A Importancia do canto e da dança em nossos cultos
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 Estudo Histórico-Científico das Religiões Afro-Brasileiras
 A Importancia do canto e da dança em nossos cultos
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Tópico: A Importancia do canto e da dança em nossos cultos
Tata Toindé
Membro Pleno

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Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 21/03/2005 10:37:00 AM

O papel fundamental do som



O som se apresenta nos cultos como um fator importante em sua formação. A história do povo, as lendas, a existencia e a perpetuação de nosso culto se faz existente até hoje, graças a propagação feita através da fala, através dos canticos. A identidade do culto se faz pela presença do som. Imagine como seria o candomblé se não existissem os atabaques. Imagine nosso culto sem suas cantigas que emocionam mesmo quando não sabemos traduzí-las.
A palavra se apresenta tem um poder de ação. Ignorar o q é pronunciado no decorrer de um rito, é o mesmo que amputar um de seus elementos constituitivos mais importantes e provavelmente mais revelador.
É através da palavra que o hambar (ase) é transmitido. Cada palavra proferida é única. Nasce, preenche sua função e desaparece. O símbolo semântico se renova, cada repetição constitui uma nova resultante. A expressão oral renasce constantemente; é o produto de uma interação em dois níveis: o nível individual e o nível social. No nível social, porque a palavra é proferida para ser ouvida, ela emana de uma pessoa para atingir uma ou muitas outras; comunica de boca a ouvido a experiencia de uma geração à outra. Transmite o hambar concentrado dos antepassados a gerações do presente.
A palavra é importante a medida em que é pronunciada, em que é som.
O som implica sempre numa presença que se expressa, se faz conhecer e procura atingir um interlocutor. A individualização não é completa, até que o novo ser não seja capaz de emitir seu primeiro som.
No ciclo de iniciação dos noviços, um dos rituais de fundamento é o de “abrir a fala”, que consiste em colocar um hambar especial na boca e sobre a língua do munzenza, que permitirá à voz do Nkise se manifestar durante a possessão. O Nkise emitirá um grito ou som particular que o caracterizará, conhecido sob o nome de ilá. O ilá é diferente para cada Nkise.
“Abrir a fala” permitirá ao Nkise entrar em comunicação com os homens, transmitir suas mensagens, transferir o ase. O ilá permanecerá sempre sendo um dos seus símbolos mais expressívos.
O som como resultado de interação dinâmica, condutor de ase, e consequentemente atuante, aparece com todo o seu conteúdo simbóliconos instrumentos rituais: Atabaques, agogo, sere, adjá, etc.
Todos estes instrumentos são preparados, ou seja, consagrados através da transmissão de ase apropriados às funções a que são destinados.



Cantigas e danças



Tendo em vista que a relação que envolve nosso culto é dada pela energia e que esta se apresenta de várias formas, podemos concluir que os cânticos são rezas que quando entoados aproximam a divindade.
No entanto é fundamental que exista uma certa igualdade de freqüências para que isto ocorra com sucesso.
O ato de cantar não está apenas direcionado ao ogã ou tocador. Este ato depende da participação de todos os integrantes do culto.
Uma vez que a energia total se faz pela contribuição energética de cada um dos presentes, a energia sonora que roda o ambiente necessita da contribuição de todos.
Além do que, esta reação é mútua.
O indivíduo que se deixa levar pelo embalo das cantigas e contribui para o mesmo, permite o relaxamento, tendo assim, uma maior capacidade para captar o que há de positivo no ambiente.
Portanto, a participação deve ser uniforme.
De acordo com a teoria anterior, o mesmo se aplica para as danças.
Ao movimentar o corpo, o indivíduo dá início a inúmeras reações biológicas que alteram o metabolismo permitindo que a energia interna da pessoa possa ser externada de acordo com a energia interna do ambiente.
Um grande exemplo disso é o fato de que um indivíduo passa a dançar com maior volúpia e até mesmo apresenta uma variação em sua face quando temos uma mudança ou variação no apresentar dos toques.
O ato de dançar ou cantar está inserido no composto energético que forma a cultura afro-brasileira.
Faz parte de uma ritualística que torna esta cultura cada vez mais bonita.
A dança substitui a palavra e conta a história da divindade, expressa sentimentos e eleva a energia interior.
Não há, no candomblé, divindade que não dance.
A natureza em si mostra sua dança através do movimento contínuo de suas partes.
O cântico revela o que de mais intenso se faz presente na história de um povo.
É necessário que o cântico se apresente de forma correta e unânime.
É a fundamentação de toda nossa cultura.
Uma cantiga bem cantada e bem tocada provoca reações diversas.



