A FORÇA DO SEGREDO
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Tópico com 763 visitas e 12 mensagens
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Tópico: A FORÇA DO SEGREDO
Dandarê
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 Postado em 27/09/2005 1:39:00 PM

Kua kioso kutambujila kiami dikamba ia kiami mapangi
(Eu vos saúdo meus amigos e meus irmãos)

HÁ MUITAS "NUANCES" A SEREM DISCUTIDAS DENTRO DA PERSPECTIVA DO SEGREDO...a ansiedade de quem quer aprender, a curiosidade da maioria, a imponencia dos que pouco sabem mas exaltam que sabe... etc, etc.

Eu gostaria de saber o que pensam e como agem os mais e velhos e mais novos diante de tantas situações possíveis.

Aí vai a minha singela contribuição:

No Candomblé, assim como no ocultismo e na magia, o segredo é o ”fundamento”, a ação que constrói ou destroi.

Após iniciados, logo nos deparamos com certas barreiras, quando queremos aprender algo e então nos dizem que aquele ensinamento é secreto e que não estamos preparados para recebê-lo. Muitas vezes nos rebelamos com esta situação, achando que isto é arrogância de quem "detém" determinado "ensinamento secreto", que então não precisamos de instrutores, de quem nos ensine e que podemos seguir nosso caminho solitariamente, sem nenhum tipo de auxílio.

Na realidade há ensinamentos que são e devem permanecer secretos, sendo compartilhados apenas com indivíduos que estejam preparados para recebe-los, pois do contrário podem ser danosas ao praticante.

O poder da mente auxiliado por espíritos torna-se muito mais potente e assim os riscos aumentam. Uma série de patologias psíquicas, entre elas a paranóia (a mais comum), a obsessão e até mesmo a esquizofrenia, podem decorrer de tal prática. Os segredos no ocultismo e na magia, em tese, não são produtos da arrogância ou do desejo de poder humanos, mas simplesmente uma questão de segurança e de cuidados com os “mais novos”.

Saiba que é importante que certas coisas sejam secretas, mas ao mesmo tempo não se fascine pelos segredos. E lembre-se que muita gente cria segredos esdrúxulos como forma de exercer o seu fascínio sobre as pessoas, iniciadas ou não.

Além disso, é preciso ter sempe presente a dimensão real do que é a magia no Candomblé e até onde queremos praticá-la.

Vamos supor que você tenha um pai de santo muito competente, que lhe ensina na devida necessidade, mas além de exigente é grosseiro e ignorante... por conta disso você esteja pedindo os Minkici que chegue a hora de você receber a cuia. Então, após muitos gastos, muito esforço, finalmente irá receber os segredos que almejava...É importante refletir sobre os fundamentos que você irá receber :serão postos em prática imediatamente para o bem das pessoas?

MAGIA É AÇÃO... receber a cuia para se livrar do julgo do(a) Zelador(a) apenas, e largar os seus objetos de magia empoeirados, secos, sem luz e sem dar prosseguimento à sua missão... é cavar a própria cova.

Kua Nzambi bana kibuku uà kioso
(Que Deus dê prosperidade a todos vocês)


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Dandarê
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Registro: 19/07/2005
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 Postado em 02/10/2005 7:19:00 AM

VAMOS EM FRENTE JIPANGI...

EM SUA INZO QUAIS OS FUNDAMENTOS QUE SE ENSINA A UM(A) MUZENZA NAS ETAPAS DE 1, 3, 5 E 7 ANOS????

NÃO VAMOS AQUI DESCREVER OS FUNDAMENTOS, APENAS CITÁ-LOS. ENTRETANTO, SE ALGUÉM SE DISPUSER A ENSINAR, DEVERÁ FAZE-LO DIRETAMENTE AO INTERESSADO VIA MSN PRIVADO.

DANDARÊ



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Tata Toindé
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Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 11/10/2005 9:58:00 PM

Mana Dandare....

