KIZOMBA RIA NKISI
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 Candomblé de Angola/Kongo
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Autor
Tópico: KIZOMBA RIA NKISI
Ilma
Membro Iniciante

Postagens: 31
Registro: 20/07/2005
Local: Salvador - BA - Brasil
Idade: 60 anosSexo Feminino
 Postado em 21/08/2005 5:48:00 PM

Atôtô babá,
Calma meu Tata,

Mukuiu

Vamos "Resgatar"

Ainda não podemos peneirar o que está misturado.

Com meus respeitos e profunda admiração.

Ilma


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Ilma
Membro Iniciante

Postagens: 31
Registro: 20/07/2005
Local: Salvador - BA - Brasil
Idade: 60 anosSexo Feminino
 Postado em 21/08/2005 5:48:00 PM

Atôtô babá,
Calma meu Tata,

Mukuiu

Vamos "Resgatar"

Ainda não podemos peneirar o que está misturado.

Com meus respeitos e profunda admiração.

Ilma


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Tata Jambonan
Membro Junior

Postagens: 78
Registro: 12/07/2005
Local: Belford-Roxo - RJ - Brasil
Idade: 53 anosSexo não informado
 Postado em 22/08/2005 12:10:00 PM

Mukuiu jipangi.

Me perdoe todos que tiveram que ler, o meu desabafo, e minha rigida visão. Mais uma meia dúzia tem realmente que ler, proucurar entender, e respeitar, as pessoas, suas casas, sua raiz.
Eles pregam uma coisa, se dizem sabios, detentores de "ASÉS PUROS", no entanto lá dentro, no escundidinho, entre poucas pessoas, eles cultuam MISTURAS, JOGAM POR ODÚ, TIRAM EBÓS DE ODÚ, TEM IGBÁ ORY, CHAMAM NKOSI DE OGUM, REZAM COISAS DE OUTROS ASÉ, OU AINDA HERDAM CARGOS QUE OBTIVERAM NELAS, TROCANDO APENAS O NOME, e pensam que os outros não sabem, não é que não sabemos, apenas respeitamos a pessoa, sua casa, seu asé, seus antepassados.

---------------------------------------------------------


Mama Ilma, sei que não faz parte desta meia dúzia, mais também sei que esta meia dúzia, vai entender o recado, mesmo que se faça de rogado, o capús servira, tamanho côr e número exatos.

kolofé, mutumbá, asé ô. rsrsrsrsrsrsrs JAMBONAN


------------------------------------------------------------


Mama Ilma, meus respeitos a ti e todos que o faz merecedor.
E para os que não merecem, meus respeitos igualmente.


A minha eduação independe a da deles. Ganhei no berço de palhas em que nasci.

Lami mujitu e kioso, Jambonan.( Apenas um muzenza melhorado. )


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Kalunga
Membro Junior

Postagens: 56
Registro: 02/08/2005
Local: Santos - SP - Brasil
Idade: 51 anosSexo Feminino
 Postado em 27/08/2005 12:28:00 AM

