KIZOMBA RIA NKISI
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 Candomblé de Angola/Kongo
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Tópico: KIZOMBA RIA NKISI
Tata Toindé
Membro Pleno

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Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 21/01/2006 9:40:00 PM

Mukuiú a todos do fórum.....
Mana Dandare....
vejo que trouxe até nós uma possibilidade...
ainda estamos engatinhando em nossas buscas, mas acho que já estamos no caminho certo, pois começa a surgir soluções, ou pelo menos propostas para as mesmas.
Aproveitando-me de sua idéia, venho para melhor discutirmos e quem sabe aprimorá-la.
Vc disse:
No meu entendimento, o que temos entre nós aqui no Brasil, tradicionalmente praticado, e que mantêm as nossas casas de pé há mais de 50, 100 e 200 anos, dá perfeitamente para ostentarmos a nossa identidade cultural angola/conguês, SE NOS UNIRMOS PARA FAZER O RESGATE ENTRE NÓS MESMOS. Se conseguirmos essa façanha!!! aí no futuro... quem sabe... talvez seja possível irmos mais além, como por exemplo, implantar o NGOMBO em todas as casas de angoleiros!!!.

Acredito mana, e aqui exponho minha opinião acerca do tema, que nossa religião, diferente de todas as outras, possui um universo complexo de estilos diferentes, mesmo quando se trata de duas casas de uma mesma raiz, vemos que ainda assim estas casas são diferentes em alguma coisa.
Ao meu ver isso até vem a ser, de certa forma, positivo, pois cada casa que nasce é uma evolução de nosso culto (claro, exceto àqueles que acabam por praticar coisas que possam ser classificadas como ilícitas no que diz respeito aos nossos dogmas).
Sendo assim, unir as raízes e tentarmos achar um denominador comum para que todas possam ter uma igualdade de culto, acho que acabaria com a magia e a beleza de nossa religião.
Imagine que tivéssemos uma bíblia e todos tivessem que seguir os mandamentos de uma forma igual para todos.
Mana, ao meu ver nosso culto é repleto de diferenças pq quem conduz uma casa é um zelador e por trás dele tem um nkise, ou orixá, ou vodu e etc.
Ou seja, nosso culto é conduzido por uma energia....
seja esta energia uma força da natureza ou um ancestral divinizado, o que podemos com certeza afirmar sobre energias é que nenhuma é igual a outra ainda que estejam a uma mesma frequencia e venham de uma mesma fonte.

O que Maria Neném aprendeu, passou um pouco diferente para os seus.
Mameto kizunguirá aprendeu com Maria Neném, assim como Bernardino e Ciriaco, mas cada um deu continuidade de uma forma diferente, até mesmo por conta da história de cada um no culto.
E tenho certeza que Sr Passinho faz alguma coisa diferente de mametu Kizunguirá, pois mesmo tendo recebido tudo dela, o Nkise é outro, a história é outra.
E assim as raízes vão adquirindo cada vez mais particularidades.

O que vejo para um melhor futuro mana, é que todos os irmãos do culto da nação Angola/kongo se respeitem mutuamente e respeitem as diferenças de cada casa.
O problema é que na maioria das vezes achamos que o que aprendemos é o certo e o que vem diferente disso tá errado.
Acredito sim que quando as diferenças forem aceitas e com elas o reconhecimento de uma casa (ainda que milongada) como casa de angola, teremos muito que aprender uns com os outros.

Mas hoje o que vejo é uma peneiragem.
Se minha casa é milongada, então não é Angola!
Se sou descendente de Rufino, então não sou Angola pq Rufino se bandeou para o Ketu.
E o que acontece:
Como muitos são rejeitados por sua própria nação, vão procurar abrigo em outra.
E no ketu é diferente.
Se vc é ketu, então vc é aceito como ketu por seus irmão independente das diferenças.
Mas no Angola, hj vivemos uma realidade de que pra uma casa ser considerada "tradicional de angola" tem que louvas Nkondi, Funza, e fazer rituais que só conheço de nome pq casualmente vi na internete, mas sinceramente nunca vi ninguém fazendo.

