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Tópico: Profissional x Base
Marco Antônio
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 Postado em 29/04/2008 8:40:00 AM

Exemplo aos aspirantes, atletas rebaixados à base sofrem ‘exaustão psicológica’

Jogadores que já se consagraram no futebol profissional passam por trajeto difícil para retomar espaço após trabalho à parte no departamento amador


Bruno Camarão


Na temporada de 2006, o atacante Pedro Oldoni, do Atlético-PR, teve um bom começo de Campeonato Brasileiro, mantendo média de um gol por jogo após seis rodadas. Prejudicado por uma decisão polêmica da direção paranaense (era empresariado pelas mesmas pessoas que cuidavam de Dagoberto, atleta que mantinha briga jurídica com a cúpula rubro-negra), acabou sendo afastado do time principal na época em que era o artilheiro do Nacional com a justificativa de “treinar fundamentos” na base.

Formado nas categorias de baixo do Cianorte, também do Paraná, Oldoni acabou não tendo muitas chances no ano seguinte na Arena da Baixada. A situação de angariar um espaço no time principal de um grande clube e depois cair abruptamente ao departamento amador também se fez presente na vida de outros jovens jogadores – cada qual com sua particularidade.

O São Paulo, por exemplo, realizou tal procedimento com alguma freqüência. Na edição deste ano da Copa São Paulo de Futebol, o meia-atacante Sérgio Mota, uma das principais apostas do clube do Morumbi para um futuro próximo, foi realocado do grupo que treinava com Muricy Ramalho desde 2007 para disputar o torneio mais famoso entre os juniores.

“O garoto não estava pronto. Precisava de um tempo maior. Hoje em dia, a cabeça está mais desenvolvida e ele sabe que no São Paulo é um profissional no papel, com deveres a cumprir. Existe muita coisa para ele se firmar. O Sergio Motta desceu com vontade, disposição e atendeu a um pedido para disputar a Taça São Paulo, para mostrar alguma coisa a mais que ficou faltando”, analisou Marcos Vizoli, técnico do time tricolor na competição.

Com Dinélson a situação foi semelhante. Destaque nas categorias de base do Guarani, o meia foi contratado pelo Corinthians, mas teve problemas para se firmar nas janelas mais próximas aos olhos da torcida alvinegra. Resultado: foi “rebaixado” ao elenco que se preparava para a Copa São Paulo – o título de 2005 o levou de volta ao time principal, mas até hoje, recuperando-se de lesão de ligamento cruzado no joelho, a promessa ainda não vingou.

Retornando ao Morumbi – ou mais especificamente a Cotia, onde fica localizada a estrutura física do futebol amador são-paulino –, exemplos concretos ficam por conta dos laterais Gabriel e Maurinho e do volante Renan.

Os dois atletas que transitaram com eficiência pela ala direita de clubes rivais tiveram entraves em sua trajetória no São Paulo. Gabriel recebeu a “punição” quando Cilinho ainda coordenava o setor, e consolidou-se apenas fora do Estado – quebrou o recorde de gols marcados por um lateral no Nacional de 2005, atuando pelo Fluminense, clube que defende hoje, além de ter sido contratado nesse meio termo para defender o Cruzeiro. Já Maurinho chamou a atenção da mídia especializada com seu bicampeonato brasileiro no currículo (Santos-02 e Cruzeiro-03), mas no clube paulistano freou sua carreira – treina “afastado” no CT do interior.

“Alguns atletas são escolhidos para substituírem alguma necessidade, e eles sabem que vão voltar. Outros, pela qualidade, ou pelo que o treinador viu no dia-a-dia, vão e se fixam por um período. De repente, eles não se adaptam, aí um ‘professor’ os manda descer. É um processo muito difícil”, afirma Vizoli, que traçou o processo vivido por esses ex-são-paulinos.

“Esses atletas que retornam não podem trabalhar dentro do CT. Ficam com uma comissão que só trabalha com eles, principalmente a parte física. É muito importante que o garoto da base veja o Renan, o Maurinho. Eles vão treinar e passam a ser referência para o atleta que fica constantemente lá. Mas acaba sendo complicado. Como o profissionalismo é eficiente, eles têm um cansaço natural. A expectativa não aparece e só fazer físico deixa esse atleta exaurido. A gente tenta ao máximo tentar integrá-los, mas não pode parar nossas atividades por causa deles”, explica.

O caso de Renan é notório. Eleito “Bola de Prata” pela Revista Placar em 2004, o jogador teve um ano seguinte triunfante, ao participar do grupo que levou o Campeonato Paulista, a Libertadores e o Mundial de Clubes. Sem espaço frente à dupla Mineiro-Josué, passou por empréstimos ao Juventude, ao Cruzeiro, e, por último, ao Al Ittihad. Há poucas semanas, foi negociado com o Vitória, que disputa a elite do futebol nacional no segundo semestre.

“O Renan veio da Arábia, o Campeonato Paulista estava em andamento e não tinha espaço em nenhum outro regional também. Ele sabia que tinha de trabalhar o físico, pois nunca iria alcançar uma condição real de jogo. Ele precisava estar trabalhando com grupo para alcançar aquela condição total”, lembrou Vizoli.

“Tiramos alguns profissionais para treiná-lo e trabalhar paralela e individualmente com ele. É que passa o tempo e depende muito da época, aí não dá para haver uma integração. Esses atletas mantêm uma condição física, mas perdem em outros quesitos”, finaliza.


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