zé Eduardo foi um jogador tático, que abriu espaços para os companheiros.

No primeiro jogo, Zé Eduardo, na marca do pênalti, livre, com a bola em sua frente, com a opção de escolher o canto, soltou um petardo no peito do goleiro. Caio, comentarista amigo dos técnicos e dos jogadores, disse que ele finalizou bem. Escutei ainda, não me lembro onde, que o goleiro fez uma grande defesa. Mesmo se quisesse, ele não conseguiria fugir da bola.

Há, no imaginário do futebol, a crença de que o jogador mais criticado é o que costuma fazer o gol do título, "para calar a boca dos críticos", ainda mais que é a despedida de Zé Eduardo. Como existe estatística para tudo, deve haver também uma sobre isso.

Se Ganso estiver bem, será um ótimo reforço. Elano não sabe jogar na função de Ganso. O lugar de Elano é pela direita, marcando, atacando e fazendo ótimos cruzamentos. Assim jogou em sua primeira passagem pelo Santos e na Seleção, com Dunga.

Pulo para o Brasileirão. Na derrota para o Bahia, o Fluminense mostrou uma deficiência frequente nos times brasileiros. Quando perdia a bola no ataque, havia um gigantesco espaço para o contra-ataque, entre a intermediária do time baiano e a área do Fluminense.

Em vez de jogar com um volante e três zagueiros muito atrás, marcando o goleiro, é melhor ter dois zagueiros e dois volantes, para desarmar o contra-ataque no meio-campo. Mais importante ainda é adiantar os zagueiros para diminuir os espaços entre a defesa e o meio-campo. Thiago Silva, no "Bola da Vez", da ESPN, comentou sobre isso. Os técnicos brasileiros não aprendem. A soberba dos treinadores é maior que o futebol.

Jogar com zagueiros encostados na grande área só funciona, às vezes, quando o time joga na defesa e no contra-ataque. Assim deve atuar hoje o Peñarol. Para furar essa retranca, nada melhor que o drible. Hoje é dia de Neymar e Ganso mostrarem seus talentos.





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zeustachio
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 Postado em 24/06/2011 6:27:00 PM

Estes torcedores de Cruzeiro e Atlético só conseguem esconder suas frustrações com a incompetência de seus times, quando menosprezm o América.
Queria ver estes torcedores ostentando sua arrogância com seus times tendo um orçamento como o do América.
Qualquer um dos nossos dois riais que passassem pela metade dos problemas que passamos, já teria fechado as portas e encerrado as sua atividades.
Prá gente como este torcedor de meia tijela vale o elho ditado:
"Os cães ladram e a caravana passa."

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Marco Antônio
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 Postado em 26/06/2011 8:41:00 PM

Diálogo imaginário
Mano Menezes está com dificuldade para dormir. De madrugada, sem saber se estava acordado ou sonhando, no limiar entre a consciência e a inconsciência, de repente, escutou uma voz. Não era familiar nem de alguém da seleção. Seria a voz de seu alter ego ou viria das profundezas da alma, onde habitam as mais estranhas sensações e desejos? Ou a voz seria de um palpiteiro do além?


- O que te preocupa? Não precisa ter medo de dizer. Será sigiloso, secreto, como os orçamentos para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.


- Esta Copa América será muito difícil. A Argentina joga em casa, não ganha um título há muito tempo e vai jogar em um esquema parecido com o do Barcelona, para facilitar para Messi. Ele quer mostrar que é tão bom na seleção quanto é no time catalão. O Uruguai está também forte.


- Mas os defensores e o goleiro do Brasil são muito melhores que os da Argentina e do Uruguai. Além disso, Neymar já está entre os melhores do mundo. Ele é tão genial, único, que, mesmo diferente fisicamente e na maneira de jogar dos grandes craques da história, é tão espetacular quanto eles. Neymar é a constatação de que a globalização nunca é completa. É impossível ter um europeu com suas características.


Mano concordou aliviado. Porém, pensou, racionalizou e disse:


- Ainda é cedo para falar isso. Neymar ainda não brilhou contra as grandes seleções e times do mundo.


- Sei que você está em dúvida se escala Robinho e Neymar pelos lados, Ganso e Pato, ou se coloca mais um jogador no meio-campo, que marque e ataque, como Elano, no lugar de Robinho. O Santos atua dessa forma - disse a voz.