Desculpe-me escrevi muito, mas concordo em mudar sim no que diz respeito às expressóes básicas usadas em nossas inzos e que usamos de outras nações.
Se podemos saudar um Nkise em kimbundo, então acho que isso pode ser mudado.
Se podemos usar os nomes dos cargos ou dos rituais em kimbundo, isso tb não vai quebrar o encanto.
mas precisamos aprender a respeitar as diferenças....
um forte abraço em todos...
bjs mana Dandare... (tava com saudades destes nossos debates)


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Dandarê
Membro Pleno

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Registro: 19/07/2005
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 Postado em 24/01/2006 1:29:00 PM

Mano Toindé

Disse você ManoToindé:"Mas hoje o que vejo é uma peneiragem.
1.Se minha casa é milongada, então não é Angola!
2.Se sou descendente de Rufino, então não sou Angola pq Rufino se bandeou para o Ketu.
E o que acontece:
3.Como muitos são rejeitados por sua própria nação, vão procurar abrigo em outra.
4.E no ketu é diferente. Se vc é ketu, então vc é aceito como ketu por seus irmão independente das diferenças."


Em primeiro lugar esclareçamos que MILONGA é uma coisa, PREVALÊNCIA é outra. Se alguém chega em qualquer Terreiro, sem saber de antemão qual a nação, é natural que se procure os dados que o identificam. Há que ser observado os costumes que prevalecem ali. Entretanto, se o Terreiro é de Angola, porém o que prevalece são os costumes do Ketu, ou vice versa, aí o visitante pode se enganar... porque, nesse caso, não é uma simples milonga... há uma indevida prevalência! Com isso não quero dizer que seja esse o seu caso, nem o da sua casa... Absolutamente. Estamos articulando para que as coisas fiquem bem claras.

Eu numerei acima para facilitar. Pelo que está dito na frase 2, noto que está havendo um mal entendido. O fato de você ser descendente de Rufino, pode não lhe identificar, logo de imediato, como angoleiro porque a história dele é controversa mano... ele não se bandeou apenas; ele MUDOU DE ÁGUAS mesmo!!! Deixou os filhos do angola para seguirem seus destinos e confirmou novos Ogãs e Ekedis para continuar a sua jornada por um novo caminho. Aí é preciso esclarecer, quem descende das águas dele, de antes, ou depois que ele mudou para o Ketu. Agora pelo fato da milonga, não, porque todos nós temos milonga em nossa vida de candomblé.

Outra coisa que é preciso esclarecer, é que ELE NÃO FOI REJEITADO PELO ANGOLA! Ele foi chamado atenção, por razões que não me cabe comentar, se aborreceu com os mais velhos dele do angola (DÁmburaxó de Miguel Arcanjo), largou tudo e foi procurar o que ele achou que era melhor. Até o seu terreiro de angola que ficava no local onde moravam também seus familiares, foi vendido. Hoje é um posto de gasolina. Ele foi se estabelecer lá no Alto do Peru, longe do local anterior.

NÓS ANGOLEIROS NÃO REJEITAMOS NOSSOS FILHOS NÃO MANO! NÃO SE PODE DIZER QUE TEMOS ESSA HISTORIA, SÓ PORQUE UM RESOLVEU FAZER DIFERENTE DOS COSTUMES.


A nossa história, conta muito carrancismo no passado, muita exigência, muita tamancada pela cara, muito feitiço, muita altivez misturada com orgulho, mas o bantu, mesmo escravo é o povo africano de mães e pais mais amorosos ... veja a minha postagem sobre a iniciação da púbere feminina... a Muzenza é beliscada, humilhada, passa frio, tudo para aprender a se defender das intempéries da vida e tomar sempre a melhor atitude nas querelas domésticas onde ela deve ser muito feliz. É assim que eles educavam e pensavam que estavam fazendo o melhor. Eu tenho Zelador vivo que conviveu com Mam´etu Kizunguirá, tem fotos dela com todos os seus familiares, irmãos de santo, e me conta sobre as tamancadas dela... Meu pai é um homem lúcido, inteligente e documentado e a amava e respeitava como poucos filhos dela .

