MUNTU=PESSOA x M Ú T U E = CABEÇA
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Tópico: MUNTU=PESSOA x M Ú T U E = CABEÇA
Dandarê
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 Postado em 27/07/2005 2:20:00 PM

MUNTU=PESSOA x M Ú T U E = CABEÇA


Por Kota Mutarerê

Na filosofia Bantú encontramos:
o "Muntú": o homem, a pessoa, o assunto, o inventor, o autor, o artesão da situação (pessoa viva ou morta);
o "Kintu": o objeto, a coisa, a vítima da situação;
o "Kuntu": o quando, a forma;
o "Hantu" : o lugar, a posição do evento.

A raiz comum a estes quatro elementos é "ntu".

Ntu é a força universal que se manifesta em tudo o que existe, visível ou invisível.


O "Muntu" é a única criatura que tem o “Nommo", a força que lhe proporciona a capacidade de expressar-se com inteligência.

O kintu contém todas as forças que não podem atuar por sí mesma a não ser que sejam dirigidas pelo Muntu: os animais, as plantas, os metais, as pedras, etc. Todas elas são "bintus" (plural de kintu).

O kuntu também contém a força das formas, porém tal força não é autônoma, não pode representar uma forma fora de seu autor que sempre é o Muntu.

O hantu que contém espaço e tempo, é finalmente a força, graças a qual cada existência está em movimento continuo.

O Nommo é a energia vital, que nasce com ele e lhe proporciona a capacidade de falar e que intervem na fertilização, porém não é suficiente para produzir um novo ser humano completo, um Muntu. Este só estará completo quando for submetido ao ritual do nome. Antes disto é apenas um kintu, e se morrer sem nome sua força vital desapareceria e não continuaria existindo no mundo dos mortos.

Na Tradição Bantu, portanto, uma criança recém nascida, ainda não se tornou um “Muntu”, ou seja, ainda não se tornou uma pessoa, um ser cuja a inteligência vai crescendo com ela. Até aquele momento ela é apenas um "Kintu" uma coisa. Para tornar-se um "Muntu" terá que ser levada a presença do Nganga (Adivinho/Feiticeiro), para que seja pronunciado por ele o nome do recém nascido diante do MÚTUE ( CABEÇA ), pois só ai é que ele receberá o complemento necessário ao “Nommo” que transformará a criança em “Muntu”.

O nome dado pelo Nganga somente será conhecido por ele. Entre os Bantu a palavra tem força e poder. Como o nome não se separa do ser, quem sabe pronunciar o verdadeiro nome de um ser, influencia-o e pode até domina-lo, atuando sobre a sua Personalidade profunda. Por esta razão, os africanos em geral escondem o seu nome real.

No dia seguinte é feito o ritual do Pangu: durante o mesmo, o Nganga enche a boca d´água e borrifa o recém nascido; às vezes dão-lhe um pouco de comida. O seu novo nome é pronunciado várias vezes, o qual poderá ser o de um antepassado, o dia da semana que nasceu, ou a primeira palavra que a mãe ouviu depois do parto; mas sem duvida vai ganhar um nome intencionalmente feio como "engana – morte", pois é necessário dar a criança um nome que amedronte, para protegê-lo de forças hostis, enquanto o seu nome verdadeiro dado pelo Nganga só deverá ser conhecido pela Sociedade Secreta da Tribo (os responsáveis pela manutenção da magia da Tradição).

O Mútue (cabeça) é conhecida como a mais antiga e poderosa divindade, mas na chegada ao Iungo (Terra), ela se depara com várias dificuldades... e de um Mútue rico, bom, prospero, e sadio pode se transformar em um Mutue pobre, doente, e miserável. (Vide o que explicamos no texto de nossa autoria “Conceito de Vida e Morte legado pelos escravos ao culto afro-brasileiro”).

Os escravos bantu deixaram para a compreensão dos “mais velhos” que cada um de nós tem o seu Mútue, representado por divindade individual, pois significa o Janju Ietu (anjo da guarda ou Destino) ancestral. O Mútue, na condição de anjo guardião antes de chegar ao Iungo (Terra), esteve perante Nzambi e fez a escolha do seu destino, ou seja: como seria a sua saúde, riqueza, prosperidade e outros atributos por ele requisitados.

