CONCEITO DE VIDA E MORTE LEGADO PELOS ESCRAVOS AFRICANOS AOS CULTOS AFRO-
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Tópico: CONCEITO DE VIDA E MORTE LEGADO PELOS ESCRAVOS AFRICANOS AOS CULTOS AFRO-
Dandarê
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 Postado em 26/07/2005 4:41:00 PM

Mimenekenu Jipangi

Devido a ocorrencia de problemas técnicos, estou postando novamente a versão revizada do texto que segue.

Dedico a todos os jipangi que têm dificuldade de explicar de uma maneira geral, como se entra no mundo da magia do Candomblé, quais as consequencias e o que deve ser feito quando um Iniciado falece para que o seu espirito seja liberado.


CONCEITO DE VIDA E MORTE LEGADO PELOS ESCRAVOS AFRICANOS AOS CULTOS AFRO-BRASILEIROS


(Por Kota Mutarerê)


Os grupos africanos que formaram a base cultural das religiões afro-brasileiras acreditavam que a vida e a morte alternam-se em ciclos, de tal modo que o ancestral continuava vivo no seu descendente, retornando à vida a cada boa lembrança de um dos seus, permanecendo vivo nas obras e nas ações destes.

Apesar de acreditarem que a morte não é o ponto final da vida, é importante esclarecer que, ao contrário do que se poderá supor, esse entendimento não significa que eles tinham a idéia de reencarnação, nos moldes das doutrinas reincarnacionistas. Para eles, a existência neste mundo seria única.

Existiria um mundo em que vivem os homens em contato com a natureza, o nosso mundo dos vivos, a Terra, e o mundo supra-real o Céu, onde vivia o Deus Maior de todas as Nações, o Incriado, mas que criou todas as coisas que existem, as divindades e os espíritos das pessoas desencarnadas. Nesta perspectiva, os teólogos têm considerado como MONOTEISTA a concepção religiosa desses grupos, uma vez que acreditavam na existência de um único Deus Criador de tudo.

Não concebiam que após a morte haveria julgamento dos atos praticados pelos espíritos encarnados, ou seja, pelos vivos aqui na Terra, portanto, para eles, após a morte, todos, enquanto individualidades espirituais, iriam para o mesmo lugar.

Depois de deixar o mundo dos vivos, ser lembrado e cultuado pelos que ficaram é que determinaria a importância e o valor da pessoa que se foi, além de lhe conferir vida eterna como ancestral, inclusive visitando o mundo dos vivos sempre que as circunstancias lhe fossem favorecidas.

Apesar de conceberem o homem como ser feito de matéria e espírito, não definiam matéria e espírito com a complexidade da Biologia, da Física ou da Metafísica. Simplesmente acreditavam que a terra e a água constituíram a matéria prima para a modelagem das formas. Da manipulação dos quatro elementos é que o primeiro corpo humano foi criado. Por isso cada homem guardaria em si mesmo, o principio de sua composição primordial: uma parcela de água, outra de terra, de fogo e de ar. Entretanto, somente o Deus Maior conheceria o segredo da constituição do espírito. Entendiam ser o espírito o que dá vida a esses corpos para que sejam transformados em seres humanos, mas do quê seria constituído somente o Deus Maior de todas as Nações saberia.

Quando se completava a junção do corpo com o espírito, por serem elementos tão distintos, haveria o choque dessas organizações, provocando desajustes na natureza do individuo, os quais poderiam acompanhá-lo por toda a vida, trazendo-lhe, doenças, perturbações psíquicas, pobreza, inimizades, enfim toda sorte de atrapalhações. Isto aconteceria com todas as pessoas, entretanto, em algumas, o grau de desajuste apresentar-se-ia com maior intensidade, principalmente quando entrassem na puberdade.

Todas elas nessa fase de suas vidas, tanto as meninas como os meninos se submetiam a um rito de passagem dentro da Tradição em África, o qual os preparava para a maturidade. Durante esse rito, os jovens aprendiam a reconhecer a importância das alterações anatômicas e fisiológicas do seu corpo, não apenas para o exercício do comportamento sexual que os dispunham para o casamento, como também para o desempenho de suas ações como ser social. A sexualidade e a divisão do trabalho, eram fatores aos quais se ligavam toda a vida do africano; portanto, para o seu melhor desempenho contavam com a ajuda dos deuses da Tradição.

Para aprender a lidar com os fenômenos da Natureza que se entrelaçavam com a sua fé em Deus Criador de Tudo era preciso “conhecer” a “magia” , o que lhes era revelado a partir daquele primeiro rito de passagem por ocasião dos primeiros sinais da puberdade e continuavam, periodicamente até o término do ciclo, em 5, 6 ou 7 anos.Precisariam, portanto ajustar suas respectivas naturezas, “alimentando a cabeça” como parte importantíssima desses ritos de passagem.

Esses ritos originais foram adequados para a instituição do Candomblé, desenvolvido e ajustado ao meio brasileiro ao longo dos tempos, conservando apenas o sentido primordial com o nome de “ritual de dar comida a cabeça”, que no Angola chama-se “Kibane mutue”, no Ketu, “Bori” e que existe com outros nomes, a depender da língua que falem.

É importante esclarecer que neste texto não nos estenderemos nas especificidades desse ritual porque interessa-nos centrar na finalidade e não na (s) forma (s) do mesmo, como também abordar a questão para o entendimento da instituição do Candomblé e não, da Tradição em África.

