MITOLOGIA BANTU
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Tópico: MITOLOGIA BANTU
Dandarê
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 Postado em 23/07/2005 5:25:00 PM

Mimenekenu Jipangi

Tenho um bom material que pretendo ir colocando neste tópico aos poucos, na medida em que as discussões forem chegando a um consenso. São resultantes de traduções de relatos de missionários católicos no Congo e também da coletânea de "pedaços" retirados de estudos de amigos e colegas de profissão.

O texto que segue eu encontrei ontem, num site da WIKIPÉDIA, o qual destaco logo no inicio do texto, o que muito me surpreendeu pois se parece muito com o conteúdo do livro recem lançado, da autoria de Tata Nkassuté. O texto não está assinado, mas talvez seja dele mesmo. A minha dúvida é porque eu penso que ele é de Nkassuté e quem disponibilizou o texto é de Mutá.

Mitologia Bantu


Disponibilizado na internet no site:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia bantu

Trazemos as referências dos Jinkisi/Mukixi e algumas referências aos Orixás yorubá mais conhecidos, mas entendemos estas semelhanças como caminhos, e não como individualidades.

Vejamos no Brasil quais os cultos que prevalecem nos candomblés Angola/Congo (com algumas variações de casa para casa ou de família para família de culto).

• Pambu Njila – Senhor dos caminhos e dos começos. Guardião das aldeias e que tinha seu culto geralmente nas suas entradas, tal qual o exu yorubá ou o Legbará Daomeano. Ou seja, o caminho é o mesmo, muda-se o nome, a língua, algumas tradições, mas a idéia é a mesma, então para se assimilar Exu com Pambu Njila, foi fácil, mas cada tradição mantem suas especificações, mesmo que troquem a língua falada ou o nome de um pelo outro.

• Tat´etu Hoxi Mukumbi / Nkosi Mukumbi – O leão. O devorador de almas, o guerreiro, o lutador, o forjador, o senhor do ferro. Ligado a causas sociais e de lutas. Daí associar este culto com o Ogum dos yorubás não foi difícil, pois o caminho mitológico é o mesmo. Achar que somente um povo africano cultuava o ferreiro e o guerreiro divino é no mínimo simplicista.

• Tat´etu Katendê - Senhor das florestas e das Jinsaba (plural de Nsaba) – a folha sagrada. Senhor das alquimias divinas. Senhor do retiro e da vida de ermitão nas florestas; às vezes também entendido como sendo uma Senhora, mas em geral mantém a idéia masculina. O caminho é o mesmo do Ossain dos Yorubá ou Ágüé dos Daomeanos. Então os mais velhos entenderam assim e trocavam um nome pelo outro...

• Tat´etu Mutakalambô / Mutakulamburungunzo (o mais velho) – O caçador divino que era responsável pela fartura e pela defesa da aldeia. O Caçador divino. Todos os povos antigos tinham o seu caçador e defensor divino que era responsável pela fartura e pela defesa da aldeia. O Caçador divino não é ninguém. Cada povo lhe entendeu de um jeito e lhe representou na sua cultura e na sua língua, mas faz parte do inconsciente coletivo de tempos imemoráveis. Também andam neste caminho,Nkongobila / Telekompenso. Estes caçadores bantu para se identificarem com qualquer outro caçador mitológico não foi difícil. Aí entra Ossosse os Odé dos Yorubá e até os caçadores ancestrais brasileiros, como caboclos, etc...

• Tat´etu Nsumbu / Kavungo – Senhor da terra. Do chão. É um nkisi Nsi. Tem caminhos com antepassados e une-se a eles para encaminhá-los. É o senhor da ráfia e das enfermidades... Como está no mesmo nível mitológico de Obaluaê/Omolu os mais velhos viram sua representação mitológica.

• Tat´etu Kindembu (Tempo) – Ligado ao tempo cronológico e mitológico. O Senhor das transformações o que guia o seu povo nômade através da sua bandeira branca, assim todos, por longe que esteja pode se unir ao líder, porque o mastro da sua bandeira é tão alto que pode ser visto de qualquer lugar. O que não deixa os caçadores perdidos (pois os Nkisis são, em sua natureza primeira todos caçadores e guerreiros, pois assim a aldeia e seus descendentes estariam garantidos). Nzara Ndembu (glória ao tempo). Ligado à ancestralidade, devido a sua ligação com Kaviungo. Este é o menos sincretizado, embora muitos o concebam como Iroko / Loko, da mitologia Gêge-nagô.

