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Tópico: Mercado de Capitais !
Marco Antônio
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 Postado em 22/05/2006 7:09:00 PM

Estratégia
Muito longe da trave
Times de futebol voltam a olhar para o mercado de capitais, mas a realidade
por aqui ainda frustra qualquer aspiração espelhada no modelo europeu

Por Adriana Souza Silva
* Matéria cedida pela Revista Capital Aberto, edição de abril/2006.
Informações sobre a publicação podem ser obtidas no site
www.revistacapitalaberto.com.br.
16/05/2006

Não é preciso recorrer a um antropólogo para enxergar o quanto o futebol
está enraizado na cultura do brasileiro. Tampouco ser um especialista em
finanças para deduzir que muitos torcedores ou mesmo investidores
profissionais se interessariam pela compra de ações de um time se, um dia,
os nossos clubes fossem parar na bolsa.

Na Europa, aconteceu exatamente isso no início dos anos 90. A paixão pela
camisa foi convertida em oportunidade de negócio. Desde então, 38 clubes já
viraram empresas de capital aberto com direito a participarem do ranking
anual da revista Forbes com as sociedades desportivas mais caras do mundo.
No mais recente, divulgado em março, o Manchester United, da Inglaterra,
aparece no topo da lista, avaliado em US$ 1,4 bilhão, seguido pelo espanhol
Real Madrid (US$ 1,01 bilhão) e o italiano AC Milão (US$ 920 milhões). E no
Brasil? Por que o jogo Futebol X Mercado não sai do zero a zero?


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Marco Antônio
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 Postado em 22/05/2006 7:10:00 PM

Mesmo após a Lei Pelé, nº 9.615/01, que obrigou a divulgação pública de
balanços de todos os times, a prestação de contas ainda peca pela falta de
padronização. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) fez sua parte e
editou, no ano passado, um conjunto de normas como referência para esse
segmento. Mas ainda existem muitos times que contabilizam como ativo desde
os direitos de imagem de um campeonato que ainda não aconteceu até eventuais
multas a serem cobradas caso um de seus jogadores decida ir para outro time.

A primeira tentativa de listagem de um clube na Bovespa fracassou exatamente
por uma confusão contábil. Em janeiro de 2003, o Coritiba, através do
Coritiba S.A, entrou com pedido de registro na Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) para uma oferta pública de ações. A questão é que, dos R$
51 milhões declarados como patrimônio, mais de R$ 50 milhões, ou 99%, eram
relativos ao direito sobre o uso da marca do Coritiba. Nas demonstrações do
time, o direito do uso da imagem foi considerado no cálculo da
integralização do capital da companhia, sendo descrito como "patrimônio
intangível gerado internamente". Porém, na ocasião, a CVM vetou o projeto
avaliando que intangíveis gerados internamente não podem ser contabilizados.



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Marco Antônio
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 Postado em 22/05/2006 7:10:00 PM

Desfalque nos cofres públicos

Outra questão que os times precisam resolver antes de pensarem em atrair o
investidor são as dívidas trabalhistas e com o poder público. Somente em
débito perante a Previdência Social há um montante de R$ 400 milhões a ser
pago, segundo o Ministério dos Esportes, por falta de repasse do FGTS. Em
maio do ano passado, levantamento da revista Consultor Jurídico apontou que,
juntos, os clubes brasileiros possuíam 2.821 processos na Justiça do
Trabalho. Isso porque, após a Lei Pelé, o atleta passou a ter contrato de
trabalho como qualquer outro trabalhador comum, o que deu espaço aos
jogadores para reclamarem de falta de décimo terceiro, atraso salarial, más
condições de trabalho, etc. O não-repasse à Receita Federal do Imposto de
Renda deduzido na fonte também entrou na lista de irregularidades das
agremiações.