Como cantar?



O que move a história é sempre o sentimento. Ao cantar devemos faze-lo com sentimento, procurando sentir as palavras pronunciadas. A resposta vinda de forma perfeita neutraliza, através da harmonia de freqüência, a entrada de energias negativas.
Não se faz necessário cantar muito alto ou estridente. Basta que o que esteja sendo cantado, seja feito com harmonia vocal e sentimental.
Cante, mas com vontade de entender não só o que está sendo cantado, mas o que este ato pode produzir de positivo a todos nós naquele momento.

Nossas cantigas são nossas rezas.
Seja na Umbanda ou no Candomblé, elas representam nosso elo de comunicação com as divindades.

Que cada cantador cante com a garganta, mas também com o coração


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Kalunga
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 Postado em 07/08/2005 2:39:00 PM

Mimenekenu kiami jipange

Prezado Tata Toindé
Muitas vezes fico pensando, como podemos rezar, cantar e proferir palavras sem ao menos sabemos o que significam, somente pelo fato de alguém nos ter ensinado, mas que de fato também, o ensinador não sabe o que significa, só repassa, está ai um questionamento que tenho desde que comecei a tentar entender alguns porquês, que muitos tb, acham falta de respeito buscá-los, formando aquela velha frase de sempre (Porque sim.).
Mesmo os mais velhos (muitos), pouco têem a esclarecer, alguns arriscam soluções, ou melhor, explicações que vêem sendo dadas desde o início até os dias de hoje, mas sem sustentação, não teremos bases, senão formos estudar o dialeto.

Pelo título desse tópico - "A Importancia do canto e da dança em nossos cultos" - exprime a consciência da realização dos mesmos, sempre fundamentada em alguma ação, e por conseguinte, uma reação, que denomino como condicionamento espiritual, pois em dados momentos sentimos o inexplicável, nos emocionamos, temos sensações indescritíveis e etc., pelo fato de não sabermos o significado da palavra, mas que a reação acontece, é interessante mesmo.
Não sei se me fiz entender, mas acho de suma importância, a busca do conhecimento do dialeto em todas as circuntâncias "exigidas" pela nossa prática religiosa, pois por exemplo: "Como podemos ter o sentimento de sagrado do Ngol´oxi, Sekece, Muxaka, Kibuko, assim como das nossas cantigas, senão sabemos a tradução? Seriam tão sagrados que nem a tradução temos o direito de saber, apenas temos de proferi-las?
Se existe a reação, fruto da ação da palavra, porque muitos não têem interesse em tentar buscar tais respostas? Preguiça? Falta de material apropriado? Ou simplismente está bom assim?

(...) A resposta vinda de forma perfeita neutraliza, através da harmonia de freqüência, a entrada de energias negativas.
Mas porque são entoadas determinadas cantigas em sequência, se nem sabemos o que elas querem dizer? Não seria de interesse dos xikarangombe irem em busca? Quem pode dizer que a sequência X de uma dança está condizente com o ato?

Porque existe a repulsa de alguns, por aqueles que tentam?
Eu fico tão feliz quando encontro a tradução de uma palavra na imensidão de uma reza ou cantiga, e imagino se todos se esforçassem nessa busca, os resultados positivos que teríamos.
Sonhar não custa nada, mas temos de tentar.

jindandu

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Tata Toindé
Membro Pleno

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Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 13/08/2005 12:56:00 AM

Cara mana Kalunga....

