REFLEXÃO SOBRE A NOSSA IDENTIDADE CULTURAL
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Tópico: REFLEXÃO SOBRE A NOSSA IDENTIDADE CULTURAL
Dandarê
Membro Pleno

Postagens: 210
Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 02/02/2006 9:03:00 AM

QUERIDOS IRMÃOS

Vamos pensar e refletir mais uma vez, efetivamente sobre a nossa identidade cultural? Vamos analisar como estão se sentindo os nossos irmãos que numa roda de de amigos, se sentem pouco a vontade para afirmar que são angoleiros dada a prevalencia nagô em suas vidas?Vamos ver o que é e o que não é possivel inserir em nosso meio?

Pois bem, foi com estas reflexões que escrevi esse texto abaixo e espero que TODOS SE MANIFESTEM COM SUAS OPINIÕES SEJA ELA QUAL FOR.

Mas, por favor vamos ter cuidado para manter essa conversa sem ferir ninguém para que ela possa ser longa e proveitosa.

1. A medida que fui lendo sobre a cultura bantu, fui também refletindo sobre a questão: alguns rituais de passagem e costumes, poderiam ser resgatados atualmente pelo Candomblé de Angola como “jóia perdida”?

2. Esteve nas páginas dos jornais do mundo inteiro, por ocasião do das comemorações do Dia da Mulher, anos atrás, novamente no ano passado e ainda este ano de 2006, a critica veementemente, em forma de denúncia aos povos do mundo participantes da ONU, a prática do ritual de passagem da puberdade feminina em países da África subsariana, principalmente na África do Sul!

3. É por costumes e ritos como este, que alguns africanos, pensaram em instituir uma forma de culto, que todas as etnias pudessem praticar em solo brasileiro mantendo vivas suas tradições.

4. POR DETERMINAÇÃO DIVINA, (eu creio nisto) duas princesas de Oyó e Sacerdotisas de Sangó, as ex-escravas, Obatossi e Yanassô, foram à África e trouxeram Bamgbosé para ajudá-las nessa realização. Tinham consciência do perigo que o choque cultural significava se mantivessem os seus costumes no culto aos seus deuses. Sem duvida foi um trabalho árduo, extremamente delicado em que se procurou construir, a partir de uma análise criteriosa da tradição mantida pela oralidade até então, uma liturgia apropriada ao Brasil.

5. Teria sido impossível manter o culto a Ibéji, por exemplo, que determinava a morte de um dos gêmeos! Da mesma maneira, o transe de expressão foi substituído pelo transe de possessão.
Aqueles transes expressavam na face o impacto da manifestação completamente desordenada, traduzindo em verdadeiras deformações, as caras horrorosas que os eleguns assumem depois de algum tempo que estão dançando para seus deuses, lá na África! Por conta disso, muitos missionários, curiosos, que assistiram as iniciações em África disseram que eles “recebiam o diabo".

6. A exposição dos seios das iniciadas para Oxum e Yemanjá, foi substituída por vestes européias, naquela época símbolo de poder aquisitivo para todos, inclusive para os negros libertos, rendas e bicos bordados, blusas de bordado aberto sobre o “camisu”, anáguas engomadas etc. Em todas as nações de candomblé se encontra tais vestes, portanto não indica a identidade de nehuma nação!

7. A substituição dos animais e a forma de sacrificá-los, tudo isso foi adequado à uma nova realidade (antes, entre nós e mais para trás na África, se copava os bichos de um só golpe de facão, para que não sofressem).

8. Hoje, muitos adeptos do candomblé de angola buscam resgatar o que ficou no passado, através de relatos de mais velhos ainda vivos, de livros e de relatos dos irmãos que visitam a África,ou que de lá nos vistam, em busca de uma identidade cultural que caracterize o Angola com a relevancia de seus costumes. A peneiragem não é em busca da pureza, o que a esta altura é impossivel, e sim, afastar a prevalencia nagô. Mas, sabemos que muita coisa resgatada, ou melhor, achada nas buscas, não poderá ser inserida em nossos ritos,pelas mesmas razões que muitos deles foram se perdendo. CHOQUE CULTURAL.

