O CASAL DIRIGENTE(?) E AS KIZILAS NO TERREIRO
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 O CASAL DIRIGENTE(?) E AS KIZILAS NO TERREIRO
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Tópico: O CASAL DIRIGENTE(?) E AS KIZILAS NO TERREIRO
Dandarê
Membro Pleno

Postagens: 210
Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 06/02/2006 6:48:00 PM

Mimenekenu Jipangi

Nas visitas que tenho feito em casas de candomblé, tenho observado que as opiniões divergem muito com relação ao que deve e o que não deve fazer, o marido ou a esposa do(a) Dirigente de um Terreiro, no que se refere à manipulação dos objetos sagrados do(a) mesmo(a), sukulas, limpeza e higiene dos assentamentos, cargos, ajudá-lo(a) nos ebós etc....

Portanto, estou propondo a discussão em torno da questão, sugerindo que as proibições, segundo o entendimento de cada um, sejam enumeradas: (1. 2. 3. etc...em nível de prioridade).


Fiquem em Paz

Dandarê

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KAMBAMI
Membro Iniciante

Postagens: 40
Registro: 07/01/2006
Local: Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Idade: 58 anosSexo Masculino
 Postado em 18/02/2006 8:15:00 PM

Makuiu Dandarê

Mas um tópico polêmico, sabemos que é isso que nos é ensinado nas nzu e até mesmo no Candomblé em geral, mas realmente gostaria de saber onde está o fundamento de que minha esposa que divide sua intimidade somente comigo, quando fico doente é ela quem me trata e me cura, quando choro ela chora comigo, quando sofro ela sofre junto, quando estou fora e algo me acontece, logo o celular toca, e ela pergunta tive um mal presentimento está tudo bem?
Ela divide meus sonhos minha herança tanto material como genética, ao me dar dois filhos.
Se algum dia alguém puxar uma arma em minha direção sei que ela presente se colocara a frente para me proteger, e assim somos eu e ela ela e eu.
Ai pergunto quem melhor para pedir por mim, quem melhor para interceder junto aos Deuses por mim, sinceramente não vejo fundamento em muitas coisas de nossa religião, por esse motivo resolvi estudar e tentar entender, pois infelismente nossa religião é a que mais tenta de todas as formas separar de rituais o amor a dedicação de um casal, porque será?
Não percebemos isso no culto a Ifá, nele não só é permitido como é o mais certo de ser.
Acho que esse conceito deve ser revisto, pois graças a ele conheço muitos casais que se separaram, não só pelo interdito sexual, como pelas mutretas de profanação do culto a qual muitas casas se utilizam ou encobrem e determinados membros se valem disso para obter proveito e satisfazer suas tentações doentias.
Acho que entenderam o que quis dizer.
Logo penso:
Ninguem melhor que minha esposa e meus filhos para me darem ajuda ou participar de uma obrigação, sei que com eles poderei sempre contar, são a extenção de meu ser.
Tendo em vista que ao iniciarmos no culto deixamos a vida passada e assumimos uma nova por esse motivo somos batizados com uma dijina, se seu companheiro ou sua companheira participa e é iniciada qual o problema?
Somos descendentes de uma cutura que vive do apoio tribal, não existia a separação, todos eram participantes, tanto que os assentamentos eram coletivos, aqui que se criou a separação do assentamento por motivo de dinheiro, sabemos muito bem dessa modernização em prol do controle e do comercio.
Lembre-se, sou um defenssor do verdadeiro sagrado e um rebatedor do profano, e separar um sentimento de amor e cumplicidade ao meu entender nada tem a ver com o sagrado.
Devemos amar uns aos outros e o que fazemos, começamos a desarmar a própria família, o alicersse de toda estrutura de vida, não fomos criados para andar sozinhos, por isso temos o que chamamos de nossa cara-metade, nosso complemento, negativo- positivo, Yin Yang, ou seja todas as antíteses.
Ainda falando sobre, lembro que na cultura Bantu temos o que chamamos de alicerce de tres pés, referindo aos montes que se faz para manter as panelas sobre o fogo sem que tombem, mas na realidade isso é um simbolo também da importancia familiar, o que sustenta a família.
Esta cultura é caracterizada pelo seu espírito agrário e religioso, que protege e defende a vida humana em todos os sentidos, o que às vezes não encontramos em outras mentalidades caracterizadas pelo individualismo. Como exemplo, temos em Descartes a seguinte reflexão: “cogito ergo sum”. Este pensamento é incabível na ontologia da cultura bantu. Para esta cultura, um “eu” sem a comunidade; um “eu” separado dos outros ou que exclui os demais acaba transformando-se em um “eu” sem vitalidade. A pessoa, na cultura bantu sempre se afirma a partir da comunidade: “pertenço logo sou”. Daí o grande princípio bantu: “eu sou porque vós sois, e porque vós sois eu sou”. A tendência do povo bantu é sempre de unidade, irmandade, vida em plenitude, e nunca de separação e morte. Nada entre eles os podia separar com facilidade, nem a própria morte natural era tida como separação. Os laços que ligam o membro à comunidade sempre foram mais fortes que as forças da separação. No sistema de ensino inculca-se sempre sentimentos de incorporação e acolhimento.
Perdão mana, mas nesse ponto não aceito e não concordo com o não poder, desde que na hora do culto nos tratemos apenas como "irmãos de santo", como membro de uma comunidade religiosa, nada impede um irmão de auxiliar o outro, de participar de um fundamento onde todos sabemos que são feitos os melhores pedidos aos Mikinsis em prol daquele que se coloca como o iniciado ou em obrigação.
Gostaria muito que alguem me provasse o fundamento do não poder.

kandandu
Kambami


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Tata Toindé
Membro Pleno

Postagens: 239
Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 22/02/2006 9:19:00 AM

Mukuiú manos....