Mimenekenu kiami jipange

Mano Jambonan, ótimo assunto esse seu, muitos falam que somos cópia (plagiadores), uma Umbanda melhorada, etc., engraçado que só falam, ninguém assina nada, só comparam de lá pra cá, nunca daqui pra lá (tendeu?). Mas, eu também gostaria de saber onde está escrito, registrado e oficializado que dentre os vários dos rituais praticados por nós seguidores da Nação de Raiz Angola e Congo são oriundos (alusões) de outras religiões, porque não ao contrário? Seria porque os praticantes de outras matizes africanas são mais abertos por isso se tem a idéia que nós que plagiamos? Onde está essa certeza que renomeamos seus rituais? Não poderiam ser alusões da própria essência primitiva?
O fato é que a história registra, que foram os bantu os primeiros a chegarem no Brasil. Estudos científicos e antropológicos comprovam claramente que os rituais praticados na África, assemelham-se de tribo para tribo, de país para país, enfim, como por exemplo, os elementos utilizados nos fetiches, colares sagrados, comidas, vestimentas, comportamentos e algumas particularidades culturais, pois até as divindades cultuadas têem princípios muitas vezes idênticos, o diferencial é agudamente notado no que diz respeito ao dialeto, este sim, comprovadamente inserido em nosso vocabulário por N motivos: facilidade na locução, absorção e por vários recursos dentre eles cursos específicos do dialeto, e com isso se propagou, enquanto os bantu coitados, não tiveram a mesma, digamos, sorte, pela falta de quem os divulgassem e pela falta de material didático, sem contar a falta de interesse (esse é por minha conta ... ).
Eu mesma não tenho como confrontar informações entre as religiões, pois não tenho conhecimento dos rituais deles, o pouco que sei é porque me foi repassado, e além disso, e desculpem a sinceridade, não tenho interesse algum nas práticas alheias.
Em minha casa, os ensinamentos dos rituais eram e são repassados em vias de fato (pormenores), ou seja, nas oferendas mesmo, não sei o costume das demais casas, e creio que essa seria a forma mais adequada de propagarmos o que nos pertence, misturados sim, sempre, porque praticar a religião com pureza, nem daqui pra lá e muito menos de lá pra cá.
Dizem que não, mas hoje em dia comprovadamente, podemos dizer sem medo de ser feliz ... Temos origem sim ..., faltam interessados nas buscas, e as bocas de siri (causadoras desses ditames) poderiam ter colaborado mais, vamos seguir fazendo a nossa parte, boca de siri e bala nos dedos, vamos trocando informações.
Enfim, acho interessante essas comparações, porque se alguém também comprovar tais fatos, então seremos todos seguidores da outra religião, porque nem dominamos o dialeto bantu mesmo, mas estou comentando do que a maioria tem conhecimento, e não das muitas novidades contemporâneas praticadas hoje em dia, tenho de me atualizar, para a IURD é que eu não vou, meus ancestrais eram judeus, e lá tem tudo no livrim.

jindandu

PS. Moderadores, a minha ausência nesses dias se deu por fator trabalho.

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Kimbandami
Membro Iniciante

Postagens: 6
Registro: 14/11/2005
Local: Ananideua - PA - Brasil
Idade: 30 anosSexo Masculino
 Postado em 20/11/2005 1:00:00 AM

Olá Mukuiu
Lá vou eu ...

Resgate, algo que bonito diante os sacerdotes candomblécistas, pois envolve uma questão de aprimoramento, estudo, novos conhecimentos, o porquê de tudo, etc... Mas eu acho que está havendo um equivoco, pois muitos estão fazendo isso voltado ao culto africano , ou melhor pelo culto lá na AFRICA . E não é bem assim.

SINCRETISMO: sistema filosófico combinado os principios de diversos sistemas ; ecletismo amálgama de concepções heterogêneas ;(gram.) é fenômeno gramatical que permite a uma mesma forma exercer várias funções que normalmente , cabem a outras .

Fonte: novo dicionário escolar da língua portuguesa.

Sou estudante do convênio , pelo o que já li sobre o negro aqui no Brasil, no momento posso chegar a seguinte conclusão :

PURO , algo longe da realidade candomblécista . Costumo sempre dizer à algumas pessoas que ñ existe Ketu puro , Angola antigo , Jeje Puro, etc...

E sim o Jeje Antigo , o angola antigo , o Ketu antigo , etc...

Sabem por que ?? dos negros escravos para os dias de hoje , todo o conhecimento sobre culto afro;todo o conhecimento do candomblé, foi criado e passado para nossos pais , MISTURADO . O negro Bantu por exemplo, quando ele estava em senzalas , mocambos , engenhos , etc... quem estava no lado dele era um negro Nagô, um negro fon , etc... quando ele fugia eram esses caras que algumas vezes ia no lado dele , pra piorar a situação , quando ele conseguias escapar dos capitães, dava de frente com um Mocambo , cheio de várias espécies de negros de origens diferentes , que alguns já tinham até se convertido ao catolicismo . Sem falar do índio .

Agora é claro pessoal tem coisas que vemos em Inzo , tipos dialeto; expressões yarubanas ou de outras origens , isso eu ñ aceito . Dialeto não , agora o culto , não tem jeito , o modo como fazemos ou querer separar OMOLU DE NSUMBU , dizer q são coisas antagônicas,também ñ aceito . Também ñ digo que são os mesmos . Mas não quer dizer que irei louvar Nsumbu com ATôTô , nada contra mas é apenas uma questão de querer aprofundar-se no assunto . É aquela veha estória , não é errado mas também ñ é certo ; poder pode mas ñ deve .

