O QUE DEVE SER ENSINADO AOS MUZENZAS?
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Tópico: O QUE DEVE SER ENSINADO AOS MUZENZAS?
Dandarê
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 Postado em 06/02/2006 6:36:00 PM

Mimenekenu jipangi

Muitos não aprovam, outros ignoram, outros aprovam e já estão adotando o polemico Código Nacional de Ética. Mas, todos concordam que é preciso freiar os charlatões, que NUNCA passaram pelos ritos de passagem de um Candomblé de Nação e disseminam a nossa religião por aí afora sem o minimo de conhecimento obtido de fato e de direito, com titulos que NUNCA lhe foram conferidos por um Sacerdote ou Sacerdotisa legitimos. Até o momento, a forma mais eficaz, por ter respaldo juridico (pelo menos é o que afirma a introdução do referido), é o CÓDIGO DE ÉTICA DA FENACAB-Federação Nacional do Candomblé do Brasil.

Em que pese qualquer outra razão para discussão, neste tópico sugiro que seja discutido QUAIS OS ENSINAMENTOS QUE DEVEM SER DADOS aos Muzenzas ao longo do seu Ciclo Iniciático de 0 a 7 anos para poder receberem o seu Sacafunã Taramenso e abrir finalmente as suas nzo.

Fiquem em Paz

Dandarê

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Tata Toindé
Membro Pleno

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 Postado em 06/02/2006 7:53:00 PM

Mana, não sei se por falta de atenção de minha parte, ainda não tive acesso a este código de ética.....

Se o tiver, teria como postar aki para que eu possa desenvolver minha opinião sobre o assunto de acordo com o que vem proposto em tal código??

Caso não tenha, aguardo respostas e exponho minha opinião mesmo assim...

Abraços

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Makota Lembanilé
Membro Junior

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 Postado em 07/02/2006 6:26:00 PM

Mukuiú

Pelo pouco que sei sobre o código (sendo ele ao que se destina) ainda assim, creio que apenas o Tata do iniciado sabe quais os ensinamentos necessários para aquele indivíduo ter o direito de receber o seu Sacafunã Taramenso .

Somente um pai sabe como dar caminho a seu filho. Não há Lei que transforme qualquer tipo de educação em exemplo... não há uma educação perfeita no nosso dia-a-dia, tão pouco dentro da sociedade religiosa.



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Dandarê
Membro Pleno

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Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 08/02/2006 7:00:00 PM

Mimenekenu Jipangi

Eu já enviei uma cópia do Código de Ética da FENCAB para o Tata Toindé, a fim de que ele poste aqui no fórum e que todos possam ler.

Entretanto, chamo atenção para o fato: houve uma louvável iniciativa do Tata Kassuté (DE MARÍLIA, SÃO PAULO) no sentido de vir aqui em Salvador conversar com o Babalorixá e Presidente da FENACAB, SR. ARI, sobre alguns Artigos que ele e outros Tatas que o acompanharam na ocasião, julgaram que deveriam ser substituídos. (Nós lá em casa de meu pai tambem nos reunimos e concordamos com a proposição daquele grupo).

Pela importância do assunto e entendendo que a interferência transformou-se em vitória para todos os angoleiros, eu copiei e estou repassando para todos.:

1 - Não mais seremos sabatinados, pois toda Nzo terá um Conselho Religioso próprio e através dele é que será avaliado se o membro daquela comunidade tem ou não capacidade para assumir um cargo (em caso de Cuia). Este Conselho apresentará, então, um documento onde tal ato será legitimado.

2 - Conquistamos, também, um espaço junto a FENACAB, onde o Tata Kivonda Kewaanze ministrará cursos de kimbundo e kikongo. Espaço este que comporta em média 150 pessoas e vale a pena ressaltar que este trabalho já vem sendo desenvolvido dentro do Tumba Junçara pelo nobre Tata.

