UM OLHAR SOBRE O CANDOMBLÉ
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Tópico: UM OLHAR SOBRE O CANDOMBLÉ
Dandarê
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 Postado em 13/12/2005 10:05:00 AM


Mimenekenu jipangi

Acrescento este texto que encontrei na internet no site http://opoaganju.tripod.com/historico.htm. Não diz quem é o autor e não há titulo. Mas eu coloquei um: UM OLHAR SOBRE O CANDOMBLÉ. Além disso, eu também adicionei alguns comentários(em azul)

"É preciso que reconheçamos e respeitemos as diferenças regionais do Candomblé brasileiro, mas devemos também separar as coisas. O Candomblé Ketu tradicional não cultua pombagira, que é uma entidade comum nos terreiros do Rio de Janeiro e de São Paulo, muito provavelmente por influencia da Umbanda, de onde provem grande parte de seus fieis na região Sudeste. Convém desfazer a confusão entre Exus (entidades) e Exu (Orixá). Os primeiros que muitas vezes possuem nomes que ressaltam características negativas e assustadoras,(...),são entidades que devem ser respeitadas, que tem seu valor, mas que não pertencem,
de fato, ao Candomblé, cabendo à Umbanda (ou a quem as cultua) explicar suas origens e funções "...
( L. Candomblé A Panela do Segredo-84)



Odé Kayode – Mãe Stella de Oxossi , em 1983, dizia: "Iansã não é Santa Bárbara", e explicava. Mostrou que candomblé não era uma seita, era uma religião independente do catolicismo.

A represa foi quebrada e as águas fertilizaram os campos quase estéreis da sobrevivência. O negro é livre. Veio da África, tem uma história, tem uma religião igual à qualquer outra e ainda, não é politeista, é monoteista: acima de todos os Orixás está Olorum. Nina Rodrigues conta que uma vez perguntou a um Babalorixá porque ele não recebia Olorum, já que este existia. Ouvindo a seguinte resposta: "Meu Doutor, se eu recebesse, eu explodia".

Para nós angoleiros, acima do Minkici está Zambi Npungo

Agora um novo limite, uma nova configuração se instala. Neste fim de século com a corrosão das instituições religiosas tradicionais, com o surgimento de novas religiões, com as doutrinas esotéricas alternativas, o candomblé, agora considerado religião, é visto também como uma agência eficiente: resolve problemas, cura doenças, acalma as cabeças. Os brancos querem ser negros, já não se ouve "o negro de alma branca", agora o privilégio é ser um branco de alma negra, ter ancestralidade, "ter enredo, história com o Santo". Mais do que nunca as Iyalorixás e Babalorixás se questionam. Como também as Mam´etus e Tat´etus riá Nkice. .

As armadilhas, os "caça-fugitivos" estão instalados. Tudo isto é transformado, por nós, em pinças para separar o joio do trigo, por isso estamos aqui. Dizendo o que somos, damos condição para que se perceba o que está posto e se entenda o suposto, o oposto e o aposto. Diferenciação é conhecimento, candomblé é religião, não é seita.

As Iyalorixás organizam as cabeças. O processo de organização do ori é awo (segredo). O candomblé é uma religião que trabalha com o segredo, o lado mudo do ser, o que a Olorum pertence. O candomblé organiza o fragmentado, abrindo canais de expressão para o ser humano.

Ou seja, Candomblé é uma palavra africana que significa "dança". O Candomblé propriamente dito é uma dança religiosa, de origem africana, na qual os iniciados reverenciam ou rezam para seus Oriþas. A dança é, portanto, uma invocação. É praticada principalmente por pessoas do sexo feminino, chamadas sambas. Homens também podem participar da dança, mas o bailado das sambas tem maior efeito invocador. A palavra Candomblé passou a designar o Culto dos Orixás.

Orixá, termo de origem africana designativo das forças cósmicas e vivas da natureza, divinizadas pelos homens primitivos, que as invocavam. Exemplo: os mares, as matas, os rios, o amor, os ventos etc. Orixá, portanto, é uma força de criação divina e uma manifestação de Olorum. A natureza é a manifestação material dos Orixás. Olorum, o Criador, é tudo: não tem representação nem fetiches. É infinito. É o Pai da criação universal. Corresponde, pois, à idéia de Deus.

Nas casas tradicionais de Candomblé não veremos Santos Católicos, esta visão é notada em Centros de Umbanda, este sincretismo religioso fazia parte dos momentos de escravidão e pós-escravista (ainda não havia Candomblé, mas sim manifestações isoladas de alguns grupos) mas havia sim um interesse por parte destes em disfarçar seus cultos, mas isto terminaria no momento onde se criava a religião Candomblé.

Não podemos confundir alguns momentos históricos os quais levaram uma parte das pessoas em disfarçar seus cultos, pois até então não havia uma organização concretizada, ou seja, candomblé como hoje conhecemos, e então dizermos que estes momentos de transição é definitivo e atual. Este momento em que os negros africanos passaram aqui no Brasil, tornou possível a origem do que hoje conhecemos como Umbanda, (o que veremos logo abaixo). Mas logo pós-escravidão os grandes pais e mães-de-santo, iriam deixar bem claro o que é Candomblé (agora já assim definido) e suas origens, deixando bem claro que cultuamos Orixás e não Santos como os dos Católicos.