Não somos obrigados a saber e falar o dialeto de cabo a rabo não é isso pois o Nkisi , Orisá , etc aqui no Brasil , ele não tem obrigação de saber o dialeto . Mas...

Sobre o tópico realmente é intrigante rsss

Isso envolve outros assuntos também , tipo :

Quando eu , nós vamos à uma casa, um Ilè , quem aqui ñ se abaixa no chão , pede a benção de seu Tata , etc ... quando se canta para OSOSI, OMOLU , YEMONJÁ , OSALá, etc... ????

Quem ??

São estes ritos , Kukuana e outros que são feitos comparações com outras nações , tipo os atos dos Jinkisi ... existe um de Kafunje em é entoado um muimbu e ele morre , canta-se o outro e ele renasce . eu tinha as cantigas de ketu em que Omolu faz issu , e tenho as de Angola e pelo o q me foi passado ele também faz .

Abração ...Que Nzambi nos ilumine . !






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Dandarê
Membro Pleno

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Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 20/11/2005 6:50:00 AM

Mimenekenu jipangi

Que bom... estamos nos "desarnando"... o termo é antigo mas é brasileiro mesmo, conhecem? rsrsrsrsrsrs

Bem vou postar o que normalmente se deve fazer em casas de Candomblé Angola/Congo, traduzido p/o kimbundo. Encontrei rudo organizadinho na internet, porem creio que qualquer Zelador poderá apreciar, criticar, acrescentar na relação que segue:

KITUMINU INZO IANGOLA KONGO

(Obrigação nas casas de Tradição Angola / Kongo)



Muanguna Uá Kisaba – Rito de separar folhas
Kudibala Koxi Kisaba – Rito de caída sob as folhas
Kudia Mutue – Comida a cabeça
Mutue Kudia Mahinga – Cabeça come sangue
Kuenda Maianga – Ir para o banho ritual
Kuendenkua Uá Maianga – Reza para maianga
Sakulupemba – Sacudir com folhas
Kuhandeka – Rito de iniciação
Kitanda – Ir ao mercado
Kadianga Mivu – Primeiro aniversário (renascimento)
Katatu Mivu – Terceiro aniversário
Kuia – Sétimo aniversário
Kakuinhi Iéia Mivu – Décimo quarto aniversário
Kamakuinhi Kadianga Mivu – Vigésimo primeiro aniversário
Leri – Segredo dos antigos
Ndanka kua Nkosi – Jura de nkosi
Pangu Ni Nvumbi, Mukondo – Rito para alma do morto
Pangu Ni Makulu – Rito para os antepassados
Kifundamenu – Rito para proteger a casa de culto e dar de comer ao guardião
Kituminu Pangu dia Mulange – Obrigação e rito do vigilante
Kituminu Ngamba – Obrigação do Guardião
Mambu-Lulombo Ngoloxi – Rezas do entardecer para Lemba
Kutunda lemba – Saída de Lemba
Dilonga lemba – As bacias
Maza dia Lemba – Águas de Lemba
Dibilu Lemba – A volta de Lemba na procissão
Kituminu Ngunza ia Muhatu – Obrigação das divindades femininas
Kituminu ia Nkosi – Obrigação de Nkosi
Kituminu Kizomba ia Kitembu – Obrigação e festa de Tempo
Kuunda Kubanga Muvu – Purificação do ano, limpeza de fim de ano
Kituminu Uanda – Obrigação (Nsumbu)
Kukuana ou Kuuana – Divisão das Comidas de Nsumbu
Kutambula Ntanda – Obrigação que autoriza os ensinamentos dos oráculos
Kutambula Nkita – Juramento
Kuvumbu Kuala Nkita – Obrigação da Nkita na mata
Ntambi/Mukondu/Sirrun – Cerimônia fúnebre
Kufunda – Cerimônia fúnebre no cemitério
Luvanu Unvumbi – Carrego do morto
Kukomba Ditókua – Cerimônia de limpeza da casa
Maku ia Nvumbi – Obrigação Tirar a mão do morto
Dibangulangu dia Nzazi – Caruru de Nzazi
Kivúdia dia Nvunji – Caruru de Nvunji

Fiquem em Paz

Dandarê




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D´Oxá
Membro Iniciante

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Registro: 23/08/2005
Local: Belém - PE - Brasil
Idade: 58 anosSexo Masculino
 Postado em 20/11/2005 9:12:00 AM

Mukuiu a todos.