• Tat´etu Nzaazi – O raio sagrado. Ligado à justiça, ao fogo e de natureza arrojada. Mitologicamente cavalga os céus com seus 12 cães (raios) e executa a justiça. Neste caminho também anda Sango.

• Tat´etu Hongolo (Angorô) – O arco-íris, ligado aos movimentos de subida e descida das águas. Também identifica-se com a cobra sagrada que aparece em todas as mitologias antigas. Identificar este Mukixi/Nkisi com Bessém (que algumas famílias de angola no Brasil podem cultua-lo inclusive como um vodum mesmo, por herança, pois se somos brasileiros tudo que os nossos antepassados africanos trouxeram é nosso, por herança) ou Oxumarê, não foi nenhum sacrilégio. Hongolo, se lê angorô (arco Íris).

• Mamétu Mbambulucema /Matamba – Ligada aos ancestrais Yumbi (vumbi) e ao fogo, bem como aos fenômenos que vem no Duilo (céu), como tempestades, etc... É o caminho do Orissá Oiá.

• Mam´etu Ndandalunda – Nda = Senhora. Ndanda – Nobilíssima senhora, Rainha, princesa, Senhora de grande pretigio, cultuada na terra dos Lundas. Senhora de riquezas ligada ao ouro e aos dengos femininos, bem como a fertilidade e nascimento. Tem fortes ligações com Hongolo, devido ao movimento das águas. Não é nenhum sacrilégio identificá-la com a Yá Oxum dos Yorubá. Ndandalunda kissimbi, Ndandalunda kia Maza. Neste caminho também está Kissimbe, como Senhora das águas doces.

• Mam´etu Kaiá(la) /Nkaiá´- Senhora das águas. Nível mitológico das sereias. Das grandes mães mitológicas. Juntamente com Ndandalunda e Kissimbi se tornam as mães d´águas. Ver esta divindade identificada com Yemanjá não deveria causar nenhum espanto. Andam neste caminho Nkukueto e até Kissanga (que também é uma sereia).

• Mam´etu Nzumbá – Senhora do roxo. Senhora dos antepassados mistérios antigos. Senhora muito similar em sua mitologia a Nana Buruku. A mais antiga das mães. A mãe ancestral. A anterior a era dos metais e das grandes descobertas. Ligada ao culto da vida e da morte, por ser dela detentora destes segredos.

• Tat´etu Nkassuté Lembá ´Lembarenganga´- O Senhor do Mulele Ndele (Pano branco). O Senhor ligado a criação. Embora também se manifeste como um guerreiro audaz (Nkassuté Lembá) , traz em seu caminho a representação dos muitos tempos passados e eternos, pois se apóia em um cajado ritual, que significa que Ele merece respeito por ser o mais Nkakulu (velho). Pembelê lembá (Eu te saúdo Lembá).

Como vimos, os mais velhos trouxeram cantigas, rezas, tudo em kibundo e kikongo (algumas também em Umbundo e outros dialetos). Muita coisa se perdeu até mesmo por haver a associação com as tradições bantu. Não que estas sejam mais certas ou mais erradas, mas que cada tradição deve ser mantida e respeitada, pois faz parte da história da própria humanidade, de como nos organizamos, como desenvolvemos outros falares, de como nos organizamos como sociedade, etc... e ao que parece, tínhamos um culto primitivo comum que com as distancias das eras e também geo

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Tata Toindé
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 Postado em 24/07/2005 5:17:00 PM

Cara mana Mutarere....

Entrando numa questão há muito já discutida, ao ler tal postagem não pude me conter em deixar este comentário...

Ao estudar a cultura Banto, encontramos uma diferença cultural muito grande, mas se olharmos mas calmamente (tal como sua postagem) dá pra perceber que a diferença das divindades do panteão Banto e as do Panteão Yorubá apenas se dierem em seus NOMES.

Excetuando-se alguns, (Tal como Kitembo, Nzambi) os domínios das divindades do Angola estão de acordo com os das divindades do Ketu.