Mas mano, se alguém se diz do ketu e for num terreiro ketu para se comportar como angoleiro... tenha certeza que eles vão querer ajustar isso melhor. Repito:a questão não é a milonga é a prevalência.

É para que prevaleça a nossa cultura, que se estabeleça a nossa identidade, é que temos participado de foruns como este.

NÃO DEVE INTERESSAR A NINGUÉM FAZER CRÍTICAS, NO SENTIDO DE INTERFERIR NA MILONGA OU NA PREVALENCIA DE NENHUM TERREIRO.

Entretanto, se as pessoas se interessam em saber a opinião de quem está nas trincheiras dessa luta pela prevalencia de nossa identidade, nós devemos opinar, escolhendo bem as palavras, esclarecendo os maus entendidos e sobretudo, dizer o que pode ser provado, para não ser confundido com desrespeito às diferenças

Fiquem em Paz

Dandarê




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KAMBAMI
Membro Iniciante

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Idade: 58 anosSexo Masculino
 Postado em 24/01/2006 10:07:00 PM

Makuiu forun
O problema é e os filhos de Rufino?
Como são ou foram tratados pelos seus após a desistência do memso em proseguir com o culto Ngola?
Não obtivemos notícias ou pelo menos não ouvi ninguém mais se referir a isso, será que ficaram com vergonha?
Será que foram banidos também de forma desqualificativa?
Ou será que também foram todos para o Ketu?
A uma frente aqui no Rio de Janeiro, que divide os Ngola, entre kongo e Angolas, porque isso, tendo em vista que são muito parecidos, como unir um resgate se ambos já estão se separando e cada qual se achando o verdadeiro herdeiro dos Ngola?

Kandandu
Kambami

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Dandarê
Membro Pleno

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Registro: 19/07/2005
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 Postado em 25/01/2006 5:32:00 PM

Vaana Mbote

De minha parte, não tenho problema com nenhum angoleiro, principalmente com parentes. Portanto, os filhos de Rufino até onde ele foi, como angoleiro, também são meus parentes.

Meu pai foi raspado, catulado e pintado, por Mãe Vitoria, filha de Miguel Arcanjo (da raiz D´Amuraxó) como Rufino... por isso eu tenho alguns dados sobre ele.

Quando Mãe Vitória kufou,(com 106 anos mais ou menos), tinha dado o Sacafunã Taramenso ao meu pai. Ainda muito novo, fez a obrigação Luvanu Nvumbi com Mam´etu Kizunguirá, que já vinha orientando meu pai há algum tempo, tendo em vista estar perto de meu pai e a Mãe Vitoria estar bem distante e muito doentinha há muitos anos. Foi ela quem firmou os duilos do terreiro de meu pai e
ensinou-lhe o que não deu tempo de Mãe Vitoria ensinar.

É por isso que eu estou correndo com o meu... para não milongar com mais ninguém. Lá em casa nós temosa milonga de Mãe Vitoria (que carregava a dos Ketu[antiguissimo] e D´Amuraxó), a de Mam´etu Kizunguirá (que carregava a do Jêge e a do Tumbenci). Entendeu mano? rsrsrsrs

Passo a palavra a mano Toindé, com todo respeito.

Fiquem em Paz

Dandarê

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Tata Toindé
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Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 26/01/2006 9:27:00 AM

Mukuiú mana Dandare.....

Vejo que a forma pelo qual postei deixou de certa forma uma mal entendido...

Vejamos...

Vou explicar em minhas postagens os trechos retirados pela senhora:

Mas hoje o que vejo é uma peneiragem.

Mana, construímos um fórum em que se pudesse ter liberdade de expressão e pudéssemos falar do culto sem medo de ser julgado pelo que se pratica e graças a Nzambi, estamos conseguindo isso.
Mas sabemos mana, que nem sempre é assim. Lembra-se do lugar em que nos conhecemos??
Lá, por exemplo, é feito de certa forma, uma " peneiragem" dos participantes que possuem suas dúvidas mais comentadas e coisa e tal. E não é apenas lá, como o próprio mano Kambami citou aki no RJ está existindo um movimento de separação das casas que cultuam Angola para as que fazem um culto de origem Congo. Nesse sentido é que direcionei a "Peneiragem".