Vc tocou exatamente no ponto mais importante de todo este estudo.
É claro que o que tento trazer é o "milagre" da reaçõ mesmo quando nem sabemos o que estamos cantando. E chamo isso de codificação sonora, pois o que usamos é apenas um conjunto de códicos fonéticos que visam buscar uma energia e a encontram.
Mas o mais engraçado é que independente de se errados ou não, o resposta é obtida. Rezamos o kibuko, o ningorossi e etc, mas às vezes tb rezamos e pedimos em nossa língua e somos atendidos.
A intenção vem como um fator principal dentro deste contexto. O sentimento emanado é que vem a ser o transformador das coisas.
Mas isso, pq dependemos principalmente dele e só dependemos dele pq não temos como mentalizar o que não sabemos e se isso acontece é porque não conhecemos a tradução de nossas cantigas.
Daí vejo q a excelencia energátia seria alcançada quando conseguíssemos juntar tudo isso: Intenção, pronúncia correta e conhecimento do que se está proferindo.

Se estivermos certos, atingimos um objetivo. Já temos um caminho para aumentarmos maus o hambar de nossas jinzos.

Você concorda com isso, mana?

e os manos??

Jindandu

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Ilma
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 Postado em 14/08/2005 7:24:00 PM

Mukuiu primo,

É verdade que nossos sentimentos emandos nesse momento nos traz equilibrio, força e a transformação das coisas.
Exalamos nesse momento o melhor de nossos sentimentos, o criador é sábio, a natureza é sábia, nesse momento nos tornamos puros, por isso conseguimos respostas positivas em retorno ao que enviamos. Através daí trazemos o hambar não só para nossas inzos, como para nós mesmos. E com esses resultados conseguimos subir um degrauzinho na escala da existencia evolutiva. Quem tem olhos de ver......

Saudações,

Que a luz de Nzambe se faça para todos.

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Kalunga
Membro Junior

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Registro: 02/08/2005
Local: Santos - SP - Brasil
Idade: 51 anosSexo Feminino
 Postado em 15/08/2005 5:11:00 PM

Mimenekenu kiami jipange

Como diz o ditado, sonhar não custa nada.
Para mim a busca pelo dialeto bantu é essencial para termos noção do nosso culto, por isso, me empenho nessa busca.
Mas também não creio que seja possível descobrirmos "tudo", porém, se a maioria buscar e não só ficar aguardando as novidades, já seria uma grande conquista.
Porque para falar a verdade, as vezes paro para pensar, como as coisas são sagradas se nem sabemos o que falamos, e será que nossos antecessores não estavam nas mesmas condições?
A maior perda é não terem registrado por escrito, mas continuemos a fazer a nossa parte, essa é a nossa maior herança.

jindandu

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Makota Lembanilé
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Idade: 41 anosSexo Feminino
 Postado em 15/08/2005 9:44:00 PM

Mana Kalunga, mukuiú

Acho que A maior perda é não terem registrado por escrito é explicada pelo simples fato de não existirem muitos (ou quiçá, nenhum!) letrado ou ao menos um indivíduo alfabetizado funcional pare poder relatar todos os acontecimentos, entre as inúmeras tribos que para cá vieram.....

Sem deixar de lado o fato das religiões afro serem passadas pelos mais antigos pela oralidade.....