É incorreto dizer que Oxala é Cristo, Yemonjá - Nossa Senhora, no Candomblé temos os Orixas e nada de Santos Católicos. Também podemos notar outros “disfarces”, no período de escravidão, como na capoeira, que escondiam sua luta alegando que é dança, mas após o fim da escravidão, todos já sabiam que capoeira era uma luta e não um bailado, mas ainda por um período sofreria perseguição, vindo a ser valorizada por Getulio Vargas, entretanto sabemos que para o leigos realizar algum tipo de comparação faz com que estes consigam entender melhor as coisas... Mas Orixas são da África e Santos Católicos não.

Tornou-se necessário praticar, treinar e organizar os movimentos conhecidos em forma de luta. Para isso era necessário afastar-se das vistas dos feitores e guardas das fazendas, engenhos e minas. Mais uma vez negro encontrou na natureza esse apoio. Entrava nos matos próximos às senzalas para se esconder e se preparar para a luta. Escolhia o mato com poucas árvores e de ramagem baixa. Essa vegetação leva o nome indígena de capoeira. Esse termo passou a designar também a forma de lutar e de adestrar o corpo utilizada elo negro para enfrentar seus opressores: a Capoeira.

Na angola atual existe o ritual do N’golo, ou "dança da zebra". "Não é capoeira, mas uma competição atlética que os rapazes da aldeia fazem para ver quem merece ficar com a moça que já atingiu a idade de casar". O N’golo virou folguedo, um divertimento praticado pêlos escravos nos domingos e feriados. Com o tempo, a prática teria se transformado em exibições de habilidade, destreza e leveza de movimentos, chegando ao jogo de ataque e defesa no século passado.

No Brasil, os escravos indefesos e oprimidos pelas armas e chibatas dos senhores de engenho se entregavam ardorosamente aos cultos religiosos e danças litúrgicas exaltando o sentido de liberdade. O ritmo bárbaro dos instrumentos da percussão, aliados aos seus cânticos acres e misteriosos, exacerba-lhes as gesticulações, exagerava-lhes os saltos, exercitava-os na ginga do corpo, dotando-os de extraordinárias mobilidade, excepcional destreza e surpreendente velocidade de movimentos numa dança estranha, até então dança das Zebras. E, no laboratório da natureza, os simples gestos se transformam em movimentos de ataque e defesa diante dos olhos de seus opressores, que apenas observam, pois dança de escravo não merecia maior atenção. Enquanto dançavam, os escravos se adestravam na arte da simulada luta utilizando-se somente das armas que o próprio corpo podia lhes oferecer : pernas, braços e cabeça.

No culto do Candomblé, ainda se mantém os ritos secretos os quais são expostos apenas aos “feitos-de-santo”. Dentro de um Barracão não se vê imagens, pois não existe louvação a estas como acontece aos católicos (Imagens de Santo). Dentro de uma casa tradicional, para os olhos comuns dos visitantes, parece que estamos em um salão vazio, mas os fundamentos também estão ali, nos lugares certos e serão utilizados nos momentos adequados.

Precisamos entretanto, lembrar que existem por ai muitos “marmoteiros” que objetivam o lucro, fugindo do caráter verdadeiramente religioso, e por isso trabalham com Santos Católicos, Espíritos de Umbanda, espíritas famosos... e o que for possível... O difícil não é entender o sincretismo, mas sim o Idiotismo destes enganadores...

Como já citado acima, Candomblé é uma religião muito seria de raiz muito forte, a tradição deve ser mantida, é necessário não misturar Candomblé com Umbanda, Santos com Orixas, o que veio da África com o que é do Brasil... Claro que algumas adaptações ocorrem, como adequar-se ao calendário por nós utilizados, sendo que os

Yorubás utilizavam um sistema de quatro dias na semana., mas a idéia de que sábado é dia de tal Orixa, por exemplo não é certo, pois como já falado originalmente usava-se um semana diferente do que a que usamos hoje... Esta metodologia é facilmente notada em centros de Umbanda, onde existe um calendário anual de festas definido de acordo com os festejos dos católicos... No Candomblé você não verá no final de ano, seu povo fazendo demonstrações na praia para Yemonja...

Eu particularmente nunca vi em um terreiro de Umbanda, um Orixa... Mesmo para as casas que utilizam-se do Candomblé e da Umbanda, sabem que as coisas não se misturam... Um momento para cada coisa, muitas vezes posso perceber que quando tem alguém visitando uma casa de Umbanda que seja filho-de-santo do Candomblé, que os povos não se comunicam, ou seja, os cânticos entoados em línguas africanas não são entendidos pelos Umbandistas em geral, os toques bem diferentes, então acredito que é mais correto dizer que não existem semelhanças entre Umbanda e Candomblé, mas só diferenças... Mas muitos fazem um Umbandomblé!!!

O Candomblé é uma religião maravilhosa, mas é preciso que a fé seja verdadeira, pois a evolução espiritual é necessária e a resposta vem com o desenvolvimento e merecimento.

"O Candomblé sobrevive até hoje porque não quer convencer as pessoas sobre uma verdade absoluta, ao contrário da maioria das religiões." (Pierre Verger)

Deste podemos extrair muitos subtemas para discutirmos...

Fiquem em Paz

Dandarê



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