Se minha casa é milongada, então não é Angola!
Hoje, infelizmente mana, as coisas estão tomando este rumo.
Estive conversando certa vez com um Kambandu que é muito conhecido aki no RJ, portanto não convém citar seu nome.
Ele me dizia que tinha pesquisado muito sobre o culto e sobre a língua e que suas pesquisas o teria levado a conhecer a ritualísticas das principais raízes de nossa nação. Apesar disso, ele nunca tinha ouvido falar no Amburaxó [que entre falar que aki no abassá de Jagulenã somos descendentes do Beirui (que foi um bairro) preferimos falar que fomos descendentes do Amburaxó].
O mesmo me disse que em relação à Nação de Angola, ele sabia dizer exatamente se uma cantiga existia ou era invenção. Pois se existe, tem que ter sido igual ao do tombeisi de maria neném e com os vocábulos corretos. (não quero aqui estender a discussão para o ponto de quem acha correto ou não o que é feito no tombeisi, mas apenas estou exemplificando a afirmativa que fiz acima). Portanto, sei que não é o caso da senhora e nem dos manos do fórum, mas no geral, é o que tem acontecido nos dias de hoje. Algumas pessoas acreditam realmente que se uma casa é milongada, então não é angola, e a senhora, assim como eu, sabe bem disso.



Se sou descendente de Rufino, então não sou Angola pq Rufino se bandeou para o Ketu.

Bom mana, ouvi muito destas coisas. Ouvi muito dizer que "Raiz de Beiru" é raiz da nação Ketu. Quando estava em busca de nossas origens, todos os descendentes de Rufino que encontrei levam à frente o Ketu.
A senhora lembra do tópico que postei num outro fórum e que se chamava "Raiz de Beiru", o mesmo ficou vagando por lá por mais de um ano até que se encontrasse uma resposta mais precisa e a mesma veio com sua entrada e que reconheço e agradeço, foi a porta para que eu encontrasse informações sobre minha raiz.
Quanto ao fate de meu avô de santo "Untalange" ter recebido a mão de Rufino antes ou depois de Rufino ter bebido das águas do Ketu, isso realmente eu não sei.
O que sei é que o que chegou até nós foi o Angola. E se veio de Rufino, segundo o q nos contam, se o que recebemos de Rufino foi o angola, então a mesma só pode ter vindo por parte de Miguel Arcanjo (por isso, mana, prefiro dizer que sou da raiz Amburaxó).


E aqui acho que foi o maior mal entendido:
E o que acontece:
Como muitos são rejeitados por sua própria nação, vão procurar abrigo em outra.
E no ketu é diferente.
Se vc é ketu, então vc é aceito como ketu por seus irmão independente das diferenças.
Mas no Angola, hj vivemos uma realidade de que pra uma casa ser considerada "tradicional de angola" tem que louvas Nkondi, Funza, e fazer rituais que só conheço de nome pq casualmente vi na internete, mas sinceramente nunca vi ninguém fazendo.


Mana Dandare.....

... talvez a proximidade das postagens possa ter ajudado a formar o mal entendido.
Quando postei sobre a rejeição no trecho "Como muitos são rejeitados por sua própria nação, vão procurar abrigo em outra.", não estava me referindo a Rufino. Não sei ao certo o que aconteceu nada que eu julgue, vai mudar a situação em que nós (descendentes que mantemos o Angola) ficamos.
Quando citei este trecho, fiz alusão aos dias de hoje. A rejeição é feita justamente pelos motivos citados acima.
Se o teu próprio povo diz que sua casa não é legítima de angola pq vc chama Nkise de Orixá e etc.
Há um tempo atrás, a maioria dos angoleiros chamavem Nkise de Orixá. Não existia o que existe hoje. Vemos pelas nossas cantigas que a milonga é indiscutível. Então me referi ao fato de que infelizmente hoje, estas diferenças herdadas por muitos não é respeitada e faz com que nossos próprios irmãos que poderiam se tornar militantes do resgate, se afastem e prefiram continuar com o que estavam fazendo antes, senão mudar de vez para uma outra nação.
O que acontece é que com esse comportamento de que "o que eu aprendi é o certo e todo o resto errado" afasta cada vez mais os outros de nós.
Quando uso o o pronome "nós" é pela força do hábito, pois aprendi a se fizer uma crítica, incluir-me nela. Mas não quer dizer que estendo isso a vcs mana.
Conheço bem o trabalho que muitos manos têm desenvolvido e sei da respeitabilidade de todos eles.
A intenção da postagem foi falar do Respeito às diferenças., pois torno a dizer, ao meu ver seria o melhor caminho para nossa nação.