Respeito, mana, nossa cultura, e sou a favor de que a mesma seja aplicada em nossas Inzos, pois devemos carimbar nossa identidade, mas para mim, isso é mais uma prova de que, em essencia, Nkise e Orixás são as mesmas divindades, apenas observadas de "pontos de vistas diferentes".

Qual sua opinião e a dos manos em relação a isso?


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HOLAKEMI
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 Postado em 25/07/2005 3:59:00 PM

BOM CLARO E EVIDENTE Q TEMOS Q MATER NOSSA IDENTIDADE QUANTO ANGOLA E SEU CULTO , MAIS A SEMELHAÇA NO NKISI E ORISAS SAO MUITO GRANDES EU DIRIA Q REALMENTE SÓ MUDA O NOME POIS SUAS PROPRIAS FORÇAS E AÇAO SAO AS MESMAS COMO COSTUMO DIZER SAO ANCESTRAIS COM FORÇA NA NATUREZA NAO SEI SE ESTOU CERTA E TAL AFIRMAÇÃO MAIS É O Q PENSO , ESPERO TER CONTRIBUIDO

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Dandarê
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 Postado em 25/07/2005 4:06:00 PM

MIMENEKENU JIPANGI

CONCORDO PLENAMENTE... O PROPRIO AUTOR DO LIVRO NUNCA SE POSICIONOU COM AQUELAS AFIRMAÇÕES DE QUEM QUER IMPOR ALGO DIFERENTE NO QUE ESTÁ ESTABELECIDO COMO SE TUDO QUE NOS FOI ENSINADO E QUE APRENDEMOS ESTIVESSE ERRADO. ESSAS IDEIAS ERAM DA "periferia", CONFORME VC PÔDE OBSERVAR.

Veja o que diz o Tata Nkassuté, no prefácio do seu livro Estudos da Mitologia Bantu":
"Quanto tempo ainda vamos continuar na omissão? até quando teremos uma meia história? meio milênio se passou desde que nossa tradição chegou, e nós passaremos também. Mas jamais alguém poderá dizer que não tive história e que meus descendentes não conheceram seus antepassados divinizados, como também as divindades antepassadas.
E você, como passará? contando a sua historia "dos outros""?

Em momento nenhum ele diz que os santos foram cultuados errados, nem que não poderia haver equivalencia.

O que faltou mano foi Método Cientifico na abordagem.Se desde o inicio as coisas tivessem sido palnejadas, planificadas num plano piloto para divulgação das metas, dos objetivos, geral e especificos; se tivesse sido previsto a linguagem que seria utilizada, os passos da pesquisa enfim... de uma forma didatica e metodológica, todos teriam refletido, analisado julgado e hoje nós estariamos falando a mesma linguagem.

Por que o meu pai que é um dos mais velhos vivos, tradicionalista de raiz, com uma casa estruturada, prospera, maravilhosa e somente eu conversando, conversando, mostrando e ele já entendeu que está certo fazer uma revisão nos comportamentos, nos costumes, na lingua etc... só não muda o que não pode e nem deve mudar que são os nossos fundamentos mano. Agora se a sociedade nos acusa de falta de identidade cultural, até por honra aos nossos mais velhos temos que nos identificar, temos que mostrar que nós temos cultura sim, e belissima...

A nossa identidade atual é "milongada" e vai demorar para deixar de ser, pelos valores afetivos que tem a milonga. Mas nós temos que saber o quê e o porquê de nossa nação angola, até pra poder dizer "não faço porque não quero, e não, porque não sei", não é verdade?

Qualquer Sacerdote, qualquer seguidor de seita ou de religião ou de doutrina, sabe o que ele cultua e porque ele cultua " este deus" e não "aquele deus"... por que nós não podemos definir os nossos deuses se eles são assentados em nosso mutuê? Por não darmos as respostas claras e objetivas é que muitos chegam a achar que podem nos exterminar. Esse negocio de dizer que o Nkisi está em nossa muxima... e depois nada mais.... é balela. Temos que analisar o que está em nossa muxima e depois descrever, e depois aprimorar a escrita e depois divulgar, ora essa. Quando vc achar que devemos discutir esse assunto podemos discuti-lo por mais tempo.