Kukuana é uma festa que é realizada em nossa nação, principalmente por quem descende da Raiz Bate Folha, não com isso querendo dizer que outras vertentes não possam ou devam fazê-la.
Ela nos traz a lembrança dos preceitos entre Kavungo; Kabila, Katendê e Nkosi. Ali se procura demonstrar a co-relação entre esses Mikisi. Só como exemplo, não entrarei em muitos méritos, me perdoem.
Mas não se deve esquecer que nela, na Kukuana, lembramos, repito, LEMBRAMOS, todos os Mikisi que compõem o panteão angola/Kongüense.

Com relação à festa denominada "Água de Lemba" ela não existe em Angola pelo menos eu nunca vi ou ouvi falar, posso é claro, ser um desinformado do assunto. A cerimônia que fazemos em nossa nação é a chamada "Colheita dos Inhames". Essa sim feita regularmente.Inclusive tenho um filho que mora no Rio que a faz MARAVILHOSAMENTE. Cerimônia muito bonita e de preceitos muito grandes.

Com relação à Fogueira de Nzazi, acho que é nada mais nada menos que uma cópia das "Rodas de Songo" realizadas por nossos irmãos de Ketu. Em Angola, volto a dizer eu nunca vi nem ouvi falar. Pelo menos com essa denominação.

Vamos ter cuidado com esses "Resgates" sem embasamento litúrgicos. Para mim isso é simplesmente copia de cerimônias que nada têm a ver com nossas raízes.
Isso é muito perigoso.

D´Oxá.

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Dandarê
Membro Pleno

Postagens: 210
Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 21/11/2005 11:17:00 PM

MOKOIU TATA

Apesar de estar em viagem , aqui tem um lep top e a Pousada tem Internet. Daí "bateu" novamente a responsbilidade de Moderadora, que desde cedo me empurra para um computador...

No Unzó Kuna Nkici Tumbenci Malawla, Mam´etu Kizunguirá não deixou a Kukuana... mas... DEIXOU SIM, A "FOGUEIRA DE ZAZI", AS ÁGUAS DE OXALÁ, (é... é isso mesmo.. de Oxalá, não deixou de Lembá não)... para garantir o que estou postando a minha conta de celular foi lá pra cima; mas meu pai Passinho disse que eu não mudasse de Oxalá para Lemba não, então é isso aí.

Essas duas obrigações (e outras, claro) são cumpridas no Tumbenci, aqui, em Ilhéus, em Itapetinga, em Tapitanga e quem sabe... por aí afora. NÃO É "RESGATE" NÃO, É TRADIÇÃO MANTIDA.

Quanto a "Colheita do Inhame", nós não fazemos no Tumbenci mas a "Festa do Inhame novo", é feita em homenagem a Oxum, no Pilão de Prata, (Terreiro Ketu muito antigo e já é tombado), no bairro da Bôca do Rio; um dos candomblés mais bonito que eu conheço, cujo Orixá dono da casa é Oxalá. Eu vou anualmente a convite do Babalorixá Air, a festa é belissima!!! Lá encontramos a nata da política baiana. Inclusive o irmão do Secretário de Turismo mais conhecido do Brasil (dizem), é Ogã da casa.