3 - Não mais precisaremos nos preocupar com o Hino de origem yorubana, pois estamos autorizados a indicar o nosso próprio. ou seja, nos foi concedido a liberação para que criemos o nosso próprio Código de Ética voltado para os povos de origem bantu e este será vinculado ao já existente.

Contamos, agora, com todos os irmãos, pois logo haverá um encontro em Brasília com o intuito de regularizar o Código de Ética.

Parabéns RITOS DE ANGOLA, pois sua existência teve uma grande contribuição na decisão da FENACAB.

Tatschi Nguzu !!!
Tata Nkasuté - Patriarca do Abaça Nkasuté Lemba Nzambi ke amazi



Se alguém souber do andamento do item 3 bem como do encontro em Brasília compartilhe conosco.

Jindandu

Fiquem em Paz
Dandarê








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KAMBAMI
Membro Iniciante

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Idade: 58 anosSexo Masculino
 Postado em 18/02/2006 4:42:00 PM

Makuiu forum

Penso que o que pode não, e sim o que deve ser ministrado ao iniciado de uma religião, pois uma vez iniciado a de se supor que o mesmo necessita dessa informação para a própria sobrevivencia do culto em si.
Acho um caso de qualificação e adaptação de cada um, fugindo um pouco do assunto mas, colocando uma história que se reflete ao determinado problema ou pergunta.

Um menino que na escola era considerado burro, imbecil, pois não se interessava nas aulas, foi submetido aos mestres e os mesmos resolveram leva-lo aos seus Pais, disendo que o mesmo era incapaz de aprender qualquer coisa(Uma parte da história de Albert Einstein).
Assim como a vida comum, a vida dentro do culto pode vir a ser semelhante, estariamos preparados para julgar como e o que deva ser ensinado?
Ou fazemos como os antigos que a cada pergunta um ensinamento, mesmo não sendo ainda o que determinamos como o certo, muitos primeiro tem que ter determinadas informações, para depois poder fazer a ligação com o que presencia.
Fugindo ainda um pouco do assunto mas ainda me utilizando para defesa do ensino sem restrições, quantos "sacerdotes", após abrirem seus Búzios, viram ao consulente e dizem:
-Filho tem que tirar esse Odú negativo de seu caminho, tem que dar comida a odu.
Pelo amor de Deus, onde aprenderam que existe um Odu negativo e que o mesmo come?
Como podemos dizer a muitos sacerdotes e sacerdotizas o que devem fazer para ensinar se a grande maioria não sabe as vezes escrever o próprio nome, são incultos, não tiveram ensinamento, a não ser o do culto, e por falta de preparo e de cultura não sabem identificar o certo do duvidoso, existem, sacerdotes que ainda acreditam que rato velho vira morcego.
Com isso não quero menospresar os mesmo, mas acho que tentar impor uma regra através de FENACAB, ou seja lá o que for, só terá serventia para as casas de pessoas que tiveram acesso a cultura não a verdade da religião no Brasil.
Esses velhos de santo mesmo não tendo cultura, ainda passam o pouco que sabem, com carinho, dedicação e amor, mesmo que seus ensinos sejam errados, pois foi assim que assimilaram.
Mas muitos que são instruidos, preferem selecionar seus filhos da seguinte forma:
-Os que tem uma boa posição social, recebe informações e é sempre bem vindo as rodas dos mais velhos.
-Os que não, acabam na cozinha como esquecidos, quase não tem tempo de participar das obrigações, pois estão sempre atarefados, ou fazendo comida para os irmãos, ou costurando, ou lavando as roupas e engomando.
Qual casa reune seus filhos para dar curso gratis sobre não só a religião mas a cultura da mesma?
Com isso abrem espaço para os vampiros de plantão, que com $1.000, recebem de "Arabas" africanos titulos que não poderiam ter, por razões obvias, falo isso de peito aberto pois eu mesmo só não recebi o título de Awofa, por entender que apesar de gostar do estudo sobre africanidade, meu coração e minha honra é Banta.
Meu sonho é um dia poder ter o merecimento de me tornar um Tat'etu, e poder conversar com meus filhos, de igual, com carinho respeito e passar a eles minha herança, meu orgulho de ter nascido dentro do culto Angola, conhecer não só sua cultura antiga como ter informações do povo atual, conhecer suas falhas, seus erros e não ter vergonha de falar, sim erramos quando agimos assim, mas agora que aprendemos sabemos que era errado, e não fazemos mais.
Concluindo:
O Munzenza deve ser encarado não como concorrente e sim como uma semente que bem plantada, ira crecer vigoroso e dar frutos bonitos, e não uma arvore amarrada, podada, queimada, sem adubo, sem água, sem luz, sem ar.
Como diz minha querida irmã Katulembe, a qual foi abençoada por ter uma mãe como Maza Kessy, a quem tanto adimiro, e que sempre me falou com tanto carinho, me utilizo de uma parte de uma entrevista de Katulembe a qual guardei com carinho, pois percebi o que é ser filha de um verdadeiro axé.

