AFINAL O QUE CULTUAMOS, NKICI OU ORIXÁ?
 PROGRAMA NOS CAMINHOS DE NZAMBI
 NOS CAMINHOS DE NZAMBI
 Candomblé de Angola/Kongo
 AFINAL O QUE CULTUAMOS, NKICI OU ORIXÁ?
  Registrar   Ajuda   Login

Tópico AnteriorTópico Anterior - Próximo TópicoPróximo Tópico
Tópico com 1486 visitas e 6 mensagens
Autor
Tópico: AFINAL O QUE CULTUAMOS, NKICI OU ORIXÁ?
Dandarê
Membro Pleno

Postagens: 210
Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 06/02/2006 6:09:00 PM

MIMENEKENU JIPANGI

Nossa... quantas discussões já assisti, já participei, já me envolvi nas discórdias geradas em torno do assunto... mas, de nehum dos grupos que se formaram para "encarar" o assunto pude colher uma resposta... fica sempre "no ar"...na subjetividade.

Eu gostaria, portanto, de propor essa discussão, deixando claro que, ao final de cada postagem o participante deve dizer O QUE CULTUA e qual a diferença entre nkici e orixá, na sua opinião.

É uma boa oportunidade para aqueles que dizem que orixá é diferente de nkici, explique tais diferenças, caminhos, makudiá etc...SEM EGOISMOS MINHA GENTE... QUEM TEM MAIS DÊ A QUEM TEM MENOS!

Aguardemos...

Fiquem em Paz

Dandarê


IP LogadoPróxima Mensagem
Tata Toindé
Membro Pleno

Postagens: 239
Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 06/02/2006 7:50:00 PM

rsrsrsrsrsrsrrs
Mukuiú mana....
olha nós aki de novo voltando ao assunto que acabou por nos aproximar.....
Mana, entendo que existe uma diferença muito grande, no que diz respeito à cultura, entre Nkise e Orixá, até mesmo devido a diferença de povos de onde cada divindade foi percebida.
Acredito fielmente (até que me provem o contrário) que esta diferença seja apenas cultural mas em ESSENCIA Nkise e Orixá seja uma mesma energia que por ter sido percebida em locais diferentes receberam um culto diferente em África, nomes diferentes e é claro forma de louvações diferentes.
Em se tratando de "o que eu cultuo" vou ser muito sincero com você, mana, aprendi a cultuar as divindades de uma única forma.

Aprendi que Orixá e Nkise são a mesma coisa. Não sou Ketu, não faço Ketu, mas infelizmente aprendi a cantar para Nkosi e em algumas cantigas citar o nome de Ogum.

Como a tendencia é sempre evoluir, hoje procuro cantar Angola sem citando apenas os nomes dos Nkises.

Como lhe disse certa vez, fui convidado para ser Pai pequeno de um Yawo de Elegbara numa casa de Ketu. Tive a oportunidade de assistir alguns fundamentos como a feitura, o corte e etc.

Tirando a parte das rezas e das cantigas, o que vi foi bem parecido com o que fazemos lá em casa.

Os rituais se pareciam muito.

Num dado momento do ritual, uma egbomi virou com yansa e (talvez por agradecimento ou respeito) me deu um forte abraço após ter colocado a cabeça no chão (o que correspondi com o mesmo ato). Fiquei muito emocionado com isso, mas pensei:

"Se sou um Tata Kambandu, confirmado na nação de Angola, e se Nkise é diferente de Orixá, então eu só conheço Nkise pois só louvo Nkise, sendo assim, como pode um Orixá totalmente diferente das divindades que cultuo ter reconhecido minha confirmação?????

Este mana, é apenas uns dos tantos motivos que me fazem acreditar que cultuo uma energia que por uma questão de cultura por uns é chamado de Nkise, por outros de Orixá.

Abraços a todos.

IP LogadoMensagem AnteriorPróxima Mensagem
Dandarê
Membro Pleno

Postagens: 210
Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 07/02/2006 6:20:00 AM

Mano Toindé

Sempre nos entendemos porque lemos a mesma cartilha: a da doutrina espiritualista...

Independente de cultuarmos nossos deuses, a partir da perspectiva do "legado africano" e não a partir da cultura banta da África, nós buscamos entender os fundamentos da nossa religião dentro da perspectiva tradicional sem contudo pararmos no tempo, isto é: temos a cabeça aberta às injuções contemporâneas.