Muito interessante sua postagem....
Minha opinião em relação ao "segredo secreto" é um pouco diferente do que normalmente ouvimos por aí.
Observemos nosso candomblé de angola:
Hoje, temos um movimento muito intenso no que dis respeito ao resgate da cultura bantu e, por conta disso, muitas controvérsias e polêmicas a respeito do assunto.
Mas porque estamos assim???
Acredito que o maior responsável pelo mesmo foi a retenção de conhecimento.
Uma vez que o conhecimento não é passado, quem o busca, o buscará de qq forma, seja na casa a qual foi iniciado, seja na casa de outro.
O resultado disso é a milonga que temos hoje.
Pois se nossa cultura bantu tivesse sido passada na íntegra geração à geração, a milonga não teria ocorridoe hj não sofreríamos misturas de outras nações.
Mas o que tá feito, tá feito! Acredito que não dá pra purificar o que foi misturado.
E aí caímos num novo erro, ao meu ver: O resgate deixa de ser de novo aquilo que adquirimos e passa a ser aquilo que buscamos por não termos adquirido o que concerne à nossa cultura, ou por não nos sentimos bem com isso e querermos inovar. Digo inovar pq muito do que resgatamos não vivenciamos e estamos vendo por aí praticarem aquilo que ninguém viu, mas foi encontrado em livros.
Ou seja, estamos numa bola de neve que não muda. É como se os dias de hoje fosse "A versão nova de uma velha história."
Sei que tais segreos não podem ser revelados à um munzenza ou yawo. Mas não vejo pq de não passá-los com o tempo, de acordo, é claro, com cada cabeça e cada responsabilidade.
Afinal, como já disse anteriormente, para mim, cada templo é uma instituição de ensino e a disciplica estudada é nossa cultura e nossa magia.
Logo, ao passo dos acontecimentos, sou a favor de que a cultura e a magia seja passada aos poucos para nossos iniciados, pois eles serão os sacerdotes de amanhã que levarão à frente nossos nomes e nossa cultura.
Se a retenção de conhecimento continuar, teremos no futuro, nossos descenentes procurando em livros aquilos que não tiveram na prática e cada vem mais embolando nosso culto.
Torço para o que aprendemos e vivenciamos seja passado para que se perpetue. E não seja mais preciso brigar, ou inventar para delinear uma identidade.
Desculpe meus desabafo....

Kandandu

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Dandarê
Membro Pleno

Postagens: 210
Registro: 19/07/2005
Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 12/10/2005 9:52:00 PM

Meus queridos irmãos

Não vou particularizar porque tenho esperança que numa dessas 12 visitas mais alguem sinta vontade de manifestar-se sobre o assunto e aí é que a conversa fica melhor ainda, não é?

Em primeiro lugar eu volto a pedir atenção para a questão de não dizermos "movimento de resgate da cultura bantu". Já falei sobre isso no tópico "Programa" sub item "Resgate ou Mistura". Se as culturas são dinâmicas por suas próprias naturezas, para que vamos resgatar o que o tempo já enguliu? O passado nos serve como lição para fazermos melhor no presente. Só para isso.

Podemos e devemos estudar para CONHECER A CULTURA dos nossos antepassados, mas daí a "resgatar", ou seja, traze-la de volta? O tempo é sábio, o que ficou no passado pertence ao passado.Se nesse passado estivesse algo imprescindivel da Tradição, meu pai não teria a casa que tem e Lembamuxi não estaria zelando do Kavungo de (L.S.N.S.J.C.) minha bisavó Maria Nenem.

Olhe o que vc disse mano: "Hoje, temos um movimento muito intenso no que diz respeito ao resgate da cultura bantu e, por conta disso, muitas controvérsias e polêmicas a respeito do assunto.
Mas porque estamos assim???"

- Sem dúvida as controvérsias e polemicas existem porque o próprio nome do movimento é um equivoco. A princípio eu pensei que a palavra resgate estava sendo utilizada para denotar "reconhecimento", no sentido "honrar" os antepassados. Mas o que se observa, depois dos "nós" constatados, que foram criados nas cabeças de muitos angoleiros mais nagotizados, é que o que muitos querem mesmo é "trazer de volta" a cultura ancestral!!!

IMPOSSIVEL MANO! Minha bisa, a Mãe do Angola, (L.S.N.S.J.C.)Maria Nenem, a fundadora da raiz do Tumbenci, não tinha um Nkici envultado! Os assentamentos dela estão no Terreiro Tumbenci, cuja Dirigente é Lembamuxi, sobrinha neta carnal da Venerável Tuenda diá Zambi (Maria Nenem). Por que eu iria buscar na África se o que ela trouxe de lá e nos legou não foi assim? A Raiz do Angola é ela e sempre vai ser. Os filhos, netos, e demais gerações do Angola, são galhos daquela Velha e Venrável árvore.