- Você adivinhou meu pensamento. E ainda tem o Lucas. Esse garoto vai longe. Terei de fazer alguns treinos secretos para testar as opções.


- Espero que você não seja um Dunga mais polido, que vê a imprensa como inimiga. A imprensa está aí para informar e opinar, e não para torcer, apesar de alguns gostarem de uma fofoca. Se o Brasil não for campeão e jogar mal, você será muito criticado. O papa-títulos Muricy já está de sobreaviso.

- Ahn!?...


- Gostei de alguns momentos da seleção sob seu comando, quando o time marcou mais à frente e valorizou a posse de bola. O jogo fica mais bonito e eficiente.


Mano, contente com o elogio, dormiu profundamente, com seu livro de cabeceira, "Como ser um vencedor", em cima do peito. É a bíblia dos treinadores.


Papai Joel
Joel Santana chegou ao Cruzeiro e encantou a todos com seu jeito simples, às vezes simplório, descontraído e com suas metáforas de botequim.


As pessoas já estavam cansadas do jeito Cuca de ser, que via problema em tudo. "Oh vida, oh azar, isso não vai dar certo" (Hiena Hardy, personagem de Hanna Barbera).


Conheci Joel em 1972, quando joguei no Vasco. Ele era um zagueiro mediano. Batíamos bons papos. Joel já era do jeito que é hoje. Sou também um filósofo de botequim. Nunca imaginei que ele se tornaria um técnico importante no futebol brasileiro.


Joel Santana, com a sua prancheta e o seu jeito à moda antiga, é um técnico que acompanhou a evolução do futebol.



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Marco Antônio
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 Postado em 29/06/2011 8:24:00 AM

Saudades do que não vi
A moda é dizer que o futebol uruguaio renasceu. Não é bem assim. A estrutura profissional dos clubes é precária se comparada à dos grandes times brasileiros. Na seleção uruguaia, não há um único jogador, nem na reserva, que atue no país. Na Argentina, só tem um, o goleiro reserva Carrizo. Nas outras seleções sul-americanas, ocorre algo próximo.


A seleção do Uruguai é boa porque possui um ótimo conjunto e, principalmente, por terem surgido, coincidentemente, na mesma época, vários bons jogadores.


Por causa da valorização do Real, do crescimento econômico e do marketing agressivo, às vezes irresponsável, já que continuam com enormes dívidas, os clubes brasileiros contratam jogadores caríssimos e possuem uma estrutura profissional de países ricos. Mesmo assim, fora o Santos, os outros foram eliminados da Libertadores.


O Santos é campeão merecidamente, porque tem um bom técnico, um presidente visionário e, ao mesmo tempo, prático e, principalmente, por ter dois dos melhores jogadores da seleção principal.


Quando critico jogadores, técnicos e o estilo de se jogar no Brasil, alguns modernosos acham que, por ter sido atleta de uma época de grande qualidade e bastante glamourizada, sou saudosista, romântico, utópico.


Querem que eu goste de coisas boas, que valorizo e elogio, e também do futebol feio, com excesso de faltas, de jogadas aéreas e de chutões para frente. Confundem emoção com qualidade técnica.


No passado, jogadores tinham mais espaço para brilhar e também para mostrar suas limitações. Craque era craque. Medíocre era medíocre. Não dava para enganar. Hoje, medíocre virou jogador importante, tático.


Repito, pela milésima vez, que, no passado, havia grandes craques e times, mas havia também partidas e jogadores medíocres. O número de faltas era menor, porém, mais desleais. Hoje, muitas coisas boas: técnicas e táticas foram incorporadas ao jogo. É assunto para outra coluna.


As pessoas costumam ter mais saudade de si mesmas que do passado. Talvez, por ter sido, antes e agora, mais crítico comigo que com os outros, sei separar as coisas boas e ruins do passado e do presente. O passado é um aprendizado para entender e analisar o presente.


Minha nostalgia é mais pelo que não vi nem vivi e que gostaria de ter vivido. Aliás, não percam o novo, gostoso, despretensioso e belo filme de Woody Allen, "Meia-Noite em Paris", sobre a nostalgia.

Indefinição
No primeiro tempo contra o Flamengo, o Atlético não jogou bem, mas o jogo estava equilibrado. Com as saídas de Daniel Carvalho, Giovanni Augusto e Magno Alves, o time piorou. O Flamengo deitou e rolou. Está na hora de Dorival Júnior definir um time e só mudar quando for muito necessário.