Entendemos que A TRADIÇÃO QUE NÃO SE ATUALIZA NATURALMENTE AO CURSO DO TEMPO, MORRE COM A CIVILIZAÇÃO DE SUA ORIGEM. Tenho provado o que digo, trazendo para conhecimento dos mais novos, dos curiosos... enfim de todos os que buscam compreender a cultura do Candomblé, que muita coisa ficou lá no passado, porque nem no período da escravidão, quanto mais no mundo de hoje, a sociedade brasileira comportaria. Por exemplo: 4 a 8 anos (para os Advinhos, bem mais) de Ciclo Iniciático!!!! clitorisdoctomia, muzenzas seminuas, soltar o muzenza no mato para ir buscar sua nsaba, seu ngombo, alimentar nkicie com aves e animais que não se encontra mais... etc... etc...

Afora isso, tenho provado que a Ciencia Espirita, ao contrário do que alguns espíritas dizem, não desmente nem taxa de ignorante a iniciação africana nem a afro-brasileira. Muito pelo contrário, nela encontramos respaldo para garantir a sobrevivencia e legitimidade das concepções primordiais do culto africano.

Quando NOSTRADAMUS (vidente francês, mago, sabio) previu a primeira guerra mundial, ele se referiu a "gafanhotos gingantes, prateados que cuspirão fogo e de sua barriga sairão homens"!!! Quando veio a guerra é que constatou-se que os gafanhotos eram os aviões. Mas como falar do que não havia na sua época?

Da mesma maneira, como os africanos podiam se referir ao SER como NTU na perspectiva de fluido vital diferenciando-o do espírito??? são questões complexas para os quais o ser humano africano ainda não tinha atributos para entender. Os que foram da África para a França há séculos atrás, compreenderam, escreveram, porém muitos dos seus estudos e registros se perderam na guerra civil em seu próprio solo pátrio.

Por todas essas razões mano é que cabe a nós PROVOCAR A REFLEXÃO DE TODOS NÓS. Se vc perguntar a um católico o que ele cultua, as bases do seu culto, os sacramentos, a liturgia da missa ele sabe, se vc perguntar a um evangélico ele sabe, se perguntar a um judeu todas as questões inerentes ao Judaismo ele sabe...

No entanto, no Candomblé, mesmo depois dos 7 anos, com a obrigação respondida, poucos são os que sabem argumentar sobre a nossa religião...principalmente agora com o termino da guerra em Angola e a reestruturação da cultura. Muitos se sentem confusos pelas afirmações dos que dizem que nkici não é orixá e deixam "no
ar" sem explicar "onde" estão as características que fazem a diferença.

É por isso mano que foruns como este são importantes, e a nossa função é PROVOCAR A REFLEXÃO E A DISCUSSÃO.

Eu sei que aqui tem muitos Tatas que estão muito bem preparados para apresentar caminhos esclarecedores nesta discussão... a eles me dirijo encarecidamente que postem, que puxem os fios das meadas...

A nossa intenção não é sabatinar ninguém, nem tão pouco ensinar padre nosso a vigário. Mas, quem sabe precisa ter PACIÊNCIA e apresentar coordenadamente o seu entendimento. Da mesma maneira, quem ainda não se sente seguro, quem ainda não tem essa coordenação de idéias, precisa ser HUMILDE o bastante para perguntar, insistir até ficar tudo bem claro.

FIQUEM EM PAZ

DANDARÊ






IP LogadoMensagem AnteriorPróxima Mensagem
KAMBAMI
Membro Iniciante

Postagens: 40
Registro: 07/01/2006
Local: Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Idade: 58 anosSexo Masculino
 Postado em 18/02/2006 5:34:00 PM