9. Brevemente, quando avaliarmos, o quê e quem resgatou, quem mudou, o que será que veremos?
A) - Possivelmente uma linguagem mais angoleira; mas certamente não se adotará a língua de suas reais descendências, porque a esta altura, ninguém tem certeza de qual era. Creio que a linguagem do Candomblé de Angola ficará em torno do Kimbundo e Kicongo. São as línguas mais conhecidas para nós, porem apenas 2/3 da população de Angola falam as referidas!

B) - Os ritos e suas finalidades serão os mesmos ou alguém irá incluir na iniciação a kutunda após a circuncisão ou a clitoridectomia? – Claro que não!

C - E com relação ao oráculo? Quando será que algum Tat´etu riá Nkisi prescreverá suas mesinhas a partir do ngombo? Isto sim, nos daria uma identidade singular entre os candomblés de nação e seria base segura para todas as demais alterações e mudanças. Para mim é o resgate mais precioso que temos que fazer, paralelamente ao uso exclusivo de uma lingua bantu!...

Bem manos, VALE A PENA DISCUTIRMOS NÃO É?

Fiquem em Paz
Dandarê




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Tata Toindé
Membro Pleno

Postagens: 239
Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 03/02/2006 4:52:00 AM

Cara mana Dandare e manos do fórum.....

Mukuiú.....

Muito interessante a questão levantada e creio que teremos muito pano pra manga nessa discussão.
Bom......
até onde aprendi, uma das características de nosso candomblé é a forma pelo qual ele é passado às gerações.
Vejamos:

O candomblé é passado através da oralidade e tendo em vista que o q é importante é o que se é ouvido ou visto, creio que esta importância se dá no momento em que a informação é absorvida, ou seja, a melhor forma de se obter e aprender o culto é vendo e vivenciando.

Uma kota (ou Tata), recebe o ensinamento e a tradição (da casa) de seu Tata ria Nkise enquanto o mesmo está em possibilidades de passar. O que ela (ou ele) aprende com total maestria é o que foi visto e vivenciado.

É como a brincadeira do telefone sem fio: "A informação é uma no início da fila e nunca chega igual no final."

O que temo hoje é muito diferente do que veio da África, até porque já chegou diferente devido a impossibilidade de muita coisa e a adaptação a terra nova.

Infelizmente, só podemos resgatar muita coisa através de achados e pesquisas que nos leva melhor à informação, mas daí a aplicar estas coisas no culto que temos aki hoje a meu ver é um pouco complicado.

Observem uma coisa:

Se analisarmos friamente, diríamos que o ritual de uma iniciação segue sempre uma mesma forma e calendário, mas sabemos que dependendo do que possa acontecer, tudo pode ser diferente na feitura de um novo iniciado.

Isso porque podemos sempre ser surpreendidos por algum acontecimento diferente e que poderia mudar tudo.

Agora, se resgatamos um ritual que não vivenciamos, como poderemos fazer se algo acontecer diferente do tradicional???

Como sabem, entendo e aprovo que devemos recuperar parte de nossa língua relativo ao candomblé de Angola em algumas palavras usadas no dia a dia de uma casa para que assim possamos ganhar melhor nossa identidade, mas não sou muito a favor de mudar o radicalmente o que aprendemos.


Esta é minha opinião, o que não quer dizer que não possa mudar no decorrer deste tópico.....

abraços em todos

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KAMBAMI
Membro Iniciante

Postagens: 40
Registro: 07/01/2006
Local: Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Idade: 58 anosSexo Masculino
 Postado em 18/02/2006 9:13:00 PM

