Jeje, ou Nago-Vodun ?
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Tópico: Jeje, ou Nago-Vodun ?
Tata Obalumbi
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 Postado em 22/07/2005 8:51:00 PM

Mokoiu a todos.


Jeje, ou Nago-Vodun ?



Nago-Vodun, como o próprio nome indica, é uma modalidade de candomblé com elementos conjuntos, Jeje e Ketu. Foi uma maneira criada para que as práticas complexas do ritual Jeje não se tornassem esquecidas pela força da mídia que via nas casas de candomblé Ketu, ou Nago o melhor exemplo de culto africano aqui instalado.

Essa fusão de crenças não se deu no Brasil, exatamente. Já havia ocorrido em África. Eram povos vizinhos próximos, e nos mapas atuais podemos verificar um traçado vertical que delimitou os dois países a partir de 1885 através de um tratado político. Como conseqüência, algumas cidades nagôs ficaram localizadas em território do que é hoje o Benin, e a outra com a República da Nigéria.

Esta vizinhança permitiu um sincretismo cultural-religioso entre os dois, facilitado pelas guerras e capturas de escravos, a convivência de vida e o casamento com mulheres prisioneiras. A assimilação entre Vodun e orixá surgiu aí e foi trazida na lembrança pelo tráfico escravo.

O Jeje teve dois importantes centros, Bahia e Rio. Na Bahia, mais precisamente em Cachoeira e Salvador, a titularidade seguiu o sistema matriarcal, ou seja, sempre dirigido por mulheres, cuja denominação possuía variantes de acordo com a iniciação que seria feita. Doné, Mejitó e Gayaku, esta última com a finalidade de definir as iniciações de orixás dos candomblés Ketu, validando a expressão Nago-Vodun.

No Rio , o candomblé Jeje teve seu desenvolvimento a partir de 1874, através de Rozena de Besen, e logo depois por Mejitó, que se permitiram uma fidelidade ao princípio matriarcal de liderança. Em 1930, vem para o Rio, Antonio Pinto de Oliveira, mais conhecido por Tata Fomutin que viria a ser o precursor do Jeje-baiano, dando início a uma extensa família entre filhos, netos e bisnetos de santo. Iniciado em 1912, em Cachoeira, e como os demais baianos que aqui se instalaram, não seguiu a titularidade matriarcal, pois ele mesmo foi uma primeira exceção masculina. A denominação de Doté para definir um cargo masculino viria a ser popularizada mais tarde.

Iniciado em 1912, em Cachoeira por Maria Ogorinsi, numa estrutura toda identificada com as mulheres, e por morar em Salvador, afasta-se e busca conhecimentos no Engenho Velho. Seu orukó, ou seja, seu nome iniciático era Os un Deyi , uma expressão yorubá como seria também, a de seus futuros filhos. Isto, talvez, explique a razão de seus iniciados terem orixás e orukó segundo as tradições do candomblé ketu. Fomutin teve o mérito de lembrar esta ajuda denominando seu terreiro no Rio de Kwe Seja Násò, em homenagem à Iyá Násò, a matriarca absoluta do candomblé do Engenho Velho.

Posteriormente, tudo viria a ser corrigido após sua morte, fortalecendo o conceito do ritual Nagô-Vodun. Os filhos por ele iniciados passaram a substituir os nomes recebidos por expressões Jeje e o Ori s ás feitos, “assimilados” aos Voduns. E isto vem sendo observado atualmente. Pessoas iniciadas para Osoo si , com vestimentas, comidas, cores e símbolos de Osoo si, mas dizendo-se de Gagaotolu; Os um tornou-se Aziri Tobosi , mas continuou o comer o Omolokum, a usar o abebé, o adê com o chorão, uma tradição eminentemente yorubá. Omolu passou a ser Azansun. Se no original a palha-da-costa era de cor natural, passou a ser tingida de vermelho. Xangô tornou-se Badé, Sogbo ou Akorombé. Mas comendo Amalá, usando o oxê, coroa e outros símbolos do orixá yorubá.

Diante deste quadro, algumas questões são inevitáveis. Afinal, Vodun e Ori s á possuem os mesmos atributos? São as mesmas divindades com nomes trocados? Já foi afirmado que os Inkises da nação de angola seriam os mesmos Orisás yorubá com outras denominações. Seria a mesma coisa com determinados Voduns do Jeje? Acreditamos que os Voduns tenham suas qualificações e atitudes próprias, mas que diante destas “assimilações”, a identidade cultural que possuem venha sendo perdida. Esta pode ser uma idéia para investigação profunda entre os estudiosos identificados com os candomblés Jeje.

Profº José Beniste



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kandandu
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