Em 2003, foi criada pelo Ministério do Esporte uma loteria para tentar
resolver o impasse entre dirigentes e cofres públicos, a chamada Timemania.
Na operação, o dinheiro arrecadado pelo governo seria usado para abater as
dívidas da falta de recolhimento do INSS e do Imposto de Renda. Os clubes de
futebol, por sua vez, emprestariam a sua marca para ser usada na loteria e
aumentar a venda dos boletos. O Botafogo, por exemplo, aguarda apenas a
aprovação da Timemania para anunciar a abertura de sua nova S.A. Contudo,
apesar de ser mais cobiçada do que taça em final de campeonato, a tal
solução fiscal, por enquanto, ainda é um projeto de lei. Precisa passar pela
Câmara, ir ao Senado e, depois, ganhar a sanção da Presidência.

Entre os especialistas no assunto, há os otimistas e os sóbrios. O primeiro
grupo encontra-se representado na figura do vice-presidente jurídico da
Federação de Futebol do Rio de Janeiro, Pedro Trengrouse. Zagueiro da ajuda
financeira aos clubes, ele acredita que a medida serviria como incentivo
para a melhoria da gestão e adequação dos times às exigências do mercado. Já
na equipe dos sóbrios, o atacante José Antônio Alves, da FGV, não perdoa e
marca: "O futebol brasileiro é movido à paixão. Não adianta só injetar
dinheiro enquanto não houver uma mudança de paradigma, que visa corte de
custos, conselho independente e profissionalização dos dirigentes".


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Marco Antônio
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 Postado em 22/05/2006 7:12:00 PM

Com ou sem lucro?

Mesmo num mundo perfeito, isto é, de times com dívidas sanadas e
contabilidade ajustada às recomendações do CFC, haveria ainda uma terceira
barreira para driblar: o fato de a grande maioria dos clubes brasileiros não
ser empresas - condição imprescindível para vir a mercado. Só como
companhias poderiam se aventurar numa operação de securitização, por
exemplo, ou qualquer outra relacionada ao mercado de capitais. Mas se o
clube deixar a condição de sociedade civil sem fins lucrativos perde a
isenção de impostos aplicável a essas instituições e terá de arcar com a
mesma mordida que as demais companhias hoje levam do fisco. Compensa?

O advogado do escritório Barbosa, Müssnich & Aragão, Felipe Portugal,
acredita que possa haver um jeito de o time manter sua isenção fiscal e, ao
mesmo tempo, conseguir desfrutar do mercado de capitais. A solução, para
ele, estaria na criação de uma nova empresa, desta vez com fins lucrativos,
como quer fazer o Botafogo. O clube seria o acionista controlador dessa S.A
que, mediante os devidos registros na CVM, serviria de veículo para as
captações do time que financiariam projetos como a construção de um estádio
ou a compra de um jogador. A dúvida é se os dirigentes dessas S.As criadas
pelos clubes teriam credibilidade perante os investidores.

O caminho até o mercado requer cuidados. Aos times que têm essa pretensão, o
conselho é seguir os ensinamentos do folclórico Vicente Matheus, presidente
do Corinthians nos anos 70 e 80: "começar do começo". Isso implica investir
em governança dentro das atuais administrações dos times, antes mesmo de
pensar em abrir uma empresa ou aventurar-se a tentar um registro na CVM.
Para José Antônio Alves, da FGV, a situação do futebol brasileiro assim
permanecerá enquanto o esporte não se livrar de um círculo vicioso. A
ausência de profissionalismo se reflete numa decisão errada da diretoria
que, por sua vez, atrapalha o desempenho dos jogadores, leva o time à
derrota e afasta os patrocinadores. Ainda muito longe dos grandes times
europeus de capital aberto, os nossos precisam, antes de mais nada, vestir a
camisa de uma gestão competente.



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Marco Antônio
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 Postado em 22/05/2006 7:13:00 PM

Eficiência mesmo, só estilo britânico
Dentro e fora dos gramados, o Manchester United é um modelo a ser seguido
Por Cíntia Cristina da Silva
* Matéria cedida pela Revista Capital Aberto, edição de abril/2006.
Informações sobre a publicação podem ser obtidas no site
www.revistacapitalaberto.com.br.
Os ingleses inventaram o futebol e a maneira mais eficiente de ganhar
milhões de libras com o esporte. O exemplo mais contundente e bem acabado é
o Manchester United, um dos clubes mais conhecidos do mundo. Fundado em
1878, foi uma das primeiras agremiações de futebol a abrir o capital, em
1991.