Makuiu forum

A idéia e concepção da compreenção são as mesmas que ambos os Irmãos postaram realmente o que me falta ainda é talves a elaboração da resposta, pela falta de costume do convivio diario, torna-se difícil, apesar de participar de foruns e de salas de debate, não é a mesma coisa que vivencia-las dentro da nzu, com os irmãos e os mais velhos, aos poucos vamos perdendo o abto, como até o de reverenciar na chegada e na saida o de pedir licença, pois a net é fria, apesar de conhece-los por fotos e de perceber pelas dicertações que só quem realmente é um iniciado e velho no culto saberia se expressar, muitos na net tem mais de 15 anos e leram muito tornando-se difícil a um iniciado como eu as vezes identificar se realmente tratasse de um verdadeiro sacerdote ou um curioso de sucesso e de cultura.
Vida corrida e um pouco de relachamento, torna uma pessoa as vezes indisposta a ver coisas que talves julgue saber como é, digo isso não por ser um rodado de Candomblé, mas por eu ter um defeito muito grande, alguns dizem que é do "santo", outros dizem que é do signo Virgem(sempre procurando perfeição nas coisas), torna nossa vida difícil, pois uma vez tendo a informação e comprovada que a mesma é verdadeira, o aceitar o defeito ou a desinformação é inaceitável.Tenho varios amigos em varias Nações e todos eu tenho muito respeito, mas dai a me agrupar, tendo em vista que minha nzo fechou se tornou um grande desafio, adoro todos de coração, mas meu Nkisi ainda não me falou no coração o que eu quero escutar, "Essa é sua nova casa, pode dar continuidade"
Desculpa se fugi do contexto, mas gosto de falar mesmo,rsssss.

kadandu
kambami

IP LogadoMensagem AnteriorPróxima Mensagem
Dandarê
Membro Pleno

Postagens: 210
Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 10/05/2006 10:43:00 AM

Mimenekenu Jipangi

Fale irmão... fale sempre que precisar falar... O Senhor está entre amigos. Aqui neste forum, jamais uma conversa desgringolou em "vômitos de venenos" como vemos por aí em foruns e orkuts.

Estaremos todos nós sempre atentos com o taramenso da lei de Zambi. Preferimos "abortar" o assunto, nada responder e seguir em frente em busca de nossas metas.

Voltando ao assunto do tópico... eu tenho provocado, com toda a educação, COMO É MEU DEVER... (é... porque tem gente que acha que ser educado é frescura, é hipocrisia... não é não... entre pessoas como nós é DEVER) , mas as pessoas temem participar deste tópico... Ele está em quase todos os foruns de orkuts...e sai cada coisa que até Belzebu estranha!

Pois bem...Acredito que, ou nós transcendemos as nossas divindades ou então o candomblé não pode ser professada como religião universal. Será apenas uma seita que não suporta um aprofundamento maior que justifique a existência no mundo contemporâneo.

Se não transcendemos a idéia de divino que cada um representa independente da cultura, teremos que estar diretamente ligados à questão étnica-tribal, o que não é a nossa realidade dentro dos Terreiros de Candomblés! Nem mesmo nos cultos em África, quanto mais no Brasil com a nossa religião Candomblé !

Então, por exemplo, um filho do caçador... Se esta divindade não transcende a uma etinia-tribal, fica difícil!!! Até mesmo no Candomblé de Ketu teríamos um problema, pois a saudação de Oxossi (Odé), “ Okê – aro”, ressalta a família real que reinava na época da escravização!!! quando os negros africanos foram trazidos para o Brasil, e que era a família real Arô.

Pra mim, a divindade no Candomblé é transcendente. Não são imprescindíveis apurar a origem do culto que a ela se preste nem tão pouco a língua que para ela rezamos, etc.. O que é imprescindível é que cada um saiba com quem está conectado na comunicação da fala e da reza. Foi isto que os escravos fizeram quando se prostavam em “adubá” diante das imagens dos santos católicos minha gente! E nem por isso Orixá, Vodunci e Nkici deixou de vir a terra!!!!

Claro que manter nossas tradições é importante, pois cada tradição que morrer, é uma pedaço da história da própria humanidade e de como ela se organizou que morrerá junto! Amo minha raiz, prezo pelo nosso culto o mais "puro" possível, mas sem radicalismos ou extremismo.

E outra coisa... antigamente com a idade de iniciação que se tinha e por se ter mais chances de viver entre sacerdotisas e sacerdotes da época, os mais velhos tinham uma visão transcendental da religião e se sentiam aptos para iniciar filhos em qualquer tradição!!!! Isto era e é comum aqui na Bahia!!!. Uma casa de Ketu, por exemplo, raspa uma pessoa do Angola e para tirar o Muzenza, porque aquele filho era das terras de Angola, ai chamava-se e chama-se os mais velhos de uma casa tradicional para ajudar a puxá-lo no barracão.) Aos poucos tais costumes vão diminuindo pois cada um procura se aprofundar apenas na sua nação, mas era assim...