Eu não acredito que os Kakurucajus tenham retido ensinamentos. Quando nos aprofundamos ns questões das Raízes mais e menos nagotizadas, mais e menos conhecedoras das coisas do Angola, o que se observa é que os Zeladores que hoje se dizem angoleiros, nasceram no Angola, em determinada raiz com Zelador(a) fulano(a)... até aí tudo bem... mais adiante vamos verificar que ele(a) não viveu na casa onde nasceu, não se criou lá e até, logo mudou para outras águas. Quando corre cotia e não acha nada melhor, muitas vezes até volta para a mesma casa; mas não segue a disciplina da casa, fica pulando de galho em galho até achar um bom preço por uma cuia, compra e diz que é do Angola!

Por outro lado, mesmo na mesma casa, tem "filhos" e "filhos" do mesmo jeito que na mesma Faculdade de Medicina forma "médicos" e "médicos". Quem ficou alí na escola todos os dias no pé do professor cientista, aprendeu a ser médico; o estudante que saia todos os dias para as baladas também é Doutor, mas...aprendeu mais, outras coisas.

Eu tiro pela minha casa...tem Zelador que recebeu a cuia das mãos dele com toda pompa e não passou dali; enquanto tem outros que ainda não receberam e já estão com muito mais fundamentos...

A História é essa mano: filho ingrato, desobediente, atrevido não leva nada... O que muitos fizeram foi isso: não aguentaram os Kakurucaju e sairam dos Terreiros antes do tempo. CREIO QUE A MAIORIA NÃO AGUENTOU (E NÃO AGUENTA) O REPUXO.

Quando vc diz: "Pois se nossa cultura bantu tivesse sido passada na íntegra geração à geração, a milonga não teria ocorridoe hj não sofreríamos misturas de outras nações." -- É um equivoco mano. Venha visitar o Terreiro do Tumbenci. Tem milonga como a nossa. EU DESAFIO QUE ALGUEM ENCONTRE UMA CASA DE RAIZ DO ANGOLA, COM MAIS DE 50 ANOS QUE TENHA QUALQUER SEMELHANÇA COM O "RESGATE" QUE "DIZEM" QUE ESTÁ SE IMPLANTANDO POR AÍ AFORA...

Os segredos têm que ser repassados sim. O Código de Ética não pode lhe obrigar a mudar os costumes das casas de candomblé, mas como o errado é da conta de todo mundo, se o Dirigente se comportar erradamente alguém já tem onde reclamar. Se a Muzenzaz não passar nas perguntas do Conselho do Terreiro, este Conselho pode reprová-la e ela terá que se preparar melhor. Antes do Código muitas casas já faziam assim.

Você continua o desabafo assim: "Se a retenção de conhecimento continuar, teremos no futuro, nossos descendentes procurando em livros aquilos que não tiveram na prática e cada vem mais embolando nosso culto.
Torço para o que aprendemos e vivenciamos seja passado para que se perpetue. E não seja mais preciso brigar, ou inventar para delinear uma identidade.
Desculpe meus desabafo..."

Mano, mano... Se está acontecendo essa retenção de conhecimentos com alguem obediente, sério, honrado é porque a casa não tem nada para dar mesmo. Tá na hora de sair e procurar outra. Mas antes vale fazer um rigoroso exame de consciencia, porque essa troca e muito séria.

Bem, estando com a Filosofia em dia, falando a mesma linguagem, vamos aguardar o que vem por aí...

Jindandu

Dandarê



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Makota Lembanilé
Membro Junior

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Registro: 21/03/2005
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Idade: 41 anosSexo Feminino
 Postado em 24/10/2005 6:33:00 PM

Irmãos

Mukuiú

Os segredos que existem na nossa seita, revelam a importância do saber dos antigos e a inteligência dos que os receberão.

Sei que os mais novos ficam numa ansiedade tremenda para saberem como as coisas funcionam.. o "por quê" de tanto segredo envolvendo uma religião. Porém, se abrirmos o livro dos segredos para iniciados que não estão preparados para receberem tais informações, eles não vão saber lidar com tudo isso! Vão misturar e "catar" informações aqui e acolá e (com certeza) não saberão filtrar o que serve e o que não serve!

Sabe como acaba uma história dessa: o iniciado começa a achar que sabe mais que o tata... não confia mais naquele que fez nascer seu nkise e pensa que ele não tem condições de cuidar do seu nkise.. pois se o iniciado sabe mais que o tata, como este poderá cuidar do seu nkise e orientá-lo na caminhada espiritual?!!!!

Sei que ouvir "ainda não é hora pra vc saber disso!", é horrível.. dá raiva, mas é preciso ter merecimento para receber algo... no mundo carnal não trabalhamos para receber nosso salário e assim sobrevivermos? Penso ser o mesmo na Lei do Santo: vamos nos esforçar para alcançar aquilo que nos é por merecimento.