As pessoas que foram escolhidas pelos deuses do seu panteão, para representá-los aqui na Terra e serem “montados” por eles quando quisessem vir a Terra, estas teriam que se submeter, a outros rituais mais complexos(para serem Advinhos ou Curandeiros, porém sempre passando pelo primeiro deles.

A quantidade de lendas e mitos africanos que conta a formação do mundo, a criação do homem, a povoação da Terra, é incontável, mas todas trazem como verdade consensual que o homem é feito de corpo (matéria) e espírito. Daí nos atermos a essa idéia fundamental para prestar os esclarecimentos a que nos propomos.

O ritual de dar comida a cabeça tinha como finalidade precípua:

  • Celebrar a vida nova, o inicio da maturidade, fortalecendo o corpo, o seu agente, inclusive para que os que “carregavam” missão, a divindade pudesse aproximar-se e permanecer junto da pessoa. Como entendiam que a força do corpo concentrava-se na cabeça, (Mútue = cabeça) é conhecida como a mais antiga e poderosa divindade) pois é nela que estaria a inteligência que decide as escolhas pela vida afora, aí se colocava o “segredo” do ritual para alimentá-la. Só uma cabeça bem alimentada poderia tornar-se sede de uma divindade.


  • “Assentar” a divindade pessoal, que a partir de então poderia expressar-se melhor, tanto para comunicar-se com a própria cabeça como através dela.


  • A partir do primeiro ritual, a pessoa passaria a ser um aprendiz com direito a buscar mais conhecimentos dentro do culto, ou simplesmente recorrer ao Curandeiro quando necessitasse “alimentar”, revigorar a sua cabeça. Entretanto, os escolhidos pelas divindades não poderiam rejeitar essa escolha e quando, ou enquanto não aceitavam as responsabilidades, os sagrados deveres que lhe são impostos pelo sacerdócio, ficariam expostos à má sorte, entregues ao vento, sem caminho certo. “Poderiam até morrer antes da hora

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    Makota Lembanilé
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     Postado em 29/07/2005 11:18:00 AM

    Adorei o texto...

    Só ainda não compreendo uma coisa: porque acreditamos em deuses... acreditamos em algumas de suas "histórias" e ainda assim, para o candomblé, a passagem por esta terra, por este mundo é única?

    Creio muito na doutrina kardec no que tange à reencarnação, do contrário, para mim, ainda não faz sentido estar neste mundo se não for por uma razão ... em busca de melhoria espiritual...



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    Dandarê
    Membro Pleno

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     Postado em 31/07/2005 1:55:00 PM

    Mokoiú Makota

    Makota , não podemos nos esquecer que o Candomblé é uma religião étnica e de magia. Os pilares dessa religião não são simplesmente comportamentais e éticos como o são todos os pilares das religiões que vieram a se propagar depois do Cristo.

    Na realiidade a Tradição em África que deu origem ao legado que os negros, na tentativa de continuar o culto aos seus deuses nos deixou com o nome de Candomblé, não é uma religião oriunda do pensamento de um ser humano especial como Buda é para o Budismo, como Jesus é para o Cristianismo, como Chrishna é para o Hare Chrishna e outros Avatares.

    Os aspectos éticos e filosóficos estão sendo imputados ao todo xamanico do candomblé hodiernamente. Há 6.000 anos atrás não se falava em religião, nem em filosofia e nem em ética. O que havia era o exercício de poderes constatados entre os povos daquela era, em que uns se comunicavam com inteligencias que lhes davam remédios e estratégias para a boa caça, para ganhar a guerra e etc.... de uma forma que a sua capacidade de entendimento e discernimento fosse capaz de por em prática. Os resultados positivos fizeram com que certos rituais permanescessem, outros rituais foram substituidos pela eficácia da pólvora, da penicilina e outras descobertas similares.

    A esta altura das facilidades com que os estudos estão se propalando via internet, não creio que todos os candomblecistas defendam a existencia única, ou seja, uma alma individualizada ao deixar ao corpo volte para o seu lugar de origem e não tenha uma nova chance de reencarnar!!!! Mas... é bom lembrar que uma das pouquissimas diferenças que separam o Catolicismo do Espiritismo de Kardech é justamente a aceitação da reencarnação e a possibilidade de continuar evoluindo através da simples manifestação caritativa tambem aceita pelo Espiritismo, antes da oportunidade da reencarnação.

    Não podemos nos esquecer tambem que "os nossos deuses" nos escolhem e nos favorece para ajudar-nos em nossa missão. Aceitá-la ou não é decisão nossa; quanto aos resultasdos decorrentes de nossa escolha .... TODOS NÓS SABEMOS.

    O texto acima mostra a realidade do pensamento, do legado, tem por objetivo apenas relatar para que possamos entender a origem do que nos foi deixado. Mas, em África hoje muito dos entendimentos da Tradição estão sendo reelaborados para atualização; não se fala em desmentir ou desmitificar, apenas em desvelar segredos que por falta de elementos tornava dificil a explicação e consequentemente o entendimento. Hoje, com advento da CIÊNCIA DA OBSERVAÇÃO , pode-se falar em Espiritismo como Ciência e estender seus conceitos e definições para o entendimento das Ciências Ocultas.

    A pesquisa é árdua, mas o lema de quem pretende aprender deve ser : ESTUDAR, TRABALHAR E LUTAR.

    Querid Makota , espero ter contribuído pelo menos para incentivo às suas investigações.

    Fiquem em Paz
    Dandarê

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    Tata Toindé
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     Postado em 22/02/2006 8:47:00 AM

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