Qual é a função do Candomblé?????
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Tópico: Qual é a função do Candomblé?????
Tata Toindé
Membro Pleno

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Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 28/07/2005 3:04:00 AM

Caros manos, Mukuiú....

Venho trazer a este fórum uma questão que muito se faz presente em minhas reflexões sobre nossa religião, mas como eu sei que bem poucos aceitariam, nunca falei muito sobre ela.
Trago a vocês para que debatamos sobre a mesma.

De uma forma mais sutil, podemos encarar religião, como sendo uma forma que o homem encontrou para louvar suas divindades ou sua divindade.

Além disso, temos encontrado bons trabalhos desenvolvidos em outras religiões dos quais tentarei ressaltar algumas coisas.

Quem teve a oportunidade de estudar a filosofia da religião Espírita Kardecista, vê que seus conceitos auxiliam o adepto em seu desenvolvimento moral. Trabalha o perdão, o Amor ao próximo e ensina de uma forma sutil que cada homem é responsável pelos seus atos, incentivando seus adeptos a melhorarem suas atitudes consigo mesmos e para com o próximo. Além do auxílio espiritual, existe o auxílio sentimental, pois o kardecismo recupera muitas pessoas que sofrem de muitos males, sejam eles de natureza psíquica, emocional ou social.

Apesar de ter uma certa aversão à forma pelo qual a igreja protestante conduz sua ideologia, não posso deixar de lado que tal instituição tb recupera pessoas. Eles se mobilizam para fazerem orações em presídios e sempre está disvirtuando pessoas do caminho errado. Conheço muitas pessoas que abdicaram de vícios e adquiriram um comportamento menos nocivo a si mesmo e a seu meio social.

As religiões de natureza oriental, através de seus estudos adquirem o conceito de equilíbrio e suas mensagens chegam ao coração do homem com o intuito de promover o crescimento tanto espiritual como moral.

Mas e o candomblé???????

Qual é a filosofia que o candomblé adota que auxilia no crescimento pessoal de um indivíduo?
Será o candomblé apenas uma religião pática ritualística??

Sei e confio em seus trabalhos, em suas oferendas e já vi muita gente conseguir muito com as mesmas, mas a questão é no desenvolvimento do ser humano.
Por exemplo:
Uma vez abri uma discussão com meu pai acerca do assunto.
Uma pessoa de nosso convívio, que tem um conportamento não muito exemplar (pois vive em botecos, é dádo à bebida, à brigas e etc) não estava sentindo-se bem e foi até a mesa de jogo do meu pai. Meu pai constatou que o mesmo estava sob a influencia de espíritos obcessores e passou para ele um sacudimento. Após fazer o sacudimento, realmente ele estava bem melhor, dava pra perceber nitidamente a mudança, mas eu sabia que isso não iria durar muito, pois logo ele iria voltar a praticar as mesmas atitudes.
Então perguntei-me: Porque dar o peixe se seria muito mais fácil ensinar a pescar??
Vejo nos adeptos do candomblé uma preocupação enorme na questão da posição social (ou hierárquica) no culto. A hierarquia acaba por promover a diferença e não a União (na maioria dos casos). Começa a desenvolver um sentimento de superioridade e já vi muitos que estão no candomblé mais para adquirir seu cargo do que louvar a divindade.
Logo questiono:
Onde está amigos, a "caridade" sentimental no candomblé???
Pq que nossa religião não auxilia o proximo e a nós mesmo, se num for através de um trabalho ou uma obrigação????
Se o corpo abriga a divindade, pq q o candomblé incentiva mais a destruição do mesmo do que as outras religiões??
Desculpe a abordagem, mas o que acham de debatermos tal assunto??