Jindandu
Dandarê

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Dandarê
Membro Pleno

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 Postado em 25/07/2005 4:32:00 PM

ATENÇÃO Jipangi

SÓ PARA ESCLARECER

No site onde encontrei o texto supra esta agora assinado por NGUNZETALA, portanto não pertence ao Tata Nkassuté e não foi disponibilizado por ele.

Dandarê



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Tata Toindé
Membro Pleno

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Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 27/07/2005 9:37:00 AM

Cértíssimo, mana....

Como já disse muitas vezes, busco tb nossa identidade cultural, só não aceito dizerem que o que foi feito até hj foi errado.
Neste ponto (e em muitos outros) concordo com você.
Ainda chegaremos ao nosso objetivo e se não chegarmos, deixaremos o campo aberto para os que virão.
Kandandu

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Tata Jambonan
Membro Junior

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 Postado em 27/07/2005 11:15:00 PM

Duas vezes mukuiu, e mukuiu a todos.

Estou no fórum certo, pelo menos não encontrei prepotencia, e arrogancia de falarmos uma coisa e fazer outra em nossas inzo, me orgulho de obter informações de pessoas corretas, e cientes do que falam e fazem, resgatar nunca pode ser perder a asencia do que se aprendeu, ou do que se faz a séculos, ou estaria-mos a renegar nossos própios mais velhos, (pais, avós, bisás, etc...).

Também sei o que cultuo, sei o que é um Nkise, concordo com tudo que acima foi dito, mais...
... estamos no Brasil, e muitas coisas tiveram que ser adaptadas, será tudo que é, e sempre foi passado se torna verdade absoluta na boca dos prepotentes, será que tanto Nzazi, quanto Sangô, recebiam amalá de quiabos, por exemplo, será que os nativos tinham sementes, e grãos como temos acesso nos dias de hoje para ofertarmos com essa grande fartura de qualidades de coisas exclusivas de determinados Paises, verdades unicas de uns, mais aqueles que se interessarem um pouco, um pouquinho só, com essa facilidade, e livre acesso a internet, verás que não nescessita ser um Verger para saber que tudo teve, e foi muito adaptado por todas ''NAÇÕES", e não somente pela nossa como eles o dizem.

Bem, esse é apenas o meu modo de ver as coisas.
Lá na Mãe Afríca, eles não cultuam, PRETOS VELHOS, CATIÇOS, CABOCLOS, mais como nossos antepassados, podemos e devemos cultual-los sim, isso em meu grosseiro modo de ver, e também é tradição.
Ai eu me pergunto:
Os prepotentes que se dizem puros, incorporam com catiços, jogam por odú, tiram CARGOS com faixas escrito, ex; EKEDE DE KITEMBÚ, ou ainda, TATA KISSIKARANGOMBE "DE" ZUMBARANDÁ, ou ainda seu iniciado de KATENDE grita bem explicado EWÊ KISABA,
"Isto foi apenas exemplos absurdos, pois o que já vi jamais citarei aqui por questão de ética pessoal."
Onde estaria a "Pureza de Raiz" deles ?
Por isto eu mais uma vez afirmo, no meu modo de pensar, no Brasil não hesiste nada puro, tudo teve que ser adaptado por um motivo ou outro.
Respeito o modo de agir de cada casa, e o modo individual que nela contém.

Respeitosamente, Tata riá Nkise Jambonan.

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Tata Toindé
Membro Pleno

Postagens: 239
Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 28/07/2005 2:15:00 AM