Hoje penso da seguinte maneira: "por quê eu darei de graça, algo que lutei para conseguir? Algo que não catei, mas ganhei?!" Pois se eu ganho, aprendo como a "coisa" é relmente.. se cato, nunca saberei como funciona na verdade....

Continua no ar a pergunta: vale a pena dar aos mais novos segredos do candomblé, mesmo depois de jurarem não revelá-los??(e ainda assim, revelam!! Cadê o compromisso? A responsabilidade?)

Por hora respondo o seguinte: vale a pena ensinar os segredos SOMENTE para aqueles que merecerem e tiverem uma ótima cabeça para receber essas informações!





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Tata Otuajô
Membro Iniciante

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Registro: 05/08/2005
Local: Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Idade: 61 anosSexo Masculino
 Postado em 25/10/2005 11:25:00 AM


Cara Irmã Dandarê

Meu pedido de mukuiu.

A força do segredo é grande. A forma de se guardar ou repassar o sefredo tem que ser sábia.

De todos os comentários que li dos irmãos, entendo que todos tem um fundamento de experiência individual e concordo com todos eles. Acredito que existem vários motivos para se passar ou não um segredo, um fundamento, uma fórmula de como se praticar isso ou aquilo.

Há pais-de-santo que dizem para seus muzenzas que não é hora de receberem esse ou aquele segredo e nunca vai chegar esta hora, simplesmente porque ele não sabe de tal segredo. Por outro lado existe aquele pai-de-santo que não fala sobre o segredo por medo de que seu filho saberá tanto ou mais do que ele. Em ambas as situações, quer por incompetência ou por medo, julgo ser a causa mais antiga de termos dirigentes sem um preparo cultural adequado, o que nos tempo atuais esta situação está bem mais minimizada. Na verdade, quanto mais tivermos pessoas que detenham conhecimento de nossa cultura, mais era será praticada e perpetuada.

Por outro lado, encontramos os famosos "fura-roncós" que "catam" fundamentos e muita das vezes os pagam a peso de ouro.

Temos aqueles que são dedicados ao extremo mas que não possuem a capacidade devida para absorver os fundamentos, mesmo que básicos.

Acredito que os fundamentos devam ser passados e repassados à medida do merecimento e capacidade de cada um filho-de-santo, mas sem perder o referencial de que também será necessário um melhor preparo e conhecimento por parte dos Zeladores.

Um abraço.



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Dandarê
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Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 29/10/2005 10:34:00 AM

Mokoiu Tata Otuajô

Quando o Senhor diz:"A força do segredo é grande. A forma de se guardar ou repassar o segredo tem que ser sábia", resume o que temos que fazer. Se o segredo for repassado a alguém que não tenha capacidade para pô-lo em prática como deve ser, com certeza será uma faca de dois gumes.

O problema muitas vezes é o Zelador ter certeza de que o seu filho já está apto. Muitas vezes se observa, o Conselho da casa observa e de repente a criatura muda de comportamento de forma incompreensivel e se volta contra o seu Zelador de forma violenta. Na guerra o filho perde, sempre perde, mas causa estragos. Não é verdade? - o que acham?

Dandarê


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Makota Lembanilé
Membro Junior

Postagens: 74
Registro: 21/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 41 anosSexo Feminino
 Postado em 12/11/2005 12:54:00 PM

Mukuiú

Dandarê, quando vc diz que "O problema muitas vezes é o Zelador ter certeza de que o seu filho já está apto. Muitas vezes se observa, o Conselho da casa observa e de repente a criatura muda de comportamento de forma incompreensivel e se volta contra o seu Zelador de forma violenta", resume bem - a meu ver - o que acontece em muitas casas. Recentemente pude observar um caso como este e no final o resultado vc mesma expôs: o filho perde(...) mas causa estragos.

Infelizmente, os filhos perdem em todos os sentidos pois seus mais velhos deixam de confiar realmente. Aquele filho que não aceitou ajuda ou conselho quando uma ou outra pessoa, tendo percebido o início do desvio de seu comportamento indo contra à tudo que lhe fora passado; não a aceitou simplesmente por acreditar que o verdadeiro conhecimento não está mais nas mãos de seu Zelador e sim nas mãos dos que estão lá fora, batendo palmas para sua rebeldia, esperando apenas o dia em que "acolherá" este filho rebelde.

Esquecem-se de uma coisa: ao entrar numa nova casa e tomar nem que seja um água suja na cabeça, o tratamento do "novo" zelador passa a ser como o do "antigo".