Kandandu

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Ilma
Membro Iniciante

Postagens: 31
Registro: 20/07/2005
Local: Salvador - BA - Brasil
Idade: 60 anosSexo Feminino
 Postado em 28/07/2005 10:16:00 AM

Mukuiu, primo

Estou estendendo nesse momento as minhas mãos pra vc,já que nossos pensamentos trilham o mesmo caminho, eu há tempos venho pensado sob esse aspecto dentro da nossa religião, porém estou ainda me educando a escrever pensamentos onde gostaria e me sentiria mais à vontade conversando cara a cara.
Então, vou fazer uma tentativa de exteriorizar o qie penso e sinto a respeito.
Quando nos sentimos assim meio deprimidos, meio tristes, meio sem chão, onde vamos buscar conforto e de que forma?
Vamos ao Terreiro, sentamos no barração e aí?
Então vamos procurar nosso Tata ou Mameto conversamos muitas vezes sem saber como exteriorizar o que estamos sentindo no momento, e aí vamos ao jogo, chega lá não tem nada. Como conseguir conforto?
Quando assistimos uma reunião de evangelização num centro espírita, é uma reunião de ensinamentos, sentimos algo confortável, palavras nos atingem sem que exteriorizamos nossos problemas.
Quando assistimos uma missa por exemplo, também somos atingidos por algum tipo de conforto também sem precisar dizer nada.
E lá no Terreiro, o que é feito para que eu sinta também esse conforto sem ter que exteriorizar o que estou sentindo?
É verdade que quando estamos trabalhando em prol de alguem, sintamos esse conforto, porém as vezes não é o que estamos precisando, não é o trabalho agora que vai nos confortar. O que fazer? A quem recorrer?
Acho que podemos ter algumas alternativas. Que tal fazer-mos reuniões periódicas para esse fim em nosso terreiro?
Vamos nos iluminar primo.
Que a luz maior de Zambiapungo se faça presente em nós para esse fim.

Bjs, Ilma

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Makota Lembanilé
Membro Junior

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Registro: 21/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 41 anosSexo Feminino
 Postado em 29/07/2005 10:42:00 AM

Irmãos

Já participei de reuniões destas já citadas... relamente são bem confortáveis. Também, já realizamos, eu e Toidé, há tempos um trabalho chamado ACE-Auto-Conhecimento Espiritual... vimos as trasnformações acontecerem na nossa frente. Pessoas cheia de ódio (literalmente) alcançando o perdão, a compreensão, o amor ao próximo, sem esperar o mesmo retorno... Vimos que aqueles encontros ajudaram muito, tanto aos participantes como aos organizadores.

Seria ótimo implantar reuniões nos nossos barracões, mas será que isso não deixaria a cabeça de alguns adeptos mais complicadas do que já são?



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Tata Toindé
Membro Pleno

Postagens: 239
Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 31/07/2005 3:20:00 PM

Caros Panjis....
Mukuiú.....

Entendo e concordo com todos vcs acerca do que postaram....
Mas implementar uma outra cultura dentro do candomblé seria efetuar uma transferencia de uma essencia para outra completamente diferente (no caso de reuniões de natureza Kardecista no candomblé).
A questão que propus não foi a de implantação, mas sim de investigarmos e respondermos a pergunta:
Em que ponto, nosso candomblé auxilia o desenvolvimento moral e evolutivo em seus adeptos??

Reintero que não questiono a validade de nossa religião, tanto que faço parte dela, apenas percebo que a mesma se preocupa mais(através dos seus rituais de oferendas, ebós e etc) com os resultados práticos e não com a busca e a conquista por nossos méritos.
Temo que isso "vicie" um adepto a esperar sempre que os resultados venham ao seu favor mesmo que não exista o merecimento, pois esta espectativa pode também trazer decepção.
Conheço um caso em que um adepto amigo meu e de uma outra nação, fez um trabalho para conseguir um emprego pois estava desempregado e o seu Pai de Santo disse que aquele trabalho resolveria a situação dele.
Acontece que o adepto fez o trabalho e não conseguiu o emprego que queria. Mas vejam só: Esta pessoa era apenas alfabetizada, não tinha interesse algum em continuar os estudos (mesmo tendo aparecido quem se oferecesse a pagar), não tinha nenhuma outra habilidade que expandisse suas opções no mercado de trabalho e não aceitava ser subordinado a ninguém.
Nenhuma divindade seria capaz de ajudá-lo sem que ele próprio se ajudasse.
Mas talvez, ele nem tivesse a consciencia disso.
E porque nossa religião também não desenvolve, em seus trabalhos, este papel?????????
Depois decepcionado, partiu para uma outra religião (da qual acredito que todos já sabem qual é, rs) e de lá, ele não espera nada, pois ele mesmo diz hoje em dia: "Eu peço muito a Jesus forças para que eu possa ter todos os dias disposição para lutar contra o mal do cansaço e da desistencia, pois isso é o DIABO me atentando, e meu AMADO SENHOR me dá forças para não desistir de meus estudos, pois só assim conseguirei progredir."
Neste semestre que se findou agora, ele concluiu o ENSINO MÉDIO supletivo e já está motivado a estudar para ingressar no curso de ENGENHARIA CIVIL numa universidade pública. Isto tudo se deu num tempo de DOIS ANOS.
Nesta outra religião ele se conscientizou de que só galgaria um degrau maior se fizesse por merecer. Aprendeu tb que para sermos subalternos, precisamos aprender a ser subordinados e por fim, motivou-se a buscar sua própria evolução sem esperar nada de natureza divina a não ser força para lutar em prol de sua busca.
Por isso, amigos, é que questiono: Pq nossa religião não desenvolveu este papel???
E infelizmente, nós sabemos que este caso não é isolado.
Encontramos constantemente quem fale "Venha aqui que resolvo tudo!" mesmo sabendo que certas coisas não acontecem desta forma.
E então??????
Onde está, em nossa religião, esta proposta de desenvolvimento social, moral e sentimental????
Aguardo respostas.
Jindandu