"Tuximana ni tusakidila o muenhu, o kudia kua izua ioso, o kukia ni o kulemba kia kala kizúa, o 'xi, i tu dikila. Tudilonga kubana nzonga kua makota ni tubana o kiabindamena dixá ni kizola kua jindenge".
Louvamos e agradecemos a vida, o alimento de todos os dias, o amanhecer e o anoitecer de cada dia, a terra que nos sustenta. Aprendemos a valorizar os mais velhos e dar a necessária atenção e carinho aos mais novos.(Katulembe)

Kandandu
Kambami





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Tata Toindé
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 Postado em 21/02/2006 7:41:00 AM

mukuiú manos do fórum.....

Parabéns mana Dandare pelo tema....

como já disse anteriormente em algum lugar neste fórum, em minha opinião entendo o processo iniciático da seguinte forma:

1- RODANTES - Passam por um processo de iniciação pertinente a cada casa. Uma vez iniciado, este terá, no mínimo, 7 anos para adquirir conhecimento sobre sua raiz e nação e sobre os dogmas de sua cultura, após o sakafunã, confirmar-se como um sacerdote.

2- NÃO RODANTES - pelo que aprendi não passam pelo processo de iniciação tal como o do rodante, este recebe apenas sua confirmação e a partir daí ganham título de Tata ou Mama.

Não há mérito nenhum nestas duas definições que dei pois todos nós sabemos disso. Mas a questõa é a consequencia de tais coisas.

Infelizmente somos presos a um processo de retenção de conhecimento dado a todos estes dois tipos de integrantes do nosso culto e aí entra uma contradição:

Um munzenza que tenha 5 anos de iniciado é vetado a participar de certos rituais e de ter certos conhecimentos. Tais rituais são abertos a não rodantes confirmados que tenham menos tempo de culto.
Reconheço que isto faz parte de nossa cultura e não condeno, mas a questão é:

Como a informação é retida para todos, temos que dentro do âmbito espiritual, o não rodante é escolhido e ganha da divindade o privilégio de se tornar um tata ou uma mama, mas o cargo, não significa que o mesmo tenha maior ou menor conhecimento sobre a cultura pois o conhecimento ele precisa obter na convivencia do culto.

Sendo assim, vemos que temos muitas pessoas despreparadas assumindo cargos que não podem ser dados a outras que possuem um melhor preparo.

Acredito manos que é isso que temos que consertar.

Cada qual no culto tem uma função e para desempenhar a mesma, se faz necessário um período de aprendizado que está precário em nosso culto.

Veja por exemplo o caso dos rodantes:

Nem todos que recebem a cuia, abrem casa.

Hoje, o que determina quem abrirá casa ou não é a questão financeira. No passado era a determinação da divindade.
Mas, independente de quem abria casa ou não, todos os confirmados tinham conhecimento das práticas e do culto.

Vejo um templo como uma instituição de ensino. Como um curso preparatória para a vida e principalmente para a prática do culto.

Sendo assim, acho que deve ser ensinado a um integrante do culto tudo aquilo que ele vai precisar a cada momento de seu culto.