Quando Henrique se machucou, Joel mandou chamar Leandro Guerreiro, que é da posição. Aí, no instinto, colocou Dudu, que sofreu o pênalti, mal marcado, e deu um belo passe para o gol da vitória. Coletivamente, o Cruzeiro não melhorou. Marquinhos Paraná não é lateral; Everton não é, na lateral ou no meio-campo, jogador para ser titular; e Leandro Guerreio não sabe se é zagueiro ou jogador de meio-campo.








Vale a pena ver Meia Noite em Paris

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Marco Antônio
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 Postado em 03/07/2011 10:47:00 PM

Brasil, mostre sua cara
Assim como sempre fui contra o governo dar benefícios fiscais e dinheiro público para clubes e empresas privadas construírem estádios para a Copa, sou contra distribuir dinheiro para campeões de qualquer esporte. Não tenho duas caras. Se fosse correto, campeões de outros esportes teriam de ter o mesmo direito.

Sou a favor de o governo ajudar ex-jogadores por meio de associações de proteção ao atleta, que já existem, bons planos de saúde, de aposentadoria e de previdência social. Todos os cidadãos deveriam ter o mesmo direito. A milionária CBF tem também a obrigação de ajudar ex-atletas que passam por grandes dificuldades.

O Brasil estreia hoje na Copa América com o esquema tático da moda, em todo o mundo, com quatro defensores, dois volantes, um jogador de cada lado, um meia de ligação e um centroavante. Nenhuma novidade.

Muito mais importante que o desenho tático são as características, virtudes e deficiências dos atletas, se a marcação será por pressão ou mais recuada, se haverá grandes ou pequenos espaços entre os três setores, se as principais qualidades dos adversários serão marcadas e se o time vai priorizar o contra-ataque rápido ou a troca de passes. O restante é perfumaria.

O que não se pode é jogar com quatro jogadores na frente (Neymar, Robinho, Ganso e Pato) e com quatro defensores muito recuados. Ficaria um enorme espaço no meio-campo para os dois volantes.

Os jogadores têm de ter uma referência tática, mas não podem ter posições fixas. Centroavante tem também de recuar um pouco para dar bons passes. Armadores têm de entrar na área para fazer gols. Neymar e Robinho não podem ficar fixos pelos lados. Se Daniel Alves avançar pouco, porque já existem quatro jogadores na frente, deixará de ser excepcional.

Se for bem marcado, Ganso deveria recuar para iniciar as jogadas no campo do Brasil. Sem querer comparar, é o que fazia Zidane.


Com Dunga, o time marcava mais atrás para contra-atacar. Mano gosta mais de pressionar, tomar a bola mais à frente e comandar o jogo. Assim, o futebol fica mais bonito e eficiente. É o que defendo há séculos.

Neymar e Ganso serão estrelas do time e do mundo? Robinho e Pato continuarão irregulares e apenas bons coadjuvantes? O time vai ter um estilo bem definido, uma nova cara, mais sedutora e competitiva? Tudo é incerto. Tenho muitas esperanças. Alguém já disse que ter sucesso é acertar nas dúvidas.





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Santos
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 Postado em 03/07/2011 11:03:00 PM

Mas, com falta de um padrão de jogo e excesso de "invencionice" na escalação, só com muuuuita sorte para escaparmos do rebaixamento...

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Marco Antônio
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 Postado em 06/07/2011 10:48:00 AM

Não há mais bobos

Se eu fosse, hoje, jogador de futebol, teria gostado da folga de um dia dada por Mano Menezes após o empate contra a Venezuela. Ainda mais que o próximo jogo será no sábado. Depois de uma decepção, nada melhor que passear e se distrair, cada um de seu jeito.

No segundo tempo, a seleção foi muito mal. No primeiro, o time, coletivamente, jogou bem. Marcou mais à frente, tomou a bola com facilidade, trocou muitos passes e criou três ótimas chances de gol. Faltou, principalmente, mais talento individual.

Esse é o caminho, que pode demorar ou nunca chegar a ótimos resultados. Vale a pena tentar. Se a equipe acertar com esse estilo, vai vencer e convencer. Não era a falta de encanto que reclamávamos do time de Dunga, mesmo na vitória? Temos de decidir o que queremos.