Na época, o time atravessava uma situação difícil. Sem dinheiro para
reformar o estádio Old Trafford como exigia o Relatório Taylor - legislação
que obrigou uma mudança nas condições de segurança dos estádios de
futebol -, o Manchester resolveu lançar ações na Bolsa de Valores. A
empreitada deu certo: o time captou dinheiro suficiente para reformar o
estádio, investir em jogadores e ganhar títulos. Desde então venceu oito
campeonatos ingleses entre 1993 e 2003. O preço das ações de times de
futebol segue a mesma lógica de mercado a que estão sujeitas outras
companhias. No entanto, a valorização da empresa depende de uma variável
interessante: as vitórias e derrotas dentro de campo são levadas em
consideração, destaca o especialista em gestão de clubes de futebol e
professor da Fundação Getúlio Vargas, Antônio Carlos Kfouri Aidar, autor de
A Transformação do Modelo de Gestão no Futebol.

Com as vitórias em campo, o retorno financeiro do Manchester se manteve nas
alturas: o clube está no topo dos times mais ricos do mundo há oito anos
consecutivos. O ranking publicado anualmente na Forbes é feito pela empresa
de consultoria inglesa Deloitte Sports Business Group, especializada em
administração esportiva. Além do patrimônio dos clubes, a Deloitte leva em
consideração os rendimentos anuais.

Quando abriu o capital, o time inglês tinha um patrimônio de 18 milhões de
libras. Em 2001 foi apontado como o time mais bem-sucedido na Bolsa de
Valores com um lucro estimado em 22 milhões de libras. A administração
eficiente e a exploração máxima de sua marca - cujo emblema é facilmente
reconhecido entre fãs de futebol - foram revertidas em rendimentos. O
Manchester passou a tratar seus torcedores como clientes e essa
profissionalização gerou uma empresa multi-funcional. Hoje, os "red devils"
têm sua própria emissora de TV e uma estrutura impressionante. O estádio Old
Trafford abriga um museu, lojas, restaurantes e camarotes, com capacidade
para até 4 mil pessoas. Toda essa estrutura funciona o tempo todo, pois o
local é alugado para festas e convenções.

O time também administra seu próprio banco. Oferece seguros, fundos de
investimento, cartão de crédito, financiamentos, além das vantagens que o
"dinheiro não pode comprar", ou seja, possibilidades de visitas aos
vestiários, encontros com os jogadores e outras atividades que, de fato, têm
valor inestimável para torcedores de futebol.

O modelo de gestão implantado no Manchester não tem nada de mambembe. Ao
contrário dos times brasileiros, as equipes inglesas sempre tiveram uma
administração profissional. Já eram gerenciadas como empresas confiáveis;
portanto a transição para o mercado de capitais transcorreu sem
sobressaltos.

Todo esse vigor financeiro atraiu grandes investidores. Recentemente o
empresário americano Malcolm Glazer, dono do time de futebol americano Tampa
Bay Buccaneers, comprou 70% das ações do clube. Mas as chances de ele fazer
uma oferta pelo restante das ações é para lá de remota. Além de acionistas,
os minoritários do Manchester são torcedores fervorosos e contam com o
governo inglês como aliado. Glazer, imagina-se, não compraria essa briga.



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SEU MADRUGA
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Registro: 10/03/2006
Local: SETE LAGOAS - MG - Brasil
Idade: 37 anosSexo Masculino  Aniversário em 10/7
 Postado em 29/09/2006 8:19:00 PM

UAU!!!

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Lord Avacoelhado
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Registro: 29/03/2009
Local: Santa Luzia - MG - Brasil
Idade: 30 anosSexo Masculino
 Postado em 27/09/2009 1:46:00 PM

Kuanta Coisa...\o/

Deu preguiça de ler

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Careca Americano
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Registro: 26/06/2011
Local: Belo Horizonte - MG - Brasil
Idade: 76 anosSexo Masculino  Aniversário em 8/7
 Postado em 31/05/2013 9:33:00 AM

Perdão. Postei no tópico errado.
Leiam no tópico "Dívida dos Clubes"

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