Conheço Ogãs, Ekedie, makotas e kixicangomes que não sabem a ordem certa de se fazer o paó em suas casas de santo pq não passaram por isso. E o mais engraçado é que são eles que vão ensinar estas coisas aos rodantes iniciados.

Conheço Tatas que receberam recentemente a cuia que não sabem nem o que é e qual é sua raiz.

Outros que não sabem rezar nosso Ingorossi.

Salvo aqui manos, que em parte isso é culpa de nossos sacerdotes e em outras não.

culpo os sacerdotes pela retenção de conhecimento, mas em muitas vezes tb, alguns iniciados têm acesso ao conhecimento mas não querem aprender.

Neste caso só culpo o sacerdote que dá a este iniciado a cuia sem ao menos testar seu conhecimento.

hoje manos, vivenciamos fatos como a de uma pessoa que quer se iniciar no culto sem ter que estar sempre na casa de santo. Se esta pessoa paga bem, não tem problema. Ela raspa e só volta para dar suas obrigações de tempo.

e aí no fim, teremos mais um tata ou um mama assumindo um posto sem ter condições e Às vezes tendo melhor tratamento que um munzenza que está ali dia a dia mas não tem dinheiro pra pagar sua obrigação.

Sendo assim, neste ponto concordo com Lembanilé:

"Somente um pai sabe como dar caminho a seu filho"

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KAMBAMI
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 Postado em 25/02/2006 6:12:00 PM

Makuiu Forum

Acho que Tata Toindé, soube sabiamente sintetizar o que eu penso também, muitas das coisas que aprendi sobre minha Nação foram fora do meu terreiro, pois lá sempre diziam:Você ainda é Munzenza e tem tempo.
Ai pergunto quem determina o tempo?
Sabemos hoje em dia que muitos de nossos mais velhos se confundiam em leituras de jogo por não domina-los, não sabiam direito o que era aberto e fechado, e tantas coisas que hoje com estudo vejo como erraram.
Qualquer movimento dentro do culto deve ser precedido de rezas de invocações, e como fariam se não dominavam o dialeto?
Realmente há muito que se peneirar, há muito que acertar, há muito que estudar.
Meu avô nunca me proibiu de participar de um Sirrum,ou outro tipo de obrigação, mas alguns mais velhos da casa diziam que ele estava errado e que munzenza não participa de nada só tira pena de galinha e de cabeça baixa.
Só que até para tirar as penas da galinha e saber o que é axé do animal, você tem que entender sobre, como se ninguém sabia ou ensinava, cansei de ver oferendas faltando partes que não poderiam, ai como não podemos mostrar erros nos mais velhos, vem logo o refrão, Munzenza não fala, munzenza é pedra.
Realmente assim fica difícil.

kandandu
Kambami

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Dandarê
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 Postado em 27/02/2006 8:06:00 PM

Vaana Mbote Jipangi

Observo nos eventos, nas conversas com amigos, mais velhos e mais novos, nas postagens dos Fóruns por aí afora... que poder-se-ia dizer sem medo de errar: dentro do Candomblé de Angola existem hoje três tipos de comportamentos que norteiam as Casas onde se professam os cultos bantus:

1) aqueles que cultuam os Mikisi como aprenderam ao longo de sua pratica religiosa, sem questionamentos acerca de tudo que lhe foi ensinado, mas também sem esclarecimentos teórico-filosóficos; não perguntaram sobre suas dúvidas, portanto hoje, muita coisa não sabem responder;

2) aqueles que questionaram demais e não chegaram a obter os fundamentos de suas próprias Raízes porque se afastaram do Terreiro e milongaram com outras Casas e Raízes, onde lhes foi possível angariar conhecimentos; as vezes até antagônicos aos recebidos anteriormente.

3) os mansos e obedientes que cumprem suas obrigações e ritos de passagem, mas questionam sutil e parcimoniosamente, estudam, buscam o resgate: nos “mais velhos” de sua Raiz, não apenas com os de sua casa; nos livros; nos seus Oráculos, sem contudo desafiar a hierarquia da Religião, nem tão pouco os mais velhos que estão no “grupo 1”.


