A Importancia do canto e da dança em nossos cultos
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Tópico: A Importancia do canto e da dança em nossos cultos
Dandarê
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Registro: 19/07/2005
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 Postado em 16/09/2005 2:40:00 PM

SAUDAÇÕES

Perfeito Tata Jambonan. Hoje em dia , pouco se vê os ibás em prateleiras ou enterrados. Eu mesmo vi somente em uma casa em prateleira no alto. Gente muito humilde, com 10 anos de casa aberta, sempre com o cuidado de explicar que os principios deles foram assim , mas que ali era provisório e eu achando lindo!

Debaixo da terra só vi em uma casa do Amburaxó. Interessante é que me aproximei do local sem ter idéia do que havia por perto e aí me arrepiei tanto e culminou que meu Nkice manifestou-se e reverenciou. Foi rápido. Logo depois a dona da casa me chamou e me mostrou o que estava dentro de um buraco no chão. Fiquei sabendo assim, que havia ainda coisas assim. Ela me disse que pouquissimas pessoa que não eram filhos da casa tiveram oportunidade de reverenciar aquele assentamento. É muito raiz...

A propósito voces já ouviram falar em "MANTRAS"? existem muitos mantras que não se traduz, o importante é repetir os sons muitas vezes... Não sou adepta de rezar sem saber o que estamos falando, mas depois que comecei a comparar a nossa religião com outras tambem orientais, entendo porque meu pai me disse que nossas rezas menos traduzíveis, são as mais antigas e já se tornaram verdadeiros mantras.

Fiquem em Paz
Dandarê

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Tata Toindé
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 Postado em 16/09/2005 8:38:00 PM

É nesse contexto mana que acredito que o som tem um papel fundamental.
Por isso disse anteriormente que um conjunto de fonemas citados, mesmo que não entendidos formam ou modificam o complexo energético de um ambiente podendo torná-lo favorável ou não ao que se deseja.
Por isso que temos que tomar muito cuidado com o som que sai de nossa boca.
ele tem o poder de mudar a história e os destinos.
Kandandu

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Dandarê
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Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 02/10/2005 9:31:00 AM

Mimenekenu Jipangi

Manos queridos. É importante imaginarmos e analisarmos os cenários que se sucederam dos tempos dos primeiros candomblés até então... Nos primeiros cenários vamos encontrar como adeptos apenas os africanos e afro-descendentes de 1ª, 2ª, 3ª geração (geração dos excluídos da sociedade mesmo). Ora, até aí havia uma memória, havia quem se ainda se lembrava da tradição oral. Hoje somos 4ª e 5ª geração e naturalmente nos separamos dos excluídos porque na maioria já somos letrados, professores e doutores...

Ninguém mais quer fazer santo em quarto de "chão de terra", até porque a saúde pública não deixa. Tentando fugir da feitura de santo, pelas exigencias, pelos locais dos candomblés, pelo meio de gente sem educação, grosseira e etc., muitos foram tentar "driblar" os Minkici na Umbanda, nas Igrejas Messianicas e nos Centros Espíritas, como eu mesma, inconscientemente tentei . Eu vi a Casa Branca, o Apó Afonjá (antes de Mãe Stela), o Pilão de Prata, o Bate Folha, o Terreiro de Joãozinho da Goméia, antes de serem tombados!!! (sem comentários)... Os que tinham alguém como RESPONSÁVEL, estes eram muito pobres. Não havia Clientes, nem Filhos de Santo nem nada... pasou-se muito tempo assim e os descendentes letrados não tomaram providencias.

Os artistas (geralmente Filhos que não ficam dentro do Terreiro e só aparecem lá de vez em quando!!!!), mas foram eles que levantaram as Veneráveis Casas. Aí os Filhos Doutores foram se chegando novamente... e hoje a nossa geração quer saber ... muito justo.

Porem antes de mais nada, têm que conhecer a história de sua Raiz e a história pessoal do fundador de sua Raiz para poder entender. Aí vão saber que não são todas as Raizes que estão sem passado, vão saber que tem Unzó que manteve a lingua de sua Raiz com milonga porque a milonga existe desde o inicio, mas nota-se que a maioria dos termos são falados no dialeto original; que existem algumas que os unicos filhos que ficaram seguraram a bandeira de Tempo e não deixaram cair. Mas tem outras que o Fundador mudou de águas muito cedo, só ficou do Angola uma lembrança vaga e muito distante porque alguns filhos não bandiaram. Lamentavelmente esta é a verdade.

Professamos uma religião étnica, portanto, sem duvida para compreendermos o que ela contém para nos dar em termos de religiosidade, é preciso conhecer a cultura, a educação, enfim as origens daqueles que nos legou. Para alguns, o trabalho tem que ser dobrado, porque trata-se de uma tradição oral, trata-se de uma religião de magia (dinâmica pela própria natureza), e não de um conhecimento estático. Mas se a vontade é firme já se tem meio caminho andado.

Sobre os assentamentos, eu tive oportunidade de ver o assentamento de uma neta de escravos, angoleira, no fim de linha Fazenda Grande do Retiro aqui em Salvador. Ela nos disse que ela pertencia ao mesmo Nkici da sua avó materna (Oxum, não disse Dandalunda) e que tudo tinha sido feito igualzinho: a bacia e os pratos eram de louça, sendo que uma terrina de cerâmica guardava o otá (segundo ela, o da avó também era de louça, que estava em outro local do Terreiro naturalmente, e havia sido roubado da casa grande da fazenda onde ela foi escrava); no pepelê havia a talha que sustentava a bacia, dois quartinhões do lado da talha e uma quartinha menor (tudo de cerâmica) que tinha sido do primeiro Bori (ela mesma não chamou de Kibane mutuê).

Havia também moedas de cobre, de ouro, anéis de ouro herdados pela propria, de seus antepassados. Eu quis tirar fotos, mas não me foi permitido. Tudo muito simples, coberto com um pano alvissimo e ricamente bordado a mão. Ela ainda me disse que no tempo da avó dela, ela cobria com panos de listras, porém ela já preferiu o pano branco.

Vejam que apesar de manter quase tudo igual houve pequenas alterações no asentamento: os anéis, as moedas, o pano que cobre... é assim que a tradição se renova.

O pouco tempo que tenho no Candomblé (13) anos me foi ensinado pelo meu Pai de Santo que ainda está vivo, que Candomblé não se faz sozinho e não se improvisa, Candomblé se aprende e quem passa o nguzo é o Pai ou a Mãe e os "mais velhos".

Hoje eu só ouço dizerem: ah! eu fiz assim diferente porque a minha intuição mandou; ou, ah! fiz só isso porque o resto meu santo faz no invisivel; ah! eu não vou rezar tudo isso não, se não, não vai dar tempo de fazer isso ou aquilo... Como se pode obter os mesmos resultados que os mais velhos obtinham?

Fiquem em Paz.
Dandarê

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Tata Toindé
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 Postado em 22/02/2006 8:51:00 AM

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