O que faz uma "boa vontade" da imprensa
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Tópico: O que faz uma "boa vontade" da imprensa
Marinho
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Local: Belo Horizonte - MG - Brasil
Idade: 40 anosSexo Masculino
 Postado em 10/02/2011 2:02:00 PM

Depois da derrota diante da carrasca França, vejamos os números iniciais de Mano:

Mano Menezes tem agora cinco jogos, com três vitórias (Estados Unidos, Irã e Ucrânia) e duas derrotas (Argentina e França). Perdemos para as duas seleções de expressão. Fato.

Dunga deixou o comando da seleção brasileira com 68 jogos, 49 vitórias, 12 empates e sete derrotas. É o 4° maior de toda história. Isso mesmo.

Veja abaixo o aproveitamento dos cinco melhores da história:

Zagallo: 79,1% (133 jogos)
Telê Santana: 78,7% (55)
Vicente Feola: 78,6% (75)
Dunga: 77,9% (68)
Vanderlei Luxemburgo: 73,1% (57)


Muita gente falava que os números de Dunga tinha sido construídos sobre equipes inexpressivas.

Isto é uma mentira sem tamanho.

Com Dunga, alguns feitos contra equipes tradicionalíssimas:
Depois de 33 anos, o Brasil voltou a vencer no Uruguai. Com os 4 a 0 sobre o time celeste, a Seleção alcançou a liderança das Eliminatórias. Foi o pior resultados dos uruguaios em casa.

Chile, Argentina, Uruguai e Equador foram os times que o Brasil mais enfrentou nesta Era Dunga. E contra todos eles o retrospecto é positivo. E com direito a goleadas.
Chile: 4 jogos, 4 vitórias e 4 goleadas
Equador: 4 jogos, 3 vitórias e 1 empate
Argentina: 3 jogos, 2 vitórias, 2 goleadas e 1 empate (1 derrota com o time Sub-23 na Olimpíada)
Uruguai: 3 jogos, 2 vitórias, 1 empate e 1 goleada

"Bem contra seleções de ponta
Quando enfrentou seleções de ponta, não deu vexames. Em jogos contra Portugal (perdeu no primeiro amistoso por 2 a 0 mas goleou no segundo por 6 a 2) e Itália (vitória por 2 a 0) as vitórias foram convincentes."

O Brasil com Dunga se tornou um visitante bem chato nas Eliminatórias. Foram 12 pontos conquistados em três vitórias, três empates e apenas uma derrota.

Só para enfatizar o feito, nas últimas três eliminatórias, o máximo que o Brasil conquistou foram duas vitórias.

Eliminatórias para a Copa de 2006
Campanha fora de casa: 2 vitórias, 5 empates e 2 derrotas
Eliminatórias para a Copa de 2002
Campanha fora de casa: 2 vitórias, 1 empate e 6 derrotas
Eliminatórias para a Copa de 1994
Campanha fora de casa: 1 vitória, 2 empates e 1 derrota


Só lembrando que o Brasil nunca teve uma tradição com classificações tranquilas em eliminatórias. Passamos na maioria delas apertado.


Tudo isso para afirmar: Dunga vencia Copa América, Copa das Confederações, amistosos, eliminatórias, goleava os hermanos dentro da Argentina e tomava muita porrada da imprensa, desde os jogos iniciais. Ficou mais acintoso na Copa.

Para aqueles que gostam de dizer: na hora do vamos ver em Copas, não vencemos. Concordo. Mas também houve derrotas acachapantes sofridas nesta Copa por equipes do porte da Inglaterra, França, Argentina e não lembro destas equipes terem recebidos os massacres midiáticos que Dunga sofria, ou melhor, desde os tempos de 90, aonde cretinamente referiam como a "ERA Dunga", como se a culpa de todo um contexto fosse exclusivamente dele. Grande técnicos também perdem Copas. Telê perdeu 2. Continua com a imagem irretocável. Já Dunga....a forma da demissão na Africa do Sul, na verdade escurraçado, para um técnico que é "só" o 4° melhor de toda a história da seleção brasileira.

Se fosse o Dunga o técnico de ontem, ele estava perdido.

Mas como é o Mano do curintia, da globo, a enxurrada de críticas desaparecem. Então "pode" testar o ilustre jadson, inventar Renato Augusto como o camisa 10 da seleção pentacampeã mundial ( aquilo foi brincadeira....), deixar pato isolado, encher de volantes com resultados adversos e o pior: o ótimo Hernanes deu uma de felipe melo, mudando a história da partida, com um coice...mas como é o time do Mano, o trabalho é inicial, laboratório, pode tudo. Seleção brasileira não é clube. Tem limite para inventar e apostar.


Conclusão:
Ele está num início de trabalho, lógico, mas é evidente que não notamos a má vontade que Dunga sofreu durante toda a sua permanência em seu posto, muito pelo fato dele ter tirado regalias da senhora rede Globo.

A midia constroi e destroi quem ela quiser, se faz mitos e vilões eternos.
Se esquece os numeros com muita facilidade. Quando estes são analisados num contexto, observando a conjuntura e as adversidades que permeavam todo este caminho, notamos a tremenda injustiça sobre o calvário de Dunga. Repetindo, só o 4° maior de todos os tempos em aproveitamento. Isso não se faz. Covardia sem tamanho.