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Kaia
Membro Iniciante

Postagens: 13
Registro: 27/07/2005
Local: RJ - RJ - Brasil
Idade: 32 anosSexo Feminino
 Postado em 08/08/2005 11:49:00 PM

Mokoiu a todos!
mt interessante esse tópico lançado por nosso mano Tata Toindé!
Eu concordo com panje Ilma. Acho q podemos praticar o Candomblé,mas tbm acho q periódicamente podemos aprender um pouco sobre o espiritismo,sabendo como separar um do outro.Em minha inzo,fazemos essas reuniões,q são mt interessantes,para quem quer aprender.
Respondendo ao panje Tata Toindé, acho q a nossa religião ensina para aqueles q a procuram de coração,pois estes vão em uma inzo, escutam o q tem q escutar,fazem o q tem q fazer, e guardam o q aprenderam. Por exemplo,no caso q o panje citou,sobre o sacudimento, o filho q passou por tal,se tivesse procurado a religião de coração,teria aprendido a ñ dar mais aberturas para os espíritos obcessores,e a ñ correr riscos. Mas se esse filho foi a procura de religião simplesmente,por ir... com certeza ñ dará importância a isso.

Kandandu

Kaiá


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Tata Toindé
Membro Pleno

Postagens: 239
Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 13/08/2005 12:29:00 AM

Querida mana Kaia

Concordo plenamente com sua explanação e agradeço a participação no tópico.
Fico feliz em encontrar pessoas que vejam a religião tal como vc vê.
Essa evolução promove uma visão mais humana de nossa cultura.
Mas o problema é que vc tem esta visão, assim como nossa mana Ilma e Makota lembanile, mas veja o que vc postou:

Por exemplo,no caso q o panje citou,sobre o sacudimento, o filho q passou por tal,se tivesse procurado a religião de coração,teria aprendido a ñ dar mais aberturas para os espíritos obcessores,e a ñ correr riscos. Mas se esse filho foi a procura de religião simplesmente,por ir... com certeza ñ dará importância a isso.

Como disse, concordo com a postagem acima, mas a questão é justamente essa.

Se a pessoa que procura uma casa tem este pensamento, ele vai cumprir, se tem amor ele vai seguir a fundo os ensinamentos, mas e se a casa não tem esta ilosofia???
O que adiantará o amor e a dedicação do cliente??

O que questiono é o fato de não termos uma filosofia de cosncientização dentro dos nossos candomblés.

Esta filosofia, buscamos por fora, em outras culturas, tal como o kardecismo.
E no candomblé??? onde ela está??

Abraços


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Ilma
Membro Iniciante

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Registro: 20/07/2005
Local: Salvador - BA - Brasil
Idade: 60 anosSexo Feminino
 Postado em 14/08/2005 6:58:00 PM

Mukuiu à todos,

Estamos em reflexão, breve posicionaremos.

Saudações,

Ilma.