No mais, um forte abraço a todos...







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Dandarê
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Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 26/01/2006 10:35:00 PM

Querido Irmão

É CONVERSANDO QUE A GENTE SE ENTENDE... NÃO É VERDADE?

O forum ao qual se refere mano tem como objetivo específico o "resgate"(????) da cultura bantu.Éisso que está lá na apresentação deles. Então, ao meu ver, quem vai para lá, deve coadunar com os mesmos ideais, não é verdade? Agora, o que eu não gostei e por isso me retirei, foi com a condução da proposta, que aliás, no inicio, logo que entrei, me pareceu que seria bem diferente. Apesar de tudo, mesmo depois da minha saída, recebi da Kota Niboji, Administradora do forum, o maior apoio em palavras de admiração, respeito e consideração o que é absolutamente recíproco.

É diferente do nosso que é um forum eclético... há espaço (tópicos) para a expressão de todos os adeptos das religiões afro.Inclusive para, os que, como eu, gosta de investigar a cultura bantu.

Sei que tenho um jeito muito sincero de colocar as minhas idéias e relatos sem nunca ofender. Nem mesmo, despertar qualquer insulto a quem quer que seja. Isto foi desenvolvido com técnicas de letramento e escrita. Por isso vivo "puxando" os manos para essa forma de escrever. Mas eu tenho consciencia do meu papel como pessoa e reajo (às investidas) como inclusive, já aconteceu aqui no forum.

É tão comum se vê desavenças por pouca coisa que as vezes nem se acredita que há pessoas boas, generosas, tranquilas e capazes de amar os seus mais velhos e irmãos como eu amo, como vc ama, como a Ilma ama entende mano? aos poucos, com as conversações, a réplica, a tréplica, as pessoas irão nos conhecer e quem sabe até procurar fazer igual. Ainda bem que meu pai está vivo. Temos recebido visitas muito agradáveis, mas eu sei que no inicio, alguns manos (os mais descrentes), se deslocavam de suas cidades, vinham aqui "ver se as maravilhas que eu falava da minha casa era verdade". E ainda tem alguns que têm o displante de duvidar e dizer mano...rsrsrsrsrsr

Eu tenho orgulho de dizer que sou filha de Pai Passinho, que sou neta de Mam ´etu Kizunguirá e bisneta de Maria Nenem, parente de Tata D´Oxá, parente de Tata Otuajô, sua parente, parente de Ilma, e de tantos outros que não estão por aqui, neste forum, porque, além da minha natural sensibilidade para amar e respeitar, o meu Zelador me incentivou a amar os meus mais velhos e aos meus irmãos mais novos tambem, assim como incentiva a todos.

Eu tenho muito prazer de conhecer pessoalmente a ITANA D´AMURAXÓ, que mora no meu coração, assim como a MAM´ETU LEMBAMUXI (sobrinha neta de Maria Neném) e ainda a sua mãe carnal DIKOTA KAJAMUNGONGO. São simples, hospitaleiras, sinceras, honradissimas, competentissimas em suas respectivas casas... mas todas MILONGADAS minha gente.

Atualmente todas estão empenhadissimas em aprimorar a questão da lingua. As rezas, de fato, sempre prevaleceu em 99% o bantu, como entre vocês. Mas as danças são milongadas e todo muindo dá adubá como todos damos. De vez em quando um fala Ogum, Oxalá,etc... mas as jinsaba são nossas, do angola. Agora estão aprendendo as lendas, buscando o significado das Diginas no Dicionário que ganhamos do Ministro da Cultura de Angola... e por aí vai.