O mau resultado foi bom para acabar com o oba-oba e com o tal de quarteto mágico. Quando jovens com grande talento, como Neymar e Ganso, chegavam à seleção, havia craques consagrados para ajudá-los. Aos poucos, eles conseguiam seu lugar. Agora, os dois são tratados como se já fossem estrelas da seleção, antes de terem sido. Pato continua irregular em um mesmo jogo e entre um jogo e outro. Robinho, Lucas Leiva, Sandro, Elano, Elias, Ramires e Jadson são apenas bons jogadores, iguais a tantos outros espalhados por seleções, até as medianas, de todo o mundo. Lucas, do São Paulo, é ainda uma interrogação.

Assim como não exalto os técnicos por condutas óbvias, já abandonei, há muito tempo, o chavão, o discurso de que o Brasil está repleto de craques e que, quando joga mal e/ou não vence, a culpa é sempre do treinador. Os craques da seleção estão na zaga, na lateral direita e no gol.

Enquanto o meio-campo for dividido entre dois volantes, que entram para marcar, e um único meia, responsável por toda a criação de jogadas, o Brasil terá grandes dificuldades.
Ganso será, com frequência, anulado. Ainda mais contra fortes equipes. Melhor seria ter um volante e dois armadores que marcam, avançam, atacam e que jogam de uma intermediária à outra. A armação das jogadas deveria começar no campo do Brasil.

Após a primeira rodada, a melhor equipe, na parte coletiva, foi o Chile. É a herança de Louco Bielsa. O time merecia ter dado uma goleada na equipe sub-22 do México.

O consolo do Brasil foi que, coletivamente, o time foi melhor que Argentina e Uruguai. Não há mais times bobos. Nem grandes times.



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Marco Antônio
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 Postado em 11/07/2011 8:20:00 AM

A impotência do gênio
Quase no fim do jogo, no empate por 0 a 0 entre Argentina e Colômbia, torcedores começaram a gritar o nome de Maradona. Como a maioria não deve ter saudades do confuso técnico, deduzo que parte dos gritos era para cutucar Messi e dizer que ele nunca será um Maradona.

As câmeras de televisão mostraram, em detalhes, Messi profundamente abatido, encobrindo o rosto com as mãos, impotente. Parecia querer chorar e pedir perdão aos torcedores.

Se Lavezzi tivesse feito o gol no primeiro tempo, quando Messi o deixou livre na frente do goleiro, a história do jogo e o tema de minha coluna poderiam ser outros.

Mesmo se jogar bem nos próximos jogos, fizer um gol espetacular e decisivo, na Copa América e no próximo Mundial, Messi nunca será, na seleção, com regularidade, o supercraque que é no Barcelona.

Por ter ido menino para a Espanha, não ter brilhado em um time argentino, ter a cara e o jeito de homem tímido, sereno, sério, sem pose de estrela e sem atração pelos dramas da vida, Messi nunca será um mito, como Maradona. É um ídolo. Não será também um bom personagem para os biógrafos.

Carlos Bilardo, técnico campeão do mundo em 1986, quando Maradona fez o mais belo gol de todas as copas, disse que o problema de Messi é ser muito humilde. Nelson Rodrigues, com seu delicioso exagero, repetiu umas mil vezes que a maior qualidade de Pelé era a imodéstia absoluta.

Messi não possui também a esperteza, a agressividade nem a simplicidade de alguns grandes craques. Provavelmente, nunca vai tentar enganar o árbitro e fazer um gol com a mão, como Maradona, dar uma cotovelada no adversário, que não lhe dá sossego, como Pelé, nem dizer que a Copa do Mundo é uma copinha de sete jogos, como Garrincha.

Só podemos definir a importância de um grande craque no fim de sua carreira. Todos eles têm péssimos momentos. Maradona nunca foi campeão de uma Copa América, embora tenha disputado três edições.

Como a alma tem muitos mistérios, Messi poderá ainda nos surpreender, dentro e fora de campo. Quem sabe um dia vai pintar o cabelo de azul e branco, aprender a cantar o hino nacional, até de trás para frente, e passar a dar trombadas e correr atrás de bolas perdidas. O torcedor iria gostar.

Talvez falte a Messi, para se tornar um mito, e não apenas um ídolo, um pouco de loucura, de exibicionismo e de fanfarronice. Messi joga e vive no silêncio. É seu jeito. Cada um tem o seu.