Que Mano tenha sorte neste início de jornada. Mas o que a maioria de nucleos da imprensa chega a construir ou melhor, a destruir, me enoja.





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tim
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Local: BH - MG - Brasil
Idade: 62 anosSexo Masculino
 Postado em 11/02/2011 8:41:00 AM

Muito bom!

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Johnny
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Registro: 06/05/2002
Local: Belo Horizonte - MG - Brasil
Idade: 48 anosSexo Masculino
 Postado em 13/02/2011 10:58:00 PM

Marinho,

Acho que foram situações diferentes.

O Dunga pegou uma seleção já com uma base da Copa de 2006, trocando apenas os mais veteranos (Cafu, Roberto Carlos, Emerson, Edmilson). Mesmo assim, manteve Lúcio, Juan e Gilberto Silva, de um time que já tinha Kaká, Robinho, Júlio César, Luisão (zagueiro), Adriano e alguns outros.

O Dunga não conseguiu a medalha olímpica, ficou com o Bronze. Do time olímpico, só dois jogadores foram "aproveitados" na Copa de 2010: Ramires e Thiago Silva. A base de 2006 foi mantida, com algumas mudanças.

O Mano começa com o desafio de renovar a Seleção: do time que foi para a Copa, ele vai perder a zaga titular (Lúcio e Juan), Gilberto Silva, Kleberson, Gilberto, e, muito provavelmente, Elano, Luis Fabiano, Júlio Baptista. Kaká e Ronaldinho Gaucho são dúvidas, com problemas físicos. Diego, que seria outra aposta para 2014, está precisando se afirmar com jogador de Seleção.

Dessa renovacão da seleção, o Mano vai precisar de, pelo menos, uns oito a dez jogadores. Acredito que Neymar, Ganso, David Luis e Hernarnes deverão estar no grupo de 2014. Ainda será preciso mais revelações, talvez até do atual time sub-20.

Se você pegar o perfil das convocações do Mano, vai ver que ele está tentando "formar" essas revelações.

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Marinho
Usuário Nivel 5

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Registro: 05/08/2006
Local: Belo Horizonte - MG - Brasil
Idade: 40 anosSexo Masculino
 Postado em 14/02/2011 11:34:00 PM

Concordo Jhonny, vc tem razão. Mano testa mais revelações. O trabalho é sim diferente.

Fiquei só chateado da maneira como foi conduzida o trabalho da imprensa. O Dunga teve muita pressão, talvez mais que qualquer técnico da seleção brasileira. Talvez aquelas reações agressivas do mesmo pode ser um reflexo, mágoa diante dos estigmas criados desde a era dunga de 90...

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Johnny
Usuário Nivel 5

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Registro: 06/05/2002
Local: Belo Horizonte - MG - Brasil
Idade: 48 anosSexo Masculino
 Postado em 15/02/2011 10:16:00 AM

Marinho,

Para mim, o Dunga teve uma postura correta até um certo ponto. De fato, a entrada do Dunga na Seleção era uma medida contra a bagunça que foi a Copa de 2006. Era preciso dar uma geral, chamar os jogadores à responsabilidade, pois a Seleção era uma verdadeira casa de mãe Joana.

Mais ou menos como em 98, em que um treino da Seleção foi interrompido para um "evento" da Coca-Cola (na época, tem uma imagem do Dunga balançando a cabeça negativamente, como que diz "esse negócio não vai para a frente").

O Dunga entrou botando respeito. O problema é que não teve quem colocasse um limite no Dunga. Os resultados foram aparecendo, o Dunga cada vez mais certo de que a "linha dura" era o caminho certo.

Até que a coisa saiu dos limites, chegou ao ponto em que o mais importante era o jogador estar "fechado com o grupo" do que a qualidade técnica, justificando a convocação Josué, Felipe Mello e Grafite. Não que fosse por erro do Dunga, mas era um erro da filosofia que vinha sendo praticada. Em outro tópico, eu mesmo disse que entendia o porque da convocação do Grafite em detrimento do Ronaldinho Gaúcho, por uma questão de lealdade do Dunga para o grupo.

Aí é que está a diferença entre um técnico como o Scolari e o Dunga: o Scolari convocou um grupo para a Copa, ganhou a confiança deles e fez a família Scolari; o Dunga fez a "família Dunga" primeiro e convocou a família para a Copa.

Esse "sair dos limites" do Dunga é que foi o inferno astral dele: ele se sentiu acima de todos e passou a revidar as críticas da imprensa proibindo o acesso dos jornalistas com um excesso de rigor. A imprensa revidou também e a coisa foi escalonando até o episódio com o Escobar na Copa. Na briga de cachorro grande, o Dunga deu o motivo para perder a queda de braço com a eliminação para a Holanda. Aí, a Globo montou em cima e, com ela, seguiram todos os outros veículos da imprensa chutando o cachorro morto.

De toda a era Dunga-técnico, acho que a grande lição que se tira é uma frase que o Chefe usa muito aqui: a virtude está no meio. É saber dosar seriedade do trabalho com respeito à imprensa; é evitar o oba-oba sem criar atrito com a mídia; é não confundir concentração com clausura. Coisa que o Scolari, que também é linha dura, soube fazer bem.

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