BATISMO DO CIRCUNCIDADO
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Tópico: BATISMO DO CIRCUNCIDADO
Dandarê
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 Postado em 18/01/2006 11:53:00 AM

Mimenekenu jipangi

Mais um texto sobre a cultura Tutchokwe.

BATISMO DO CIRCUNCIDADO


(Extraído de “Os Tutchokwe do Nordeste de Angola” de João Vicente Martins)

Este batismo, que é o segundo batismo dos Tutchokwe, ocorre no quarto dia depois da saída da “mukanda”, ou seja o “tangwa rya kulomba” ou “tangwa rya mukundu”.

Ao romper da manhã, os “tundantche” dirigem-se a um rio cujas margens estejam alagadas, a fim de tomarem o banho purificador que os limpará das marcas de todos os ritos da “mukunda”.

Para o efeito, vão acompanhados dos seus “ïkolokolo” e do “mukiche”. Este, durante o trajeto, vai tocando um “ngoma” e cantando a canção do “musaswe”.

Uma vez junto das lagoas, os circuncidados despojam-se de todas as vestimentas e objetos relativos à “mukanda” e aguardam os seus professores. Logo que os alunos estão nus, cada professor dá uma vergastada nas costas do seu discípulo como sinal de que se deve lançar para dentro da água; em seguida, vai enterrar todos os despojos do seu “kandantche”, no lodo do vale daquele mesmo rio, tal como fez com o prepúcio e o sangue que brotou do corte do mesmo, durante a operação.

Se não tomam banho na água corrente é porque – segundo crêem – se o fizessem poderiam ficar raquíticos, o que não sucede se banharem em águas paradas, visto que, neste caso, toda a sujidade saída do corpo ficará ali retida..

Tomado o banho, em completo estado de nudez, sentam-se à sombra de uma árvore, perto da aldeia, enquanto os professores vão buscar o óleo e o “mukundo” com que untam e pintam, não só todo o corpo dos circuncidados, mas também a roupa que eles vestem.

Uma vez vestidos, o operador-sacerdote, acompanhado dos homens da aldeia, leva-os um por um até uma máscara de “mukiche”, sobre a qual põe uma das bolinhas de pirão retiradas da “masasa” da escola da circuncisão e diz-lhe: - “Come”. Ao mesmo tempo, obriga-o a jurar sobre a dita máscara, que jamais revelará, a quem quer que seja, que o mascarado é um homem; se o fizer morrerá. No mesmo momento, todos os presentes batem com paus no chão, simulando que será desfeito à pancada quem violar tal segredo e promessa.

Findo este juramento e depois de receberem um arco e uma flecha, os iniciados são levados às costas para dentro da “tchifwa”, onde estão estendidas tantas esteiras quanto os “tundantche”. Os que o trouxeram sentam-nos sobre as ditas esteiras, logo que as mães tenham entregue qualquer oferenda.

Feita a oferta, o operador-chefe que está dentro da casa da “Na tchifwa”com uma cabaça de cerveja de milho, manda o seu ajudante chamar o iniciado-chefe e, após este, todos os outros circuncidados. Então o ajudante pega na ponta de uma flecha, estende-a ao aluno, que a segura pela outra extremidade. Assim guiado, coloca-o junto do seu mestre, fechando a porta em seguida. No mesmo momento, o operador-chefe diz-lhe: -“Olha para cima”.

O circuncidado, porém, não deve obedecer a esta ordem, pois, de contrário, o seu professor pagará uma multa ao operador. Da mesma forma, pagará outra se o “kandantche”não beber toda a cerveja que o mestre lhe oferece, sem tirar o copo da boca, ou deixar cair no chão alguma gota do referido líquido.

Bebida a cerveja, no momento em que entrega o copo ao operador, este pergunta-lhe qual o nome que mais lhe agrada e pelo qual passará a ser, de futuro, apelidado. Escolhido o nome, é levado para fora com o mesmo cerimonial da entrada. Logo que sai, o professor entrega-lhe um arco, cuja correia o aluno estica, disparando a flecha para o ar, dizendo em seguida, por exemplo: “Eu antes tinha um nome, mas agora recebi outro; até aqui era Lino, mas agora passo a ser Mwambumba”.

Após a cerimônia deste batismo, os “tundantche” dirigem-se à aldeia onde, com as suas flechas, vão caçar os galináceos que o operador-sacerdote e a “Na tchifwa” lhes oferecem, os quais, naquele mesmo dia, serão comidos por todos.

No dia seguinte, os iniciados matam, com suas flechas, a fim de os cozinharem e comerem, todos os animais domésticos que receberem dos pais, professores e amigos.

Todos os ritos e cerimônias da circuncisão findam no quarto dia, após a saída da “mukanda”. Nessa data, antes de tomarem o último banho purificador, despem a indumentária que, dois dias antes, lhes havia sido vestida e pintada de “mukundu”. Entregam-na aos professores, que a queimam, em seguida, enquanto os alunos se banham nas águas paradas das margens alagadas de um rio.

Convém notar que cada um destes banhos é tomado em locais diferentes. Nesse dia, em que o circuncidado toma o último banho purificador, para libertar o corpo do “mukundu” e do óleo de rícino com que foi ungido, é de grande solenidade para os tutchokwe.

Gostaram? observem nos detalhes do ritual o que se parece com a nossa feitura de santo.

Fiquem em paz

Dandarê


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