Fiquem em Paz

Dandarê




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KAMBAMI
Membro Iniciante

Postagens: 40
Registro: 07/01/2006
Local: Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Idade: 58 anosSexo Masculino
 Postado em 16/01/2006 10:36:00 PM

Makuiu forun

Realmente concordo em um ponto, não podemos nos julgar tradicionalistas em relação ao verdadeiro culto dos Bantu, digo Bantu, para mostrar que dentre todos os Africanos, nós ainda somos a maioria, das 2300 e tantas tribos estudadas na Africa mais da metade são Bantu, temos que nos confrontar com mais de 600 dialetos, e vemos que só aqui no Brasil que pensam que os que vieram eram somente de dialeto Kimbundo e Kikongo, se escrever uma frase em dialeto Zulu ninguem entenderia vejam como é diferente e é Bantu também, colocarei um exemplo que não sei se está corretamente combinado tendo em vista a dificuldade em entender verbos e pronomes, adjetivos e etc...

Fiz esta frase brincando com uma amiga que me mandou uma pergunta em dialeto ZULU.

Khululeka(relaxe)Kakhula de Phefumula(respire fundo)Intombazane(menina)Ngiyaphila na de iminyaka(eu sou como velho)Amane de amashumi iminyaka(afinal tenho mais de 40 anos).
Uyaphila ebusuku(boa noite).

Khamisa(beijos)
Kambami

Ainda aproveitando, gostaria de falar que na Africa mais de 90% são muçulmanos e os 10% restantes estão divididos em outras religiões e ceitas, não podemos ficar esperando um Africano dizer qual o nome que se dava a determinado culto(Kizomba).Entendo que candomblé é Brasileiro, muita coisa foi adaptada no verdadeiro culto Africano, logo deveriamos já que conhecemos a lingua e sabemos um pouco da história do Nkici, nomear nós mesmo em dialeto kimbundo as festas que costumamos fazer.
Não irei citar nome pois seria anti ético e desagradavél pois tal pessoa é muito querida minha e tenho um a grande admiração e respeito, mas está vindo ao bate folha aqui no rio para as águas de lembá.Ai eu pergunto, se fazemos tal Kizomba, qual o problema de dar um nome ao qual nós mesmo cultuamos e fazemos, não significa que estamso copiando da Nação ketu, pois muitos de nós tanto Ngolas, como de Ketu, recebemos e fazemos e usamos o Humjebe, que por sinal pertence ao Jeje.

Logo acho realmente de extrema importância, e ai cito nossos irmãos de Ketu, que tentemos fazer igual, passar tudo que for possível, sempre com tradução para que possamos resgatar de verdade nossa identidade.
Não temos que rotular de tradicionalismo, uma tradição perdida, deveriamos rotular como RESGATE.

Perdão aos mais velhos, se falei alguma besteira, mas usei de minha sinceridade, escrevi não no sentido de desmerecer nossa cultura e sim da forma que entendo como deveriamos resgata-la.Sei que a norma é aprender dentro de nossas Nzo, mas acho que o resgate está muito lento, existem pessoas que já dominam bem o culto, e poderiam ajudar mais.

Kandandu
Kambami

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Dandarê
Membro Pleno

Postagens: 210
Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 21/01/2006 5:27:00 PM

Mimenekenu jipangi

- No encontro que tivemos com o Ministro da Cultura Angola, ano passado, na Casa de Angola aqui em Salvador, ele também citou estatísticas destacando a conversão dos negros ao islamismo , ao catolicismo e às doutrinas evangélicas. Porem ressaltou que a TRADIÇÃO, como é chamada lá a religião dos ancestrais bantu, continua presente nos ritos praticados pelos Nativos, mesmo convertidos à outras religiões contemporâneas. Citou como exemplo o ritual mukondo que é praticado antes do féretro seguir para a Igreja católica, para receber as exéquias. Falou também que muitos rituais e cultos à determinados Minkici, têm sido resgatados com brasileiros residentes lá, ou aqui no Brasil. Portanto, acredito que tem razão mano, quando diz que “não podemos ficar esperando um Africano dizer qual o nome que se dava a determinado culto”

- Quanto à sua proposição: “ Entendo que o candomblé é Brasileiro, muita coisa foi adaptada no verdadeiro culto Africano, logo, deveríamos, já que conhecemos a língua e sabemos um pouco da história do Nkici, nomear, nós mesmos, em dialeto kimbundo as festas que costumamos fazer” ...