O empate é péssimo
O América, de empate em empate, de derrota em derrota, caminha para retornar à segunda divisão do Campeonato Brasileiro. O Atlético também está muito mal. Os dois precisam reagir na competição. Um empate hoje, na Arena do Jacaré, será péssimo para os dois.

Existe um chavão de que um time precisa ter um grande elenco para jogar um campeonato longo, como o Brasileirão, que tem 38 rodadas. É uma meia verdade. Se todos os jogadores estiverem no mesmo nível, e o técnico trocar demais, nunca se forma um conjunto.

Como disse Millôr Fernandes, o perigo da meia verdade é você dizer exatamente a metade que é mentira.



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Marco Antônio
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 Postado em 13/07/2011 11:04:00 AM

Nenhuma surpresa
Se eu fosse presidente de um clube, nunca contrataria Kleber. Bom jogador, porém, criador de caso, mimado, amparado pela condescendência de dirigentes e de parte da imprensa.


No futebol, existe o básico, o essencial, ligado à técnica, à preparação física, à organização tática, que pode ser ensaiado e melhorado, e o extra, a jogada criativa, imprevisível, do craque, que não pode ser ensinada, mas que pode ser aperfeiçoada. A diferença entre o futebol feminino dos Estados Unidos e do Brasil é que as norte-americanas executam, com muito mais eficiência, o básico, enquanto as brasileiras dependem somente do extra, de Marta.


Esse pouco conhecimento básico tem tudo a ver com o descaso da CBF, que não dá bola para o futebol feminino, já que não rende bons contratos comerciais.


No futebol masculino, não houve decepção nem surpresa na atuação do Brasil no empate contra o Paraguai. Era o que se esperava, um jogo equilibrado entre duas equipes do mesmo nível. O Brasil possui alguns jogadores melhores, e o Paraguai, melhor conjunto. Na média, fica mais ou menos igual. Surpresas foram o belo gol de Fred, que não merecia ter sido convocado, e a ótima defesa brasileira sofrer dois gols.


Hoje, contra o Equador, uma seleção pior que a do Paraguai, o Brasil é favorito. No entanto, não será nenhuma zebra se não vencer, como ocorreu contra a Venezuela. Além do Barcelona, a única novidade do futebol nos últimos tempos é que os técnicos das equipes mais fracas aprenderam a organizar uma boa defesa contra os mais fortes.


Neymar e Ganso ainda não brilharam porque são jovens, começam suas carreiras na seleção e enfrentam defesas mais fortes. Quase todos os jogadores das seleções da Copa América jogam fora de seus países. Os principais times brasileiros e sul-americanos são muito mais fracos do que as seleções, diferentemente do que ocorre na Espanha, Itália e Inglaterra.


Pato é exaltado na Itália por causa de alguns lances brilhantes e porque a referência é Inzaghi, Luca Toni e outros centroavantes. No Brasil, a referência é Romário, Ronaldo, Reinaldo, Coutinho, Careca. Lucas já é estrela no São Paulo, mas, na seleção, é uma interrogação. Ramires marca muito, mas avança na correria e na trombada. Às vezes, dá certo, como no primeiro gol contra o Paraguai.


Mesmo se o Brasil não ganhar a Copa América, a esperança é que Neymar, Ganso, Pato e Lucas se transformem em grandes astros da seleção.


Novo técnico
Aos poucos, o técnico Joel Santana vai voltar à formação do início deste ano, quando o Cruzeiro estava muito bem, com Marquinhos Paraná, Fabrício (na época, era Henrique), Roger e Montillo, no meio-campo, e Wallyson e Thiago Ribeiro, no ataque.


Joel, como o ex-treinador celeste Cuca, adora Leandro Guerreiro, um bom jogador para a reserva. É a fascinação que os treinadores brasileiros possuem por um jogador que faz as funções de zagueiro e de volante, em um mesmo jogo. Não faz bem uma coisa nem outra.


Ganhar do América não é motivo para o torcedor do Atlético ficar eufórico. Quem sabe, o novo técnico, o delegado Antonio Lopes, vai colocar ordem no abatido Coelho?



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Marco Antônio
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 Postado em 18/07/2011 1:21:00 PM

Ciência e futebol
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, importante pesquisador, radicado nos Estados Unidos, utilizou, em um dos capítulos de seu livro "Muito Além do Nosso Eu", o quarto gol do Brasil contra a Itália, na final da Copa de 1970, como exemplo para discutir a plasticidade e a interação dos neurônios e dos circuitos cerebrais. O pesquisador contou em detalhes - tão bem quanto os melhores narradores e comentaristas esportivos - como oito jogadores trocaram passes, durante 30 segundos, sem interrupção.