No meu entendimento, os membros do “grupo 3”, é um grupo de formação recente e que está em plena expansão. São os estudiosos do Candomblé de Angola e que seguramente, pela sua postura poderão dar uma nova performance à nossa identidade cultural, sem fuxicos, sem ofensas e sem constrangimentos.

Esses três grupos de candomblecistas se destacam com tanta nitidez, por uma razão natural: UMA REVISÃO DE VALORES, igual à que estão passando TODAS AS INSTITUIÇÕES HUMANAS. Estamos participando de uma verdadeira ebulição planetária... Estamos vivendo no ponto de mutação.

Xingar alguém de NEGRO MACUMBEIRO ou PRETO CAPOEIRISTA , dá cadeia... Hoje em dia, tanto o negro, quanto o macumbeiro como o capoeirista são cidadões e todos querem que seus filhos sejam doutores E ESTÃO SENDO... GRAÇAS AOS MINKICI.

As NEGRAS DO ACARAJÉ hoje fazem parte do patrimônio naciona!!!l...

O PAPA PEDIU PERDÃO AOS AFRICANOS PELA OMISSÃO DA IGREJA AO REGIME ESCRAVAGISTA!!! Enfim... vamos parar por aqui porque a idéia não é relembrar as mudanças ocorridas nestes dois últimos séculos! Na verdade o que pretendo é justificar as mudanças no candomblé enquanto religião e uma religião como qualquer outra.

É nessa perspectiva de “mudar para melhor” que a FENACAB quer dificultar as ações dos mistificadores, dos embusteiros e dos charlatões. Somente com registro numa Instituição pública, é que se pode coibir os “tatetus e mametus de araque” que nunca receberam tais cargos e agem com a maior cara de pau como se fossem de fato e de direito. Mas nós entendemos que a tarefa é árdua e quase impossível. Mas é preciso fazer alguma coisa...

As Casas sérias não têm o que temer. As mais antigas também não tinham pastas nem registros, mas logo entenderam a sua importância e trataram de botar no papel os fatos mantidos na oralidade com relação à entrada, desenvolvimento e saída dos seus filhos na Casa.

Para serem tombados tiveram que apresentar o seu memorial acompanhado de documentos que comprovassem a passagem das pessoas tidas como filhos de santo da casa. A valoração do registro está aí evidente. Um filho tem que ter nascido em alguma época, assim como um Tata ou Mametu riá Nkici, recebeu a sua cuia da maior hierarquia de alguma casa.

Quem não tem história não pode fazer a história de ninguém.

Então minha gente, o que é que custa ter uma pasta com os registros das obrigações anuais, outras individuais com os respectivos registros das obrigações realizadas em cada filho de santo? O que é que custa criar um Conselho em seu Abassá? O que é que custa registrar a sua Casa como uma Sociedade e registrar todas as suas obrigações? - Somente como Sociedade o Abassá pode requerer isenção de IPTU, contar o tempo de trabalho do Dirigente para no futuro requerer aposentadoria... ehhhh! temos direito sim.[/b]

Todo mundo se queixa da profanação dos nossos ritos, cantigas etc... mas como frear essas ocorrências, senão chamando à responsabilidade esses malfeitores? E como chamá-los à responsabilidade se não tivermos um Órgão juridicamente reconhecido para efetuar as sanções? Para aplicar a Lei? Como termos leis se não dermos força ao nosso Código de Ética?

O Código não está perfeito... Como sempre foi idéia dos Ketus e em tudo dele, se percebe a identidade Yorubá... ou melhor PERCEBIA... porque um pequeno grupo (pequeníssimo) se levantou contra a generalização dos Artigos. Cabe a nós angoleiros, colocar as nossas idéias para que outras correções sejam feitas.