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Kalunga
Membro Junior

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Registro: 02/08/2005
Local: Santos - SP - Brasil
Idade: 51 anosSexo Feminino
 Postado em 15/08/2005 11:45:00 PM

Mimenekenu kiami jipange

Mana Lembanilé, isso é óbvio que aconteceu mesmo, não tenho dúvida alguma, mas lá nos primórdios.
A perda que me refiro não é essa, alguns permanecem arreigados nos tais segredos, mas temos muitas coisas para falar da nossa religião, e não são somente os ditos fundamentos, ainda bem que alguns mais velhos, estão mais maleáveis, por exemplo, até estão gravando Cd´s, se voltassemos um pouco no tempo, seguidores não teriam sidos expulsos de seus casas por montarem apostilas de cantigas acompanhada de fita K7, e olha que as cantigas não eram diferentes destas que estão nos Cd´s de hoje, que graças a Nzambi, pelo menos notaram que essas atitudes não interferem nos nossos rituais de modo negativo, ainda podem fazer mais coisas, mas já foi um belo começo.

jindandu

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ogan marcus
Membro Iniciante

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Registro: 21/07/2005
Local: sao paulo - SP - Brasil
Idade: 32 anosSexo Masculino
 Postado em 20/08/2005 7:41:00 PM

mukuiu...
bom eu tenhu uma duvida imensa... qdo os negros eram escravos e cativos.. eles memso assim mantiveram o culto aos nossos antepassados... mas uma coisa que mem intriga muito e assitindo a novela Xica da silva a umas semans atras eu me interessei por um topico... como eles ocultavam os ibas dos santos... e de onde eles tiravam todo o material pra fazelos.. isso me intrigou muito

sera q algum dos irmaos saberia me respoder


espero resposta



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Tata Toindé
Membro Pleno

Postagens: 239
Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 21/08/2005 10:07:00 PM

Caro mano Marcus....

Estarei em pesquisa mais aprofundada em prol de obter uma resposta mais precisa sobre o que postou.
À princípio, tenho uma explicação para tal fato, mas como disse, não sei se com certeza está certa. Pelo que sei, na época da escravidão, os povos escravizados não dispunham de material para desenvolver seus cultos, tais como temos hoje. Sendo assim, os poucos assentamentos que eram feitos eram feitos no barro e as oferendas eram feitas com o que podiam arranjar em termos de comidas.
Não havia muito material disponível.

Estarei pesquisando a fundo tal questão, mas enquanto isso, peço aos participantes que estiverem mais habilitados no tema que me corrijam se eu estiver errado.

Kandandu

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Tata Jambonan
Membro Junior

Postagens: 78
Registro: 12/07/2005
Local: Belford-Roxo - RJ - Brasil
Idade: 53 anosSexo não informado
 Postado em 22/08/2005 10:59:00 AM

Mukuiu jipangi.

Pelo que os antigos passam, e que a lógica permite entender, seria com altar para os santos catolicos, e por debaixo, enterrado, ou ainda em preteleiras suspensas no cume das sensalas, dai o surgimento de cumieiras e ariexés.
Para os acentamentos, eram usados o que provia da natureza, encontrada no Brasil, assim feito a asimilação, do que podiam encontrar de mais semelhante a sua Terra Mãe África.
Para as comidas da mesma forma, como podemos ver que a farinha, fubá, feijões, pontas e fissuras de porco, galinha, boi, etc ... , encontra-se sendo utilizados até os dias de hoje, e que na época, é que eles tinham direito a comer. Nascendo assim os pratos típicos de nosso tão querido BRASIL, variando de região para região, e que na maioria das vezes confeccionados com esses mesmos elementos.
Sendo os fios de contas, e migui, feitos tão somente com sementes, favas, pedaços de corais, crustácios, etc... , e outros elementos naturais, sabendo-se que missangas, é coisa indústrializada, e dos Paises Européus, e de custo altíssimo, para os escravos sem nenhum, ou quase nehum poder arquisitivo.
Dai também o surgimento de moedas nos acentos, as poucas roubadas, ou ganhas em recompensa por algum grande feito.

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FRISO BEM CLARAMENTE:
É a minha lógica, meu ponto de vista, depois de algumas poucas pesquisas.
NÃO É A VERDADE ABSOLUTA, estou aberto para outros entendimentos, e aprendizados mais lógicos, e concretos.

Lami mujitu e kioso, Jambonan.

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