Makuiu forum

Esse foi um dos motivos de eu ter tirado a cadeira de um determinado "Babalawo" aqui do Rio, quando depois de ele ter se colocado como o dono da verdade, o detentor do poder, o certo em tudo, me utilizei de seu próprio ensinamento, e comecei a rebatelo, com seus próprios mandamentos ou os que Ifá prega.
Mostrei a ele de cara que dos dez principais mandamentos de Ifá ele em apenas uma postagem, quebrou ou invalidou o que deveria ter respeitado. Não me lembro direito quais foram os nº dos mandamentos mas dos dez ele quebrou de cara 7.Ou seja de Babalawo não tem nada, ai pergunto se não o é pois não teve argumentos para um simples Munzenza, como pode ser agraciado nos meios dos Candomblecistas como tal?
Quando lhe falei que respeitava o jogo de Ifá mas não o considerava como o mais sagrado ou o verdadeiro que não falha, lhe perguntei, como ele tinha certeza de sua afirmação e ele me respondeu que sem os Ikins(coquinhos sacralizados de dende)ou o búzios ninguém era capaz de iniciar ou ditar algum preceito.
Foi quando lhe perguntei, e o que o Sr. tem a dizer sobre o jogo de Ngombo, não utilizamos coquinhos nem búzios na leitura e sim varios artefatos(tupeles), esculpidos em pau preto, muitos pós, garras de animais, dentes, unhas e etc...
Foi quando o mesmo sem argumento disse que, realmente era um motivo para rever seus conceitos. Pura falsidade, mas um mandamento quebrado, após isso começou com ataques, tentando me ridicularizar dizendo que tinha me apropriado indevidamente de suas apostilas, que me dizia ser Angola mas me detria de meu dialeto para escrever em Yorùbá.
Foi quando lhe rebati mais uma vez dizendo a ele que por se tratar de uma sala de cultura Yorùbá, em respeito falava em seus dialetos para ser compreendido, o mesmo achou que era mentira, e mostrei a ele que se eu escrevesse em Kimbundo o mesmo não saberia nem interpretar a primeira linha, fiz isso e ai o caldo virou, disse que eu era mal educado por escrever em um dialeto sem a devida tradução, mas fiz isso para mostrar a ele que, eu não era um sacerdote, muito menos um Babalawo, mas tinha conhecimento das 3 principais linguas da cultura Africana, o Kimbundo, Yorùbá e Ewe-fon.
Por esse motivo acho primordial o resgate de nosso jogo, sou um dos que com o auxílio ou não dos membros tradicionalistas irei resgatar isso é uma meta minha, um sonho, um presente que quero dar ao meu povo.
Apezar de não estar atuante e nem pertencer a uma família tradicional(raiz), me orgulho e defendo com garra minha Nação.
Por esse motivo sou aberto a propagar o que sei, não vejo mal nisso, foi a única forma que achei de passar um pouco do conhecimento aos que não podem pagar os vampiros de carteirinha, que se valem de titulos e prestígio para manipular e cobrar caro por fundamentos que poucos tem acesso, como é o caso de quem domina o Sirrum ou Asèsè, que não ensinam mas cobram até 15 mil para realizar um, isso é profanar, não o fato de falar sem pudor da religião mesmo que digam que não pode, eu não cobro eu aprendo e passo a quem vejo merecimento.
Muita coisa deveria mudar em nossa religião, não com arrebate de um dia para o outro mas aos poucos com sabedoria com paciência, entender que estamos no século 21, e o que nossos ancestrais querem é que progredissemos e não ficassemos estáticos ao tempo, sem evolução, sem novos conceitos, pois se assim ficarmos estaremos repetindo o que os Católicos fazem, só não queimam mais as bruxas porque virou crime capital matar outro semelhante, mas matam de outra forma, aliciando jovens de sucesso promissor nas portas da faculdades, ou será que ninguém viu a matéria sobre o "Opus Dei", e o pior o louco do criador Josemaría Escrivá (1902-1975) foi beatificado em 1992. Foi canonizado no dia 6 de outubro de 2002 por João Paulo II.
Não vamos nos tornar uma igreja católica, cheia de prostitutas, bebados, viciados, estelionatários, pedófilos e tantas atrocidades que as religiões encobrem, vamos ser transparentes e falar mesmo mostrar a cara, corrigir o errado, e não ficar fumando o cachimbo e mantendo a boca torta.

Kandandu
Kambami

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