Apesar de cumprir todas as proibições pertinentes ao assunto citado, sempre perguntei-me tb o porquê disso tudo.

Meu pai carnal é um Tata ria Nkise e pela lei que herdamos não pode me iniciar...... mas pq??

como disse o mano kambami, quem melhor que ele pra me querer o bem?

O mesmo penso em relação aos casais.

O que muito ouço é que:

Hora, se vc e sua esposa se iniciarem pela mesma mão, tornarão-se irmãos, e irmãos n~eo se relacionam.

sinceramente.......

penso em como resolviam esta questão em àfrica, afinão, lá era um único sacerdote para um tribo e o mesmo iniciava todos uma vez que isso era o dia a dia das pessoas do lugar.

enfim......

cumpro, mas não compreendo

jindandu

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KAMBAMI
Membro Iniciante

Postagens: 40
Registro: 07/01/2006
Local: Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Idade: 58 anosSexo Masculino
 Postado em 23/02/2006 10:38:00 PM

Makuiu Tata

Pois é, não que eu não cumpra, mas que no fundo eu discordo, ou pelo menos me pergunto, como pode, e isso me faz discordar, pois quando não se prova apenas se fala e isso passa de pai a filho(tradição).
Mas aonde fica o que tanto defendemos tambem que são os fundamentos, não podemos aceitar sem saber onde fica tais fundamentos, tendo em vista que em Africa, até filhos de cunhados e visinhos, uma mulher pode ter, pois se o marido não tem como sustenta-la, outro vem e rouba a mulher que acaba se encantando, e assim que o outro marido se levanta ele vai até lá e rouba a mulher denovo.Ou seja é um troca troca danado, a cultura deles em realção a casamento é muito diferente do que podemos imaginar, tanto que lá existe uma multa para o adultério que se paga com um boi, para cada "pulada de muro" descoberta.
Gostaria realmente que tal situação fosse estudada, pois como disse na cultura também africana dos Ifá isso nada impede.

Kandandu
Kambami

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Kambondu Felipe
Membro Junior

Postagens: 61
Registro: 05/08/2005
Local: Ribeirão Pires-ABC - SP - BrasilSexo Masculino
 Postado em 19/04/2006 1:14:00 PM

Mokoyu meus caros amigo, quanto tempo não?!?!

Estou feliz por estar de volta principalmente junto a minha querida Dandarê.

Bom este é um tema no qual todos tem um pouco de receio em falar, mas como disse Dandarê em outro tópico, perguntar não ofende e expor idéias também não. Bom realmente todos falam que não se pode iniciar marido e mulher porque vão virar irmãos e assim acabaria comentendo icesto, mas quero fazer uma pergunta tanto eu quanto minha noiva somos do candomblé, seguindo esta lógica minha noiva e eu não podemos ser iniciados pela mesma pessoa, minha noiva e filha carnal de minha mametu, pois bem, então quem irá iniciala será o zelador de minha mametu, no caso meu avo de santo, bom minha esposa não pode ser iniciada por minha mametu pelo fato que ela é filha carnal da zeladora e será minha irmã se santo, mas então ela sendo iniciada por meu avo será irmã de sua mãe carnal e minha tia de santo, mas opa, se não posso ter um relacionamento com minha irmã de santo pois somos uma familia como posso ter uma relação com minha tia?? Complicado não, espero que tenham intendido minha postagem.
Bom na minha opinião não há problema nenhum em iniciar marido e mulher muito menos iniciar seus filhos carnais, quando se é mãe vc esta gerando uma pessoa não um Nkisi, vc não está dando a luz a um Nkisi e sim a uma criança seu filho.

Espero que tenham intendido o que quis dizer, sei que foi meio enrolado, mas o que vale é a intenção, rsrsrsrs.

Jindandu mukinu ua enioso.

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Dandarê
Membro Pleno

Postagens: 210
Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 19/04/2006 3:46:00 PM

OBRIGADA AOS QUE ESTÃO PARTICIPANDO,ESTAMOS NO AGUARDO DE OUTROS TATAS, MAKOTA, TAT´ETU E MAM´ETU.

QUE FIQUE CLARO QUE O TOPICO É MERAMENTE EXPOSITIVO, NÃO SE PRETENDE CRIAR POLEMICA EM TORNO DELE, A IDÉIA ÉSIMPLESMENTE CONHECERO QUE A MAIORIA PENSA... VAMOS EM FRENTE...

JINDANDU

DANDARÊ

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