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Dandarê
Membro Pleno

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Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 25/08/2005 11:50:00 PM

Mimenekenu Jipangi


Creio que pelo meu jeito de ser, (de agir e de falar) sempre encontro alguém para me perguntar: “a Senhora é Evangélica”? ou então, “a Senhora é Kardecista”? As vezes também me perguntam se eu faço parte do Apostolado de Nossa Senhora, etc etc. Interessante é que nunca me perguntam se eu sou do Candomblé. E quando entre amigos , desde que fui feita, eu dizia que era do Candomblé, todos pensavam que era gracejo ou que eu estava fazendo “gênero”.

Com isso quero dizer que me parece que algumas pessoas não imaginam os seguidores do Candomblé como alguém religioso, conhecedor e também seguidor do Evangelho de Jesus, e que seja capaz de dizer palavras de soerguimento moral quando necessário.

Penso também que pelo que estamos conversando, parece que nem mesmo os nossos próprios irmãos conseguem ver o Candomblé como uma Religião que também tem o que responder como lenitivo, bálsamo, conforto nos momentos que sentimos nos “faltar o chão”.

Os Evangélicos, os Kardecistas, os Católicos, os Messiânicos, enfim, em todas as religiões os seus adeptos têm seus livros, de onde tiram seus salmos, suas rezas, suas palavras de conforto, de fato isto é verdade. Mas, nós temos nossos Malembes e Angorossis, cujas palavras são rogativas poderosíssimas porque sempre foram repetidas em momentos de graves necessidades pelos nossos ancestrais. A mais conhecida de nossas rezas, acredito que seja o Caiango e é de uma força incrível para nos aproximar dos Minkissi. É uma invocação a todos os nossos Minkissi mais antigos, a todos os elementos da magia, e aos nossos antepassados, em especial aos de nossa raiz.

A irmã Ilma pergunta, como conseguir conforto. Veja bem minha querida irmã, não tenho a pretensão de lhe ensinar, apenas quero passar-lhe algo da minha experiência pessoal e que costumo passar para todos os irmãos que se acercam de mim com pergunta semelhante.

Em primeiro lugar, costumo lembrar que antes de tudo somos filhos de Deus criados para a felicidade eterna e fadados à perfeição, logo todas as adversidades e infortúnios são passageiros, por mais distúrbios que nos causem.

Em verdade, todos os Dirigentes de Terreiros deveriam ter essa consciência e passa-la aos seus filhos, mostrar o que diz os nossos Angorossis e os nossos Malembes.

Quando me entristeço, quando me falta o chão sempre eu choro. Não me julgo uma pessoa fraca por isso, choro por neceessidade de desabafar, faz parte da minha natureza. Quando tento dissolver a dor do meu coração em lágrimas, logo penso em minha Mãe Dandalunda e podem acreditar: eu a sinto, eu a vejo e a simples sensação da sua presença ou do meu pai Gomgobira já me traz serenidade para pensar como vou resolver.

Recentemente atravessei momentos de profundas dores, moral e carnal e pude contar com ajuda quase material do nosso pai Lembá. Aparecia para mim em sonhos e até na minha sala de visitas. É uma historia pessoal de imensa fé e coragem.

As vezes sinto uma vontade de comer chocolate (do qual não gosto), aí já sei que é a minha Cafioto que está me trazendo um pouco da sua alegria. As vezes ouço Boiadeiro tirar uma zuela relativa ao problema, me animando, sinto o cheiro do charuto dele; as vezes sinto um vento quente me envolver e um cheiro de mato, já sei que é Matamba que vem apressar a solução; as vezes sinto um gosto de malaçada na minha boca (quase nunca como carne vermelha), já sei que Sultão das Matas que vai tirar um ebó para eu arrear.

Quando é muuuito difícil a questão e foge ao meu alcance a solução, não pestanejo, corro para meu pai Kitembo e entrego nas mãos dele. Algumas vezes o vento sussurrou ao meu ouvido, “calma, eu estou aqui”. Aí eu sempre adormeço e sonho. Quando acordo nem sempre me lembro do que sonhei, mas a minha alma já está em paz. As vezes aparecem pessoas repentinamente que me dão “sinais” do que devo fazer.

Quando comparei certa vez as “minhas soluções” com as de alguns irmãos que estão sempre angustiados meu pai me disse: minha filha repare bem; todas as suas obrigações estão sempre “em dia”, você sempre obedece as minhas orientações, está sempre disposta a perdoar ou a relevar as falhas de todos, as minhas e as de seus irmãos, você está sempre tentando resolver da melhor maneira, com honestidade, positivamente, então você está sempre conectada com os Minkissi e consegue ver a influencia positiva deles mesmo nas tragédias, por isso você é também Ouro da Samba! – Sem duvida foi um grande elogio.