Ele disse, o que concordo, que nenhum dos oito atletas tinha a ideia sobre o que seria o resultado final de sua interação com os companheiros, além de ser impossível planejar o lance. Já os reducionistas, lembrou o neurocientista, tentariam explicar a complexidade da jogada estudando as características de cada jogador e separando as ações de cada um, no momento da jogada.


O conjunto não é apenas a soma das partes. Quando partes se juntam, pode ocorrer algo novo, inimaginável. O time encaixa, como diz o chavão do futebol. Os técnicos aproveitam para falar que tudo foi planejado.


Paradoxalmente, quanto mais os jogadores estão preparados para ocupar vários setores do campo, em um mesmo jogo, mais eles são compartimentados, pela visão reducionista dos técnicos, a atuar pelos lados ou pelo centro, pela direita ou pela esquerda, de volante ou de meia, de primeiro ou de segundo volante, de primeiro ou de segundo atacante.


O sonho dos técnicos é transformar o futebol em um jogo mais previsível, onde tudo pode ser planejado e ensaiado. A principal deficiência da Seleção Brasileira é não ter um armador de grande talento, desses que os comentaristas não sabem se é volante ou meia.


Contra o Equador, a principal qualidade coletiva do Brasil foi a troca de posições entre Robinho, Neymar e Pato. Por outro lado, os três e mais Ganso estavam sempre no campo do adversário. Lucas e Ramires ficaram sozinhos na marcação. O Equador tocou a bola com facilidade no meio, pelos lados e nas costas dos volantes. Hoje, contra o Paraguai, um time bem melhor, isso poderá ser um problema.


A solução não é escalar Jadson no lugar de Robinho. Jadson também joga no campo do outro time. Se entrar Elano, melhora a marcação, mas o time perde um jogador na frente. O que fazer? É um problema para Mano resolver, para outra coluna, para uma discussão acadêmica ou para uma boa conversa em um botequim.

Raposa e Coelho
Sem Thiago Ribeiro, Joel tem a opção de escalar um típico centroavante ou, o que seria melhor, colocar Ortigoza, que tem características parecidas com as do titular. Hoje, em casa, é um bom jogo para o Cruzeiro voltar a vencer, embora o Bahia, com jogadores rápidos e habilidosos, esteja atuando melhor fora.


O Ceará, em seu campo, é favorito contra o América. Como os times costumam melhorar, pelo menos por um curto período, quando chega um novo técnico, ainda mais um experiente delegado, não será surpresa uma boa atuação e uma vitória do América. O jogo é ainda mais importante porque Ceará e América, provavelmente, vão lutar para continuar na Primeira Divisão.

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Marco Antônio
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 Postado em 20/07/2011 8:02:00 AM

Aprendizes de mágico

Esta coluna é uma repetição de muitos conceitos ditos aqui, antes e durante a Copa América.

Coletivamente, o Brasil jogou bem contra o Paraguai. Marcou por pressão, tomou a bola com facilidade, não deixou o adversário contra-atacar, trocou muitos passes e criou várias e excelentes chances de gol. Esse é o caminho. Faltaram mais maturidade e talento, do meio para frente.

O Brasil tem ótimos jogadores, mas não possui, hoje, um único grande craque no meio-campo e no ataque. Clube não é seleção. Temos grandes esperanças. Falta também um grande cobrador de faltas e escanteios.

A seleção não pode depender de um meia de ligação, seja Ganso ou quem for. A solução não é escalar mais um meia. O que falta é um craque para jogar no lugar de Ramires e alternar com o meia, na marcação e na construção das jogadas. Esse jogador não existe. Casemiro, do São Paulo, é outra esperança.

Dizer que faltou alma, comprometimento, é um lugar-comum ufanista, para agradar aos torcedores e aumentar a audiência. Não podemos ter dois discursos prontos, que mudam se a bola bateu na trave ou se entrou, de duras críticas na derrota ou de exaltação na vitória.

É a mesma crítica de muitos argentinos, de que Messi não canta o hino nacional e que não se sente feliz em jogar pela Argentina. Diferentemente do Brasil, a Argentina mostrou um time bastante desorganizado, além de graves deficiências individuais na defesa.