Desta maneira, quando estão em dificuldades, recorrem ao Nganga para realizar o Pangu, para “alimentar” o seu Mútue. A ela oferecem kúdia mba kúnuangó kioso kiatokala (comida e bebida necessárias) e às vezes ofertar manhinga, (sangue), acompanhados de muitas Mambu (rezas).

(Numa análise pessoal e atual, eu diria que na concepção dos Bantu, o Mútue é o EU PROFUNDO, de cada pessoa, que quando “alimentado devidamente” torna-se harmonizado com o EU.)

O culto à divindade MÚTUE, nos foi legado pelos escravos bantu. Na makudia que alimentamos à nossa cabeça, através do Kibane Mutue, reverenciamos os nossos deuses mais antigos, Lembarenganga e Kaiá como os pais da criação, os pais das cabeças, pois eles nesse rito representam o anjo guardião ancestral, possuidor de muitos remédios sendo também nosso maior defensor.

Salvador, março/1999

FIM


Bem meus irmãos, essa é a minha compreensão resultante das minhas modestas pesquisas. Caso algum irmão tenha um entendimento diferente sobre o aspectos acima mencionado, vale perfeitamente uma conversação que possa convergir para o ponto “aprimoramento da compreensão”.

Um grande abraço, fiquem em Paz

Dandarê





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Tata Obalumbi
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 Postado em 28/07/2005 12:16:00 AM

Mokoiu a todos.
Belo texto muxikani Mutarerê.
Muxikani irei postar um arquivo que eu tenho do Tata Nkassuté.
Belo tópico tbm, rs

M Ú T U E CABEÇA
Na Tradição Bantu uma criança recém nascida, ainda não se tornou um "Muntu" pessoa humana, um ser inteligente, ou seja a vida com inteligência, até este momento ela é apenas um "Kintu" uma coisa . Pois para tornar-se um "Muntu" terá que ser levada a presença de seu Tata ( Pai ), ou Nganga ( Adivinho-Feiticeiro) , por eles será pronunciado o nome do recém nascido diante do MUTUE ( CABEÇA ) pois só ai é que se recebe o " Amagara " a união vital do corpo com o " principio de inteligência ".... O nome dado pelo Tata ou Nganga só será conhecido pelos mesmos, pois como a palavra é poderosa e inseparável do pronunciado, quem sabe pronunciar o verdadeiro nome de um ser, influencia-o e domina-o, atua sobre a sua realidade profunda, por isso se esconde o nome real....
No dia seguinte é feito um Pangu (ritual) onde se borrifa com água da sua boca o recém nascido, e às vezes dão-lhe um pouco de comida. Pronunciando várias vezes seu novo nome que poderá ser de um antepassado, o dia da semana que nasceu, ou a primeira palavra que a mãe ouviu depois do parto, mas sem duvida vai ganhar um nome intencionalmente feio como " engana – morte " pois é necessário por a criança um nome desprezível para a abrigar de forças hostis, enquanto seu nome verdadeiro dado pelo Tata ou Nganga talvez seja apenas conhecido pela Sociedade Secreta da Tribo (no caso de ser iniciado)......
Bem como vimos o Mutue ( cabeça ) tem no principio da vida uma importância fundamental para que o recém nascido se torne um "Muntu" pois é em sua presença que reverenciam o nome.....
O Mutue para nós é representado individualmente pois significa o Janju Ietu (anjo da guarda) ancestral, este anjo guardião antes de chegar ao Iungo (Terra) esteve perante Nzambi e fez a escolha de todo seu destino individual, ou seja saúde ,riqueza, prosperidade e outros atributos por ele requisitados, o Mutue (cabeça) é conhecida como a mais antiga e poderosa divindade, mas com a chegada ao Iungo (Terra), ela se depara com várias dificuldades e de um Mutue rico, bom, prospero, e sadio pode se transformar em um Mutue pobre, doente, e miserável. É por esse motivo que quando estamos em dificuldade, recorremos ao Pangu (rito ) para o nosso Mutue (cabeça, divindade poderosa e antiga) a ela oferecemos kúdia mba kúnuangó kioso kiatokala (comer e beber o necessário ) e às vezes precisamos ofertar manhinga ( sangue ) e com certeza muitas Mambu (rezas) com pedidos de ajuda para os nossos problemas, pois o anjo guardião ancestral é possuidor de muitos remédios sendo ele o nosso maior defensor.......
Quando procuramos um Nganga ( adivinho- feiticeiro ) para sabermos de nossos problemas , é através do Mutue que o Adivinho consegue saber a causa, e ao Mutue é destinado o solução do problema....... Então por toda a vida, seja moço ou velho, reverenciamos o Mutue a mais sábia de todas as Divindades, será que é por isso que dizemos cada cabeça uma sentença , sua cabeça é seu guia ou essa pessoa tem cabeça boa ????????????Uma coisa é certa colocamos o mutue no Iungo ( Terra ) para pedirmos coisas boas para o Duilo (Céu), pois é lá perante Nzambi que escolhemos nosso destino........
Texto de: Tata Cassuté