Um dos artigos mais polêmicos foi o que falava da “sabatina”. Ora, se eu vou sabatinar alguém eu tenho que ter parâmetros, saber o que “eu ensinei”. Resolvemos parcialmente a questão: TODO ABASSÁ TERÁ O SEU CONSELHO DE MAIS VELHOS para julgar a competência do Muzenza.

MAS... ENTRE NÓS ANGOLEIROS É PRECISO QUE TENHAMOS MAIS UNIÃO, PARA TERMOS, PELO MENOS UMA IDÉIA DO QUE ESTÁ SENDO FEITO EM ABASSÁS CO-IRMÃOS, EM TERMOS DE PREPARO DO MUZENZA, DO INICIO AO FIM DO SEU CICLO INICIÁTICO.

NÃO ESTOU FALANDO AQUI DE UNIFICAÇÃO sempre cada casa terá a sua identidade, o seu Ingorossi diferente, as suas cantigas... mas, por exemplo, todo angoleiro precisa louvar o patrono de nossa nação!!! e outras coisas mais que podem ser inseridas, hoje, agora, porque são identidades culturais da Nação. Não vai mexer nos brios dos mais velhos. Se a casa não louva Kitembo e diz que é angoleira, o que é que custa assumir a omissão e passar a louvá-lo?

Vale a pena refletir sobre a questão.

FIQUEM EM PAZ

DANDARÊ




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KAMBAMI
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 Postado em 02/03/2006 11:01:00 PM

Mimenekenu Jipangi

Concordo com que Dandarê expôs também, mas fica uma pergunta:
Como saber quais casas, e por quem seriam observadas?
Falo isso pois muitas que se dizem Angoleiras, na realidade fazem somente alguns rituais, a famosa "Milongagem", não conseguem construir uma identidade e acabaram criando digamos uma segunda religião, que mistura o Candomblé de Angola com alumas coisas que prefiro nem descrever, pois não saberia a qual religião pertence, ainda devemos lembrar o problema que é claro para os cariocas(Rio), onde se percebe um afastamento entre candomblé kongo e Angola, para não citar suas referidas raizes, já que tal problema me parece que é só no Rio.
Aqui pelo pouco conhecimento que tenho, a entidade legitimada para fins religiosos, não funciona como deveria, pois não existe de fato uma fiscalização, desde que você pague a mensalidade, o resto não diz respeito a eles.
Creio que para solucionar tal problema, deveriamos ter como um lider de Nação Angola, um presidente nacional, e somente esse poderia endossar uma obrigação um cargo ou uma feitura.
Pois uma vez iniciado o Munzenza, se não lhe foi dado o que deveria de direito, o mesmo não seria confirmado, assim evitaria o correr para o Ketu, onde tudo é as claras, ou ainda que continuasse a milongagem, enchendo a cidade de casas que abrem, penduram um quadro com a foto do fundador e fecham depois de alguns anos.
Como seria essa verificação, como seria essa união, onde vemos cada qual dizer:"quem sabe sou eu"

Kandandu
Kambami

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Dandarê
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Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 03/03/2006 8:56:00 PM

Mokoiu mano Kambami

Mano vamos analisar o que vc diz:
"(1)Como saber quais casas, e por quem seriam observadas?Creio que para solucionar tal problema, deveriamos ter como (2)um lider de Nação Angola, um presidente nacional, e somente esse poderia endossar uma obrigação um cargo ou uma feitura.
Pois uma vez iniciado o Munzenza, se não lhe foi dado o que deveria de direito, o mesmo não seria confirmado(3) assim evitaria o correr para o Ketu, onde tudo é as claras, ou ainda que continuasse a milongagem, enchendo a cidade de casas que abrem, penduram um quadro com a foto do fundador e fecham depois de alguns anos.
(4) Como seria essa verificação, como seria essa união, onde vemos cada qual dizer:"quem sabe sou eu"


Com relação ao número (1): Saber-se-á quais as casas que trabalham certo mano pelos resultados... sempre não foi assim? quem julgará será a sociedade que usufrui dos trabalhos, a clientela. A diferença é que agora, a sociedade tem uma Instituição e um Código de Ética aos quais os faltosos serão "enquadrados". Mas ambos só terão força se nós lhes dermos essa força. É preciso manter contato, se fazer presente, buscar, procurar. Na verdade nós não temos essa cultura, mas é preciso forjá-la.