É COMO EU DIGO MESMO GENTGE... A PREVALENCIA É DO ANGOLA EM NOSSOS TERREIROS DE CANDOMBLÉ DE ANGOLA(e a cada dia os Dirigentes se esmeram para aprender a lingua bantu. Nnguem sabe se o Kimbundo é ou não a lingua dos seus mais velhos... mas é bantu.

OUÇO DIZER QUE EXISTEM POR AÍ ASSENTAMENTOS DE NKICI COMPLETAMENTE DIFERENTE DOS NOSSOS, [b]PORÉM ISSO NÃO ME PREOCUPA MESMO. SE ESTIVESSEMOS ERRADOS O KAVUNGO DE MINHA BISAVÓ MARIA NENEM NÃO ESTARIA MAIS EM NOSSAS ÁGUAS, LÁ NA CASA DE LEMBAMUXI!!!


E É BOM ESCLARECER QUE A RAIZ DO AMBURAXO, APESAR DE TER SIDO FUNDADA POR ESCRAVOS DO KETU, DO ANGOLA ENSINANDO AOS INDIOS DA REGIÃO A CULTUAR NKICI, PREVALECEU O ANGOLA, NAS REZAS E NA LINGUA EM GERAL. SE NÃO FOSSE, MINHA BISA MARIA NENÉM NÃO TROCAVA LINGUA COM MIGUEL ARCANJO. ERAM AMIGOS E VIZINHOS DE TERREIRO.

Fiquem em Paz.

Dandarê




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KAMBAMI
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 Postado em 29/01/2006 8:23:00 AM

Makuiu forum

Concordo com o que Tata Toindé expôs, também sei que ele por ter tido um contato por e-mail comigo ao qual relatei todos os problemas que passei, compreendeu perfeitamente a minha posição.

Concordo que todo resgate é e deva ser estudado e repassado, o que não concordo é quando alguém se intitula o resgatante e com isso sai "pisando" na cabeça de todos pelo fato de ter tido assesso a melhores informações.

Sabemos que todo resgate não pertence somente a uma pessoa ou família, existe uma colaboração de centenas de pesquisadores, e sabemos também, que a grande maioria dos resgatantes no Brasil, apenas colhem determinadas informações, catagolizam e alguns até traduzem, podemos ver isso em obras Brasileiras, que percebemos a quantidade de livros pesquizados. Isso ao meu entender, não coloca a pessoa em situação de se achar os donos da verdade, os verdadeiros pesquisadores, vivenciaram pessoalmente suas pesquisas, como Pierre Verge, que em uma frase se referiu dizendo, "População papaguaio", por ter ficado descontente com pessoas que ou deturparam o que o mesmo escreveu, ou se utilizaram para galgar fama dentro do contexto do Candomblé.
Já me debati com uma dessas pessoas que são do "resgate", e que me condenou chamando meu avô de ignorante e que o significado de minha dijina era "Meu Amigo".

Com isso desmereceu todo o aprendizado que temos de entender que nossa dijina tem fundamentos mais profundos do que podem imaginar. Nosso nome não é brinquedo, ele é dado da maneira ao qual somos apresentado, ou pela nossa personalidade, ou pelo o que podemos vir a ser. ai eu pergunto, que tradicionalismo é esse que não respeita o fundamento basico da liberdade de entendimento.