Creio que ele tentou me dizer que a minha atitude mental favorece a sakulupemba realizada no invisível. Mas as vezes eu preciso arrear algum ebó para solucionar as questões e este é o privilégio de nossa religião, além de tudo temos a MAGIA.

Portanto, se não há uma razão aparente para nos sentirmos sem chão, é bom ver como estão as nossas obrigações, as obrigações do Terreiro do qual fazemos parte, são coisas fundamentais. È sempre bom também fazer uma avaliação médica para ver como está o nosso sistema neuro- vegetativo. Uma menopausa ou uma andropausa causa transformações tão grandes em nossos nervos quanto a puberdade.

Ilma querida, meu pai lhe manda um grande abraço e recomendações a Mametu Edna.

Esta postagem está iniciada a alguns dias e você mano Kambandu ainda não tinha postado "O que questiono é o fato de não termos uma filosofia de cosncientização dentro dos nossos candomblés", por isso preciso acrescentar: talvez não com esse nome "Filosofia de Conscientização", mas os Terreiros que conheço após os Angorossis os Dirigente ou a Makotas, ou as Mametus Ndenges (como no meu caso) esclarecem, explicam o que a nossa religião para os Muzenzas . Bem verdade que lá em casa, com essa forma didática, de fato é coisa recente. No Viva Deus e no Viva Deus Filho é coisa antiga!!!

Jindandu
Dandarê







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Ilma
Membro Iniciante

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Registro: 20/07/2005
Local: Salvador - BA - Brasil
Idade: 60 anosSexo Feminino
 Postado em 26/08/2005 10:06:00 AM

Mukuiu mana,

Vc nos deixou preocupados, tanto eu quanto o Toindé pela falta de noticias. Que bom que apareceu e bem. Obrigada pela elucidação, certamente envolverá à todos. Um abraço e recomendações ao Sr. Passinho.

Que a luz de Nzambe se faça sempre presente para vc e todos que a cercam.

Saudades,

Ilma

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Dandarê
Membro Pleno

Postagens: 210
Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 26/08/2005 1:21:00 PM

Prezado Mano Toindé

Volto para articular exclusivamente sobre o que você diz:

Mas e o candomblé??????? Qual é a filosofia que o candomblé adota que auxilia no crescimento pessoal de um indivíduo?
Será o candomblé apenas uma religião pática ritualística??


Mano, a prática ritualistica é feita em nome dos deuses nos quais acreditamos e dedicamos a nossa FÉ.

A mesma Fé vale para qualquer outra prática ritualistica de outra religião. Por exemplo, a prática ritualistica da Comunhão durante a Missa! se você não CRÊ, se você NÃO ACREDITA que Jesus está na hóstia e que vai para o seu coração não tem Comunhão!!!!

Se você não COMUNGA com os mesmos ideais dos nossos Antepassados não adianta praticar os rituais mano! É com as práticas ritualisticas que vamos crescendo! vamos ganhando forças em nosso corpo e o nosso cérebro vai captando as energias necessárias para o crescimento da cognição (CAPACIDADE DE ENTENDER, DESENVOLVIMENTO DA INTELIGENCIA QUE É UM ATRIBUTO DO ESPÍRITO). Se você não abre o seu coração, não expande a sua compaixão para entender aceitar que a vida dos animais e das aves do Orô estão sendo imoladas em troca da sua própria vida, do seu crescimento, progresso moral e intelectual, você não alcança a razão de todo aquele ritual mano!

AS PRÁTICAS RITUALISTICAS DO CICLO INICIÁTICO E AS REALIZADAS APÓS COMPLETADO O CICLO COM O INTUITO DE FORTALECIMENTO, SÃO TODAS PARA AUXILIAREM NO SEU CRESCIMENTO INDIVIDUAL COMO PESSÔA!!!! Agora, aprender a ler, galgar um bom emprego que dependa de graduação, são ESFORÇOS PESSOAIS que você pode contar com o auxilio das práticas ritualisticas para realizá-los.

