O QUE ACHAM MANOS, DA PREVALENCIA NAGÕ EM TERREIROS DE ANGOLA/CONGO?
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Tópico: O QUE ACHAM MANOS, DA PREVALENCIA NAGÕ EM TERREIROS DE ANGOLA/CONGO?
Dandarê
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 Postado em 27/02/2006 9:07:00 PM

Vaana Mbote

Se o que vale é o que tem registro... aí vai um bom registro, que destaquei e selecionei do livro ÒRUN ÀIYÉ – O Encontro de Dois Mundos, da autoria de José Beniste, edição de 1997, Editora Bertrand Brasil. O valor desse livro é que o mesmo foi elaborado a partir de uma pesquisa “in loco” do escritor, e não de retalhos de outras literaturas.

A minha idéia é facilitar o estabelecimento de comparações, entre o que aqui é realizado e os vestígios históricos do que foi e do que, porventura, ainda seja realizado na terra de origem.

Vejam os 12 itens que selecionei que selecionei:

1)O culto a Ibéji, que determinava a morte de um dos gêmeos, por julgarem um fato anormal, foi abolido.

2)Os cortes feitos no corpo, nos ritos de iniciação, foram substituídos por marcas de tintura de efun e riscos que lembravam a tradição da família real de Oyó.

3)Todos os ritos seriam internos, no âmbito do Terreiro, abolindo as procissões aos lugares sagrados como na África.

4)O local de culto (Candomblé) seria centralizado como culto a todos os Orixás e o seu dirigente conhecedor de todos esses cultos.

5)O numero de Orixás cultuados seriam limitados às exigências da nova terra. (Importantíssimo!é uma prova de que grande maioria não atravessou o oceano!!!!)

6)Rituais específicos, que eram realizados em terras yorubá e ligados às tradições de cidades, foram revistos e criados outros como ipadê, ipeté, lorogun, olubajé, e, aqui, concentrados em um único local.

7)O culto de iniciação ao Orixá passou a ser individual e sem a noção de família biológica, criando assim a família-de-santo. O transe de expressão substitui o transe de possessão.

8)A utilização do oxu como marca que distingue o iniciado, substitui todas as outras formas utilizadas em terras africanas, yorubá, como por exemplo, o oxu representado por um tufo de cabelos deixado no alto da cabeça raspada, nos eiruais de Sángó.

9)Substituição dos animais para os ritos de sacrifício e folhas litúrgicas, por outros similares brasileiros.

10)A participação de homens na iniciação seria apenas na qualidade de Ogan, o que não daria direito à manifestações de Orixás e participação na roda de candomblé. Este pensamento visou impedir a tendência do homossexualismo no candomblé ora organizado. Caberia somente às mulheres, a participação nas danças e rituais.

11)Readaptação dos dias da semana yorubá, de 4 dias para a semana ocidental de 7 dias, inserindo os Orixás para cada dia e o ritual do amalá para as quartas-feiras. (Importante porque define a questão; muitos acreditam que tais determinações foram aleatórias, estabelecidas ao longo dos anos pelos Zeladores.)

12)A definição dos 16 búzios, Merindilogun, como forma de consulta , em detrimento à outras formas mais tradicionais como o Opelé e o Ifá. Isto foi devido à sua complexidade, que obriga à inúmeras recitações em linguagem nativa. Ademais, como essas práticas eram restritas exclusivamente aos homens, e o comando religioso seria próprio das mulheres, o Jogo de búzios trouxe uma opção viável, tanto para os homens como para as mulheres. Este processo modificou o posicionamento dos odú de 1 a 16, da escala original, e os caminhos foram reduzidos para 70, o que permitia uma leitura mais simples e bem objetiva. Esta modalidade ficou conhecida como sistema Bamgbosé.

Vejam os parágrafos com os quais José Beniste fecha o capítulo:

“Todo esse processo de adaptação da religião à nova civilização teve uma seqüência lenta e de maneira não percebida graças a oralidade que se tornou a grande arma de transmissão cultural”.

Eu apenas substituiria “graças a oralidade que se tornou a grande arma de transmissão cultural”, por: graças a oralidade que sempre foi entre eles, a grande arma de transmissão cultural.

(...) “Os modelos dos rituais e a mudança dos costumes religiosos passaram a ser praticados e absorvidos pelos demais grupos africanos aqui já estabelecidos, como os angolas, congos e parte do grupo jeje, que, ao aceitar o modelo criado, passou a ser conhecido como nagô-vodun.”

“Em todos eles, a dinâmica do culto se assemelha: vestimentas, paramentos e ritos, diferenciando-se pela linguagem original de cada grupo, como forma de identidade étnica. Inegavelmente, os Yorubá deram o modelo do culto africano no Brasil, sendo imitado pelos outros aqui instalados e já esquecidos de suas tradições.”

Passados tanto tempo desde a fundação do primeiro candomblé ketu, organizado e estabelecido de acordo com os ditames da revisão efetuada pelas princesas negras sacerdotisas de Sangò e de seu colaborador Bangbosè, observa-se que todo o culto se desenvolveu até hoje com a prevalência nagô.

Não há registro, pelo menos à disposição do público, do que de fato ocorreu.

Por isso nos perguntamos:
Será que houve imposições?
Será que os bantus concordaram com a prevalência dos ritos yorubás?
Ou será que os bantus, de índole mais reservada, mais calada, levaram consigo para o Além os preceitos do angola/congo, deixando que a linguagem e o ritos yorubás prevalecessem no culto afro-brasileiro?
Mas, quem sabe, talvez a liturgia da religião carregue no seu bojo uma perfeita equivalência, que em nada ofende os Orixás, Minkici e Vodunces, ficando apenas a linguagem como identidade étnica...

Seja o que for que aconteceu, fato é que, por desinformação, orgulho ou vaidade, existe uma critica constante, as vezes explícita, as vezes velada, contra o candomblé de angola, por parte de alguns adeptos do candomblé Ketu.

Sabemos que a milonga é uma decorrencia natural em todos os terreiros. Mas, o sincretismo tambem foi uma decorrencia, até o dia em que resolveram retirá-lo. Houve uma verdadeira guerra contra Mãe Stela que levantou a bandeira com determinação.

Por tudo que aqui expus eu pergunto: O QUE ACHAM MANOS, DA PREVALENCIA NAGÕ EM TERREIROS DE ANGOLA/CONGO?

EME NGANDALA KIBUKO, KUZOLA NI UAMA KU MUXIMA UÊ UM KAIELA O NJILA IONDO A KU BANGA KUKULA NGUZO.
(Eu desejo felicidade, amor e sabedoria em teu coração para seguir o caminho que te fará crescer forte.)

Aguardo a opinião de todos.

Dandarê


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