Mokoiu, kandandu

Tata Obalumbi

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Dandarê
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 Postado em 01/08/2005 12:14:00 AM

Mimenekenu Jipangi

Quando postei o texto acima de minha autoria, o fiz com uma única intenção: dar subsídios para o entendimento do ritual de harmonização entre o corpo e o espírito abordado no texto “CONCEITO DE VIDA E MORTE LEGADO PELOS ESCRAVOS AFRICANOS AOS CULTOS AFRO-BRASILEIROS”.

Entretanto com a contribuição do Tata Obalumbi que nos traz um Texto do Tata Nkassuté sobre o mesmo tema, porém com um enfoque completamente diferente, acho que seria interessante se pudéssemos reunir neste tópico, além de postagens discursivas, outros textos sobre o mesmo tema, porém com outros enfoques, sempre lembrando a importância de identificarmos as origens. O que acham?

Fiquem em Paz
Dandarê


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Tata Obalumbi
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 Postado em 01/08/2005 3:57:00 PM

Mokoiu a todos.
Pange Dandarê sim a sua idéia é boa sim, vamos aguardar contribuições de textos dos irmãos para o nosso resgate.
Kandandu

Tata Obalumbi

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Tata Jambonan
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 Postado em 01/08/2005 4:09:00 PM

Mukuiu a todos.

Apessar de distintas formas de escritas, creio ser uma unica coisa, com entendimentos e interpletações diferentes, pois sabemos que pesquisas se tratam de informações passadas por pessoas com credibilidades, mais de visões diferentes de um mesmo tema, e com coisas passadas por seus antepassados, sempre quem as passam querem que prevaleça a sua verdade, os meritos de sua tribo ( caso acima), suas mais puras crenças, o que nem sempre acontece com sua tribo visinha mais afastada, tendo assim no meu modo de ver varias verdades, varios ponto de vista como primordial para cada tipo de cultura, assim sendo podemos fazer um apanhado de um todo e retirar uma nova visão, mais ampla e com um maior entendimento, sabendo o que aconteceu com o nosso caminho até os dias de hoje.

Me perdoem se entendi errado o que tentaram passar.

Respeitosamente, Tata Jambonan.

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Dandarê
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Local: Salvador -Bahia - BA - BrasilSexo Feminino
 Postado em 02/08/2005 10:22:00 PM

MOKOIU MANO JANBONAN

É exatamente esta a minha pretensão.

Devo dizer, inclusive, que para chegar até aí , muitas traduções fiz e encontrei muitos pontos comuns nas anotações dos missionários assim como tambem nos textos das pessoas interessadas no assunto que disponibilizaram via CNPQ através de monografias, de pesquisadores que centraram seus estudos nos Cambindas, nos Rhuandeses, nos Kassanges etc... A "idéia de "anjo da guarda" por exemplo, encontramos em muitas traduções dos relatos dos italianos.

Vamos em frente

Jindandu

Dandarê

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Tata Toindé
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 Postado em 22/02/2006 8:48:00 AM

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