Você não pode pleitear a função de um Médico, fazer um ebó nessa intenção sendo um técnico qualquer. Você tem que ser formado em medicina. Agora se você foi um estudante de medicina medíocre, mas conseguiu se formar e pleiteia o emprego de Médico numa vaga para Médicos, é possivel sim, que você consiga alcançá-lo com o auxilio de um ebó e não porque você foi o mais preparado.

Costumo dizer, e acredito que muitos me apoiarão, que só se ENTRA NO CANDOMBLÉ depois de 7 anos; assim, você só entra nesta FILOSOFIA depois que você cumpre todo o seu ciclo iniciático. Apesar de se dizer que Kambono já nasce grande, você sabe que tem grande diferença de um para outro quando a questão é o tempo de feitura do santo.

Você não pode esperar que uma tradição de 6.000 anos contenha Filosofia, normas de comportamento para crescimento individual como pessôa, sentido explicito de religiosidade etc. etc...com a mesma semântica que usamos hoje em dia!!! Por outro lado não se pode dizer que tal tradição não as contenha; é apenas uma questão de análise e interpretação filosófica. Sempre lembrando que para interpretarmos a tradição africana, temos que nos revestir de cultura negra e lançar um "olhar negro" sobre todas as coisas. Temos que olhar as águas dos rios, das lagôas, dos mares com mesmo olhar que eles têm sobre tais elementos; temos que vê-las como mitos, como deuses, como parte de tudo inclusive de nós mesmos. É apreciando-as que encontramos profundas lições e importantes respostas para tudo mano!

Ver e não enxergar, É O PREÇO QUE PAGAMOS POR ADOTARMOS UMA RELIGIÃO ÉTNICA E SOMENTE A OLHARMOS DO ALTO DE NOSSAS CABEÇAS CHEIAS DE CULTURA OCIDENTAL!!!

Não respeitamos os elementos (água, fogo, ar, terra), não o compreendemos, não o reverenciamos como prevê a nossa religião!!!

Para finalizar, eu trago a sua pergunta "Qual é a filosofia que o candomblé adota que auxilia no crescimento pessoal de um indivíduo?" , para respondê-la assim:

O CANDOMBLÉ ADOTA A FILOSOFIA DE ZAMBI: faz a sua parte que EU te ajudarei

Este é um dos ensinamentos mais simples, mais puro, real, honesto e o mais verdadeiro! pois vem desmistificar o paternalismo religioso, (que deixa tudo por conta de Zambi: Deus quis assim, Deus quer assim...) nos colocando de frente para nós mesmos, afirmando: VOCÊ É PROBLEMA SEU.

Portanto agradeça sempre o que vem ao seu encontro, pois a mão do outro sobre a sua ferida é gesto de misericordia pelo amor que o seu semelhante tem por você! - não tem nada a ver com você merecer ou não. Se ele lhe vê padecendo e não lhe estender a mão, o que acarretará para si é problema dele!!! É para agirmos com esta segurança e dignidade que temos tantos atributos que nos distanciam da irracionalidade. É preciso fazer valer o que somos, o que recebemos do Criador e raciocinar, refletir, meditar...assim, desenvolvemos a nossa INTUIÇÃO e fazemos contacto direto com a centelha divina que temos dentro de nós... é aqui dentro que está o que precisamos. Outras leituras são meramente COMPLEMENTARES.

A FILOSOFIA DO CANDOMBLÉ é a da NATUREZA, pois ela já havia mesmo antes de existir como disciplina de cadeira científica: Senta debaixo de uma ávore e tenta ouvir a voz do silencio. A resposta está sempre lá, dentro de você e não fora, nos livros.

Nos acostumamos a ver apenas o mundo das formas, a ouvir apenas os que gritam, a sentir apenas o que nos fere, a nos transportar apenas através de veículos! ESQUECEMOS DE PENSAR!!!!! Esquecemos de filosofar!

Por isso não entendemos o Candomblé como religião, por isso não alcançamos a sua filosofia. Esquecemos que o negro africano também é oriental, que a religião que nos foi legada também é oriental!!!! Por que não a comparamos ao TAO? ao BUDISMO, ao CONFUNCIONISMO? Por que não a comparamos ao Cristão Hebraico e somente ao Cristão Romano?

Está na hora de rever certos principios...

Jindandu

Dandarê


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