Segundo os meus “mais velhos”, que Zambi os abençoe com a vida e a saúde, a questão da identidade e sobrevivência das tradições afro-brasileiras eram mais importantes do que a sobrevivência simplesmente da tradição bantu ou da tradição yorubana ou qual fosse! Tinham esta idéia como algo transcendente, pois alguns até hoje ainda perguntam : "ah, o seu caçador é feito no ketu, no Angola ou é Brasileiro?".

Vejam que está explícita a idéia de uma divindade arquétipa deste Divino Ser que protege as matas, as caças, que defende as aldeias e providencia o alimentos, a fartura, e que independe da liturgia em que a iniciação se deu!

Fiquem em Paz


IP LogadoMensagem AnteriorPróxima Mensagem
Ngunza
Membro Iniciante

Postagens: 2
Registro: 12/06/2009
Local: Brasília - DF - Brasil
Idade: 2017 anosSexo Masculino
 Postado em 14/07/2009 4:57:00 PM

Bença aos mais velhos e mais novos?
Em primeiro lugar, quando se trata de fé não dá pra ser radical e dizer que é assim ou assado. A prova disso é que mesmo uma religião que tem suas bases em um livro sagrado, comoa cristã, tem suas divergências. Para uns Jesus é Deus, para outro não. Para uns Deus é triuno, para outros não.Para uns Maria continuou virgem depois do nascimento de Jesus para outros não e assim vai.
Este é o primeiro ponto que tem que ser levado em conta: a fé pessoal e como cada um ver e manifesta a sua fé. Se para uns Ndadalunda e Oxum são iguais. Assim é. Não vai ter um espaço no Duilo para este e outro para os que acham que são diferentes.
Outra questão é como o candomblé foi (re)construído. Cada um deu sua parcela e sua contribuição. Outro dia uma pessoa do candomblé de ketu me interpelou dizendo que "engraçado, você é tão angola e Ndandalunda em sua casa é igual a Oxum" E eu lhe perguntei, mas quem disse que Oxum, nas suas terras originais africanas se veste igual a Oxum Brasileira, com toda influência estética do século XVII? e lhe expliquei que quando da (re)construção do culto a Oxum/Ndadalunda/Azirí Tobossi, etc.. cada um contribuiu com o que tinha e coma visão que tinha e que na Oxum da casa dele tinha tanto da visão que nossos antepassados bantu tinha de sua divindade mãe d'agua, quanto na nossa ndadalunda tem da oxum deles.
Não nascemos em nenhuma tribo africana. Não somos etnicamente ligados a nenhuma tribo. Somos brasileiros e fomos agraciado com a presença e o conhecimento destes seres divinos, que são, em ultima instâncias, faces da manifestação divina. Assim é Deus.
Também não podemos esquecer que nossos Nkisi, principalmente não são diretamente ligados a um ancestral histórico, a exemplo dos Orixás, onde Xangò era um rei de Oyò, e Ogum é um heroi nacional na nigéria em sua etnia. O que não descarta a possibilidade de transcendencia, já que nos mitos de criação eles já apareciam, então vemos que tem uma pre-existência ao mundo objetivo.

Pelo menos na nossa concepção afro-bantu, os Nkisi são manifestações divinas que não estão ligados necessariamente a um ancestral humano.
Então, o que diferencia o Orixá, do Vodum ou do Nkisi, basicamente, considerando seus níveis mitológicos e suas áreas de atuação, é o momento da iniciação.
Deus manifestado como energia pura, na hora da iniciação se torna uma entidade (toma personalidade e consciência). Se foi lhe dado uma consciência de Nkisi é Nkisi, se foi de Orixá é Orixá e assim sucessivamente. Mas vai Deus que se manifesta nas águas, nas matas, na natureza humana, etc...

Espero ter me feito entender. Acho que me empolguei.. risos

Mba Kukunda Ngana Nzambi Mpungu - Louvado seja Deus Todo Poderoso.

Tata Ngunz'tala
francgunzo@gmail.com

IP LogadoMensagem Anterior
 Todos os horários são de Brasília (GMT -03:00)
 Nova Mensagem desde a sua Última Visita.
[***] Palavra proibida pelo moderador do Grupo de Discussão

Tópico AnteriorTópico Anterior - Próximo TópicoPróximo Tópico

Volta para o Topo da Página



Forum Now! - Criar seu forum grátis