Mano Jambonan, mukuiú....
Bato palmas de pé pela sua postagem.....
Acabaste de retratar um grande problema que existe em noso meio.
No que posso, e principalmente no que está de acordo com as determinações das divindades e entidades da casa de meu Pai, tento levar a cultura, a linguagem de nossa nação e passá-la aos mais novos por ua questão de identidade cultural.
Mas de forma alguma posso desprezar o que nos foi dado.
Como muitos já sabem, somos descendentes do Tat ria Nkise Untalange que foi iniciado pelo Tata Rufino de Beiru. Este ùltimo foi Filho de Miguel Arcanjo da raiz Amburaxó. Rufino bebeu das águas do Ketu. Se a atitude dele foi errada ou não, isso não posso julgar pois se ainda assim o fizesse, nada mudaria.
Sei que com isso, nós, que seríamos puramente Amburaxó, herdamos alguma coisa da cultura Yorubá e não podemos negá-la agora.
Até porque mano, a dijina de meu pai é JAGULENÃ, pois foi Jagun que tomou a cabeça dele, mas nossa Inzo é Angola.
O que fazer??????
Negar a divindade???
Lógico que não....
pode parecer confuso, mas foi por determinação da própria divindade, que meu pai se voltasse completamente para o Angola...
E sendo assim, quem quiser falar que está errado, pois não há compatibilidade, fale.
A Inzo de meu pai está em pé, crescendo, e junto com ela os filhos.
Por isso, com muito orgulho tenho o assentamento de meu Nkosi lá. Digo e afirmo que sou filho de Nkosi porque sou Angola e amo de paixão minha nação. Mas tb digo que não acredito que, em essencia, meu Nkosi está longe de poder ser relacionado com o orixá Ogum.
Passei 10 anos na Umbanda e sempre fiz minhas rezas para Ogum, aprendi a louvar Ogum. Hoje o chamo de Nkosi porque fui aceito numa nação maravilhosa e respeitando a cultura desta nação, passei a tratar o dono de meu mutue desta forma.
Para mim, é como se fosse eu....
.....que em minha vida civil sou chamado de Carlos Henrique, mas dentro do candomblé de Angola sou chamado de Roxi Toindé.
E em nenhum momento, em essencia, deixei de ser a mesma pessoa.
Jindandu


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Dandarê
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Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 10/05/2006 9:09:00 PM

Mimenekenu jipangi

Cadê meus irmãos que não postam mais nada!!!!!

NDANDALUNDA

Mam´etu Ndandalunda, Nda = Senhora, Ndanda= Nobilíssima Senhora, Rainha, Princesa, Senhora de grande prestigio, Senhora de riquezas ligada ao ouro e aos dengos femininos, bem como a fertilidade e ao nascimento. Tem fortes ligações com Hongolo, devido ao movimento das águas. Não é nenhum sacrilégio identificá-la com a Yá Oxum dos Yorubá. Ndandalunda kissimbi, Ndandalunda kia Maza. Neste caminho também está Kissimbe, como Senhora das águas doces.

Ndandalunda é cultuada na terra dos Lundas é ela quem fertiliza ou esteriliza a terra; é ela que concentra o poder das águas doces que favorece a agricultura. Na sua falta a terra nada produz, favorecendo a fome e a miséria humana.

As suas lendas reportam-se à pré-história quando as águas dos rios eram “vistas” como grandes “cobras” ou “serpentes” que se espalhavam pela terra a dentro “engravidando-a” e fazendo com que a terra “parisse” frutos, ovos, animais, pássaros, insetos, enfim tudo que existe sobre ela, inclusive o próprio homem!

Faz parte dos Minkisi da Criação, na mítica de Kalunga, chamada depois de NDALA KARITANGA, segunda divindade, ao passar a viver com Nzambi Apungo (Deus Poderoso) que a criou, criou o mundo e tudo que nele existe.

Com o tempo, Ndala Karitanga deu a luz a Nkuku-a-lunga (a Inteligência, ou um ser inteligente) e este passou a ser a 3ª pessoa da Trindade Divina. Quando ele cresceu Nzambi lhe deu o Poder da Adivinhação.

Depois dos incestos dos primeiros tempos da criação, Zambi ordenou que entre as criaturas existentes os acasalamentos se dessem apenas entre primos. Foi então que dessas uniões nasceram KITEMBU-A-BANGANGA (Tempo) e SAMBA KALUNGA (Mar) e outros.

Naquele tempo as rochas estavam moles por terem sido feitas recentemente, mas foi nesse período que Nzambi despediu-se, levando o cão que sempre o acompanhava. Dirigiu-se para SENZALA KASEMBE diá Nzambi (Aldeia Encantada de Deus).A morada de Nzambi fica entre os rios LUEMBE KASAI, junto a nascente do MBANZE.

É evidente as razões que mitificam nos Candomblés a divindade das águas doces como PODEROSA, VAIDOSA, SENSUAL, COQUETE...

Entretanto, eu a sinto com todas essas características amadurecidas para COMPLASCENTE (Rainha Boa e cheia de compaixão), EXIGENTE COM SEU TRATO PESSOAL, EXTREMAMENTE SENSÍVEL E DE FINO TRATO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS.


Fiquem em Paz


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