Com relação ao numero (2), particularmente mano, não gosto de papas, nem de presidentes, nem de chefes.... mas... numa terra onde muita gente só trabalha porque existe polícia, e numa religião onde muitos Zeladores "mandam" mais do que os Minkicis, sou obrigada a adimitir a importancia de uma LIDERANÇA para poder colocar "cada simio na ramificação arbórea que lhe compete", ou em linguagem menos pedante: cada macaco no seu galho...rsrsrsrsr.

Essas lideranças ( não Chefes), deverão surgir dentro de cada Instituição juridicamente implantada. Trabalharão em consonancia com as Comissões de cada Terreiro. Desta maneira cada casa, cada raiz continuará com o seu livre arbitrio para cumprir o que é certo. Sempre haverá alguém para lembrar que "o direito dele(a) como Dirigente termina quando começa o direito do outro. Naturalmente aqueles que se sentirem prejudicados irão "procurar seus direitos" junto a essas Instituições Estaduais. Portanto não há necessidade de ficar de plantão.

Muita gente vai dizer: onde já se viu política dentro do Candomblé? Bem... quem tiver uma idéia melhor que se manifeste, porque o Código JÁ É UMA REALIDADE... ou será que vamos permitir, MAIS UMA VEZ que os nagôs façam tudo e mais na frente vamos ficar "chorando, se isentando, acusando os mais velhos ou dizendo onde foi que eu errei?"

Com relação ao número (3)... finalmente alguém que concorda comigo quando digo que a literatura dos Ketus está aí nas prateleiras das Livrarias e que nem por isso eles temem que se vulgarize os seus fundamentos... por que serà??? ora minha gente, kussaka (ebó) sem hamba, sem axé é simpatia, não é kussaca. Para mim é o mesmo que "acaçá de pia"... (faz-se a mukunga e coloca as colheradas quentes em cima do mármore da pia, quando esfria vai "jogar" nos pés do , santo)... rsrsrsrsr. Alguém ensinou a fazer o acaçá, mas não lhe deu os fundamentos ...As apostilas ensinando a fazer axexé estão aí custando 200,00 ... quem é doido???está tudo lá, ensinando as "condições normais" e se de repente o egum não quiser ir embora???? não vi a resposta em nenhuma apostila (eu faço coleção de barbaridades... aí estou colecionando apostilas de feituras, de sassanhas etc... etc...)

Com relação ao número (4):... Mano a verificação será feita por quem ensinou ao Muzenza e demais mais velhos do Terreiro (se houver) ou algum parente. Contanto que se forme uma Comissão do Terreiro, é o que está dito lá. Eu, você Toindé, Ilma... enfim todos os manos que fazem parte da sociedade candomblencista angoleiro temos a responsabilidade de observar os resultados... NOTICIA RUIM CORRE LOGO... SE O MUZENZA NÃO CONHECE OS FUNDAMENTOS DE SUA CASA E DÃO A ELE(A) CARGO DE ZELADOR, mais cedo ou mais tarde, no minimo ele vai tropeçar. Cabe ao prejudicado denunciar. Ninguém vai dizer "quem sabe sou eu"... A Instituição, FENACAB ou outra qualquer, vai "apurar os fatos"; a depender do delito cometido se formará uma, ou várias Comissões...

Quem "criou" o Código foi a sociedade candomblecista; quem coordenou a primeira versão foram os Ketus, já existe uma segunda versão e com certeza outras virão até atender a todos.

É o que penso mano.

Aqui em Salvador, já temos outra instituição que trabalha pelos angoleiros, a ACBANTU. A mana Ilma pode nos dar informações a respeito. Aguardo mana.

Fiquem em Paz

Dandarê

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