Claro que não se pode generalizar, há casos em que um filho deixa de crer no seu zelador por outras questões até justificáveis.

Mas, como li em algum lugar, nada como o Tempo para esclarecer os fatos e iluminar mentes "comandadas".



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Rita de Matamba
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Local: Rio de Janeiro - RN - Brasil
Idade: 41 anosSexo Feminino
 Postado em 14/11/2005 10:22:00 PM

Makuiu Makamba,

Sou uma Mama nova e como tal venho aprendendo e vivenciando dia a dia as dificuldades da vida como tal. E digo, é difícil!

A questão do segredo é um ponto interessante e acredito que bem colocado até agora. Na minha visão, agora do outro lado mas sempre como aprendiz pois sempre existirão os mais velhos - meu pai que o diga - é que nenhuma pergunta deve ser deixada sem resposta. Entendo que as perguntas surgem por dois motivos, pelo "ouviu falar mas não sabe onde" e pela observação e reflexão. Da mesma forma que uma criança quando nos indaga de onde vêm os bebês as respostas devem ser de acordo como amadurecimento e capacidade de compreensão.

Particularmente, procuro não deixar perguntas sem resposta. Pelo já exposto e por acreditar que quando há o real amadurecimento para aquela pergunta a busca prossegue e pode ser desastrosa. Assim, responder perguntas nem sempre significa explicar os porquês e os meandros da coisa. E ainda, quando bem orientado o filho sabe exatamente o que perguntar e quando observar apenas.

Entendo a vida de santo como um eterno aprendizado e aprimoramento, nunca acaba. Contudo, numa perspectiva não de tutor mas de aprendiz, acredito que o conhecimento deve ser honrado. A cada coisa que vejo, cada ritual que acompanho, cada "fundamento" que aprendo me sinto honrada por ter sido merecedora de tal confiança. E assim, procuro passar aos meus.

Jindandu

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Tata Toindé
Membro Pleno

Postagens: 239
Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 15/11/2005 12:16:00 PM

Mukuiú manos...

Concordo plenamente com mana Rita quando ela diz que "responder perguntas nem sempre significa explicar os porquês e os meandros da coisa".
Desde que o conhecimento seja passado ordenadamente, cada coisa em sua hora.
Mas tb hei e concordar com Makota Lembanile pois como disse, acredito que a passagem de conhecimento deve ser feita de forma ordenada, para que não tenhamos sustos.
Um Inzo séria e que faz de si uma instituição de ensino religioso, tende a "formar" sacerdotes que levarão à frente a filosofia praticada naquela Inzo.
No geral, tem-se no mínimo, 7 anos para isso, pois este é o tempo mínimo para se receber a cuia.
Em 7 anos o aprendizado é constante, gradativo, mas demorado.
Tendo em vista, que não se aprende os fundamentos e as práticas do candomblé de outra forma, senão através do dia-a-dia ou da convivencia.
É o tempo que forma os sacerdotes! é a dedicação! é a experiencia que só se adquire pondo a "mão na massa".
E tendo nosso candomblé uma complexidade de formas diferentes de se conduzeir um culto, variando de casa para casa, ainda tendo passado muito tempo numa casa e aprendido bastante, ao aterrisar em outra casa, por ser diferente, temos que aprender tudo de novo.
Mas hoje (e falo abertamente aqui sobre o assunto sem causar polêmicas, pois todos sabemos que no geral isso é verdade), sabemos que ainda vivemos a velha guerra de ter sacerdotes tentando, a qq custo, catar iniciados de outras casas e vice versa.
As armas utilizadas nesta guerra são diversas.
Enfim, presenciei de perto uma destas "táticas de guerra":
São zeladores que navegam pela net e sem o menor conceito de ética, passa para iniciados de outras casas, fundamentos de feitura de santo, adoxu e outros mais apenas para se posicionar como que se soubesse mais do que o sacerdote deste iniciado, ou se como em sua casa, qq um aprende tais fundamentos.
Nesse interim, é claro que pesa o bom senso do iniciado, mas nem todos pensam de forma respeitosa e acabam por achar que sabem mais que seus próprios sacerdotes.
Baseado nisso, levanto uma segunda questão a cerca do assunto:
como um sacerdote deveria lidar com um caso como este?
ou seja...
se um iniciado lhe chegasse com um fundamento que ele catou em outros lugares e te perguntasse, mas não fosse a hora dele saber deste fundamento, o que faria o sacerdote?? passava o fundamento mesmo sabendo q não é hora?
Ou simplesmente não passava??
Aguardo participações......

jindandu

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