- Aí mano eu já “ fico com um pé atrás”, porque... pode aparecer um numero de invencionices tão grande! que descaracterizará mais ainda a nossa identidade. Além do mais, ainda temos muita casa de candomblé de angola que segue ao pé da letra o que Maria Neném (Mãe do Angola, fundadora do Tumbency), Tiana do Dendê (introduziu aqui o Angola Paquetã)e George Makwuende. Estes, pelo que sei, são os mais antigos da Bahia e implantaram o Candomblé de Angola. Assim, quero crer que, o que nos falta, não é nomear em kibundo ou kicongo os nossos rituais porque eles têm tais nomeações; os que não têm, são adoções da kufunga. O que falta é mais humildade e união para passarmos uns aos outros o que ainda temos da Tradição original que nos foi legada! Faço esta ressalva em negrito para lembrar que mesmo nas origens, mesmo ao pé da letra já havia kufunga de nações bantas; haja vista o angola do Tumbency de Maria Neném com o D´Amuraxó de Miguel Arcanjo... Ambos, muito amigos, um não recolhia um barco sem combinar com o outro, trazendo com isso, para dentro das duas nações, as rezas e costumes uma da outra. Mas, ambas as casas são angoleiras legitimas.

No Bate Folha de Salvador (de Bernardino, filho de um Muxicongo e mais tarde, de Maria Neném), por exemplo, que segue muito os ritos Conguês, se faz a kukuana. Enquanto no Tumba Junsara (de Ciriaco, também filho de Maria Neném, se faz Uandê =Kukuana, será que há diferenças ritualisticas? Já no Unzó Tumbenci do meu Zelador (neto da mesma Maria Neném, filho de Mam´etu Kizunguirá[Mãe Maçu]), fazemos o tabuleiro de Kavungo.

Se juntássemos, a nossa nzo com as duas casas de nossos primos, o Bate folha e o Tumba Junsara, poder-se-ía ajustar da melhor maneira e unificar procedimentos, pois somos todos da mesma Raiz!!!! Não é verdade? Mas... é muito complicado.

Agora, por que o Bate Folha do Rio de Janeiro faz Águas de Lembá e a Casa Matriz faz Kukuana? Claro que há uma história, uma justificativa... mas, se quizerem isso pode mudar sem transtornos... ou não?

- Com relação ao seu parágrafo: “Não temos que rotular de tradicionalismo, uma tradição perdida, deveríamos rotular como RESGATE”, eu faço a seguinte articulação mano:
a) se, a “tradição perdida”, na verdade está perdida aqui no Brasil entre nós do Candomblé de Angola, com os mais antigos ainda vivos, ou mesmo na lembrança destes, que viu fazer o ritual, aprendeu, ou mesmo lhe contaram... enfim, é um ritual que de fato fez parte do legado dos nossos antepassados bantu, ao encontrarmos, é um resgate.
b) se, a tradição é africana bantu, mas não fez parte do que nos foi legado, nunca se praticou aqui, não conhecemos as cantigas nem as rezas do encantamento para os ritos, no meu entendimento não é tradição perdida e nem resgate, é apenas TRADIÇÃO DA CULTURA BANTU e tradição cultural NÃO SE RESGATA. Pela sua própria natureza a cultura é dinâmica, logo, o que supostamente for resgatado hodiernamente virá com acréscimos, mudanças, atualizações, inerentes à própria razão cultural. Se formos nos basear em livros mano... falta muita coisa para termos um ritual. Os livros nos dá conhecimento, mas não nos dá hamba para encantar nada.

- Sem duvida nenhuma é preciso conhecer as nossas origens culturais, o que erradamente tem sido chamado de resgate por nós mesmos. Mas, conhecer é uma coisa, implantá-las em nossas casas como resgate de uma tradição perdida é outra.

No meu entendimento, o que temos entre nós aqui no Brasil, tradicionalmente praticado, e que mantêm as nossas casas de pé há mais de 50, 100 e 200 anos, dá perfeitamente para ostentarmos a nossa identidade cultural angola/conguês, SE NOS UNIRMOS PARA FAZER O RESGATE ENTRE NÓS MESMOS. Se conseguirmos essa façanha!!! aí no futuro... quem sabe... talvez seja possível irmos mais além, como por exemplo, implantar o NGOMBO em todas as casas de angoleiros!!!.

Fiquem em Paz

Dandarê



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