Irritado rebati com ela e disse que o que valia era o que meu pai tinha me dito e não o que ela pensava ser, por sorte vim a conhecer Katulembe que me fez um grande favor de pesquisar e mostrar que meu Pai tinha razão, segue abaixo a resposta que Katulembe me enviou sobre seu estudo.
“Em kimbundu existe o verbo kuamba( cujo radical é -amba). Colocando o prefixo Ka a frente do radical teríamos KAAMBA, que por contração (duas vogais A), passa a Kamba. (A pessoa ou individuo que fala, no caso o filho, devida a conotação familiar). Quanto a terminação que segue (o MI de Kambami), pode ser a forma acoplada e contraída do pronome possessivo ami(meu). No caso dos nomes próprios, devido a tratar-se de pessoas, assumem (podem assumir) as regras da classe I, onde encontram-se os entes racionais. Assim veja que poderíamos escrever Kamba uami, ou Kamba ami (neste caso sem o prefixo de concordância U), ou a forma contraída Kamb'ami. Traduzindo ao pé da letra , teríamos "Falador Meu", ou sendo chamado (nomeado) assim diretamente por seu Pai, "O filho que fala por mim" ou quando outra pessoa refere-se a vc, diria então que é (o filho que fala pelo pai)”.
Este mesmo trabalho pode ser visto em uma obra de Tomás de Aquino, metafísica Bantu, ao qual o mesmo descreve o porque dentre tantos nomes que podemos chamar Deus, usamos mais o Nzambi, com o radical verbal “amba”, dizendo que assim conhecemos Nzambi como o que profere a palavra o verbo.
” Dessa classe é-nos familiar Ngambi, o linguarudo (de amba, falar). É interessante observar que o sufixo verbal -ela (Quintão, 83; Valente, 207) indica finalidade, motivação; daí deriva ngambela, engambelar, falatório para obter algo; falar e falar a fim de...
Deus, criação e falar no pensamento de Tomás de Aquino[9]”


"O unvama ua atu ni kukondama o ifua ia 'xi iâ".
A riqueza de um povo é seguramente a sua cultura.

Kandandu
Kambami


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Dandarê
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Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 30/01/2006 8:24:00 PM

Prezados Manos Toindé e Kambami

Compreendi as respectivas colocações e explicações.

Ainda bem que agora TEMOS O NOSSO FORUM!!!!

OS RESGATES QUE FIZERMOS, SEJA ENTRE OS COSTUMES DE NOSSAS NZO, SEJA ENTRE OS LIVROS DE LITERATURA OU TEXTOS DISPONIBILIZADOS NA INTERNET, TRADUÇÕES ETC...podemos analisar, interpretar, discutir sobre eles, sem JAMAIS chamar ninguém de ignorante, sem brigas nem ofensas, GRAÇAS A ZAMBI!!!

Retornando ao assunto específico do tópico, estive conversando com o meu pai sobre a fogueira de Zazi, e ele me disse que o ritual do fogo cósmico, ou raio, representado pela fogueira e suas faíscas, segundo a mãe de santo dele, é milenar entre os bantu e que eu procurasse algo a respeito nos livros. Como até o momento não encontrei, se algum de vocês encontrar, me passem por favor.

Abraços

Damdarê

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KAMBAMI
Membro Iniciante

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Registro: 07/01/2006
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Idade: 58 anosSexo Masculino
 Postado em 30/01/2006 8:46:00 PM

Makuiu Dandarê

Tenho em meus pertences uma lenda de Nzaze, ao qual resalta exatamente o seu poder, espero que sirva como um exemplo.