O Brasil faz poucos gols. Não é porque prioriza a defesa. É por falta de maturidade e talento. Contra o Equador, marcou quatro, porque eles precisavam vencer para se classificar e foram para frente. Maicon jogou livre, o que não ocorreu contra o Paraguai. Fora o Equador, o Brasil fez 11 gols nos últimos 11 jogos. Baixíssima média de um gol por partida.

Além disso, a única evolução no futebol nos últimos tempos, fora o Barcelona, é que os técnicos aprenderam a armar boas defesas contra times mais fortes. A derrota vai fazer bem aos jovens. A derrota humaniza, os retiram de um pedestal de ilusões, de se acharem gênios, caras escolhidos pelos deuses.

O Brasil é o país da maquiagem e da enganação. Quando foi anunciado que a Copa seria aqui, Ricardo Teixeira e o Ministro do Esporte, Orlando Silva, disseram que não haveria dinheiro público. A última mentira é que a seleção tinha um quarteto mágico na frente. Eles são ainda aprendizes, que confundem o truque no momento do espetáculo.



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Formiga
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 Postado em 20/07/2011 8:25:00 AM

Vale a pena ler a notinha do Tostão sobre o Atlético Mineiro.

SERVE OU NÃO SERVE PRO AMÉRICA? Mesmo caminho...

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zeustachio
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 Postado em 20/07/2011 8:56:00 AM

Como dizia o Seu Zé Malcriado, um dono de boteco e treinador de "time de vage" nas décadas de 50 e 60 em Santa Efigênia:

A coluna do Tostão serve pro América, "Ipislitis"

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Marco Antônio
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Local: Belo Horizonte - MG - BrasilSexo Masculino  Aniversário em 16/10
 Postado em 24/07/2011 12:26:00 PM

O mais belo quase gol
Nesta semana, um jovem que encontrei em uma de minhas caminhadas diárias, na tentativa de prolongar a vida, me pediu para escrever mais histórias do futebol do passado. Não fiquei surpreso. A maioria dos jovens não acha que quem gosta de passado é museu.

Falo pouco do passado porque tenho muitas coisas para falar do presente, para não repetir histórias que todo mundo já sabe e para não me sentir nostálgico. Temos mais saudades de nós mesmos que do passado.

Hoje, já que o Brasil não vai enfrentar o Uruguai, como deveria, aproveito a final da Copa América para lembrar de fatos que vivi, pela seleção, contra o Uruguai. Vou contar vantagens. Outro dia, quando estiver triste, jururu, sem fantasias e ilusões, vendo a vida como ela é, contarei as caneladas que dei na bola. Foram muitas.

Contra o Uruguai, na semifinal da Copa de 1970, dei três dos mais belos e importantes passes de minha carreira, para os dois primeiros gols, e o terceiro, para Pelé fazer o mais espetacular quase gol da história do futebol.

Hoje, o sonho de todos os treinadores é defender e atacar com o maior número de jogadores.

No segundo gol contra o Uruguai, Jairzinho, Pelé e Tostão, todos atacantes, recuperaram a bola no próprio campo, trocaram passes, e Jairzinho foi recebê-la na frente. A seleção estava à frente de seu tempo.

No fim do primeiro tempo, o meia Gerson, ao perceber que estava muito marcado individualmente, trocou de posição com o volante Clodoaldo, que fez o gol de empate. A troca de posições e funções é fundamental no futebol moderno para confundir a marcação. Paulinho, do Corinthians, é volante ou meia?

O jovem leitor, que me pediu para escrever sobre o passado, deve ter percebido, ou já sabe há muito tempo, que passado e presente se misturam na imaginação, na memória, nas lembranças e na vida diária. Todo encontro é um reencontro.

Hoje, eu e a maioria dos brasileiros vamos torcer para o Uruguai, que tem melhor time e dois excelentes atacantes. A equipe melhorou durante a Copa América, depois que saiu o terceiro atacante, Cavani, um típico centroavante, e o time voltou a jogar como na Copa de 2010, com Forlán e Suárez na frente.

O Paraguai mostrou um futebol medíocre, muito pior que o da Copa de 2010 e das Eliminatórias em 2009.

O Uruguai é a seleção da moda. Até as trombadas de alguns defensores são elogiadas, como símbolos de raça e de futebol competitivo.





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