Nzazi
Não Conseguindo Se Estabelecer Por Causa De Seu Carater Violento E Imperioso, Nzazi Se Fez Estabelecer Pela Força Pois Os Moradores Não Aceitavam Seu Método De Julgar E Condenar A Morte Ladrões E Mentirosos, Fazendo A Ordem Se Manter Pela Violencia.
Depois Que Se Estabeleceu O Reino Se Tornou Prospero E Graças Aos Conselhos Que Lembarenganga Lhe Dava Todas As Vezes Que Visitava O Amigo, Tornou Nzazi Menos Violento.
No Reino De Nzazi Haviam Muitos Cavalos E Carneiros Que Ele Fazia Questão De Supervisionar Cuidadosamente, Mas Um Dia Saiu Em Busca De Novas Conquistas Com Seu Exército Montado Em Seus Melhores Cavalos E Suas Terras Foram Invadidas Por Ladrões Que Roubaram Todos Os Carneiros E Os Que Não Puderam Levar Foram Mortos. Quando Nzazi Ficou Sabendo Do Acontecido Voltou A Seu Reino E Lá Encontrou Apenas Um Casal De Carneiro Que Conseguiu Escapar Do Massacre. Nzazi Então Levou O Casal De Carneiro Até O Reino De Lembarenganga E Pediu Que O Amigo Cuidasse Deles Até Sua Volta, Pois Iria Ao Encalço Dos Ladrões, E Assim Fez Lembarenganga Que Os Levou Para O Duilo Em Segurança.
Durante Muito Tempo Nzazi Procurou Pelos Ladrões Que Aterrorizavam Aldeias E Reinos, E No Alto De Uma Montanha Sagrada Que Cuspia Fogo, Encontrou Com "Uiangongo" ( Aquele Que Tinha O Poder Do Fogo), Diante De Tamanho Poder Nzazi Se Curvou E Foi Interrogado: O Que Faz Na Montanha De Fogo????
Então Nzazi Respondeu : Venho Em Busca De Ladrões Que Saquearam Meu Reino E Mataram As Criações...
"Uiangongo" Então Lançou Mão De Um Pó Mágico Que Entregou A Nzazi E Disse : Este Será O Seu Exército Contra Os Ladrões, Quando Os Avistar Lance Sobre Eles O Pó Mágico. Nzazi Agradeceu Maravilhado Por Tanto Poder E Continuou Sua Busca, Tempos Depois Encontrou Com Os Ladrões E Enfurecido Lançou Sobre Eles O Pó Mágico Que Se Transformavam Em Pedras Encandecentes Que Dizimou Todos, E Os Que Conseguiram Escapar Das Pedras Foram Massacrados Por Nzazi .
Durante Toda A Busca Dos Ladrões Nzazi Percebeu Que Um Ruido Vinha Dos Céus ( Duilo ) E Cada Dia Que Passava Este Ruido Aumentava : Kabrum, Kabrum, Kabrum... Então Se Dirigiu Até O Reino De Lembarenganga Para De Volta Resgatar O Casal De Carneiros Lá Deixado Em Companhia Do Amigo, Ao Avistar Lembarenganga Perguntou Dos Animais E Lembarenganga Explicou A Nzazi Que Ele Havia Ficado Muito Tempo Fora E Que Os Carneiros Procriaram E Aquele Barulho Que Ouvia Eram Os Carneiros Travando Batalhas E Cabeçadas , Pois Seus Chifres Faziam Enorme Barulho Kabrum, Kabrum..
Lembarenganga Devolveu Todos Os Animais A Nzazi E Lhe Fez Uma Advertencia, Como Os Carneiros Haviam Sido Criados No Duilo ( Céu ) Não Mais Poderiam Servir De Comida A Ele E Seus Descendentes, Nzazi Atendeu O Pedido E Deixou De Presente Ao Amigo Um Casal De Carneiros Que Até Hoje Se Houve No Céu Suas Batalhas Kabrum, Kabrum..
Chegando No Reino Nzazi Advertiu A Todos, Não Comam Mais Deste Animal, Pois Ele Agora É Sagrado,Todos Perguntaram A Nzazi Como Ele Havia Dizimado Os Ladrões, Então Contou A Todos Do Pó Mágico Que Havia Ganho De "Uiangongo" E Que Trouxera Um Pouco Com Ele, Mas Com Medo Que Alguem Roubasse, Nzazi Então Decidiu Guarda-Lo Em Segurança E Não Encontrando Lugar Algum Seguro Para Tamanho Poder, Resolveu Engulir O Pó, Nzazi Então Começõu A Soltar Lavaredas De Fogo Pela Boca E Pedras Encandecentes Queimaram Quase Todo Seu Reino. Nzazi Então Foi Obrigado A Se Isolar, Pois Toda Vez Que Ficava Irado Fogo Lhe Saia Pelas Ventas E Pedras De Fogo Eram Lançadas Em Todas As Direções, Seus Suditos Então Reconheceram Seu Poder E Só Lhe Chamavam Em Ocasiões De Perigos , E Nzazi Atendendo Ao Pedido Dizimava Exércitos De Ladrões Com Sua Fúria E Pedras De Fogo...

Sua fonte não me foi passada, apenas o autor da lenda(Léo Vicente dos Santos), não sei de que livro ou se o mesmo é escritor.

Kandandu
Kambami



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KAMBAMI
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 Postado em 30/01/2006 8:50:00 PM

Makuiu grupo

Informo também que irei me ausentar por no máximo 3 meses, por motivo de viagem, mas assim que voltar estarei presente ao forum.

Um grande abraço a todos e meus respeitos, até breve...

Kambami

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