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Tópico: Rigidez
Makota Lembanilé
Membro Junior

Postagens: 74
Registro: 21/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 41 anosSexo Feminino
 Postado em 21/03/2005 10:21:00 PM


Olá! Muikuiú à todos!

Muitos dos rituais do Candomblé, exigem do iniciado uma postura que difere muito do dia-a-dia em sociedade. Por exemplo: quando qualquer um se inicia ou faz sua confirmação, recebe o kelê. E, é dito que este representa a presença do Orixá , principalmente, no período do dito "resguardo".

Na sociedade na qual vivemos, permeia muitos preconceitos. Encontrar um de nós na rua com uma bela "cura" exposta, ou ainda trazendo numa parte do corpo "tatoos" de seu Orixá; é considerado por muitos como agressão.

Para uma Yaô, por exemplo, a situação é ainda mais delicada, pois ele precisa permanecer nesse preceito por três meses (dependendo do Orixá) no mínimo. Se essa pessoa trabalha? Como fica a situação dela na hora das rezas, as quais duram cerca de uma hora?

Podem me responder: "oras! a pessoa pode recolher no período de férias." Também concordo. Eu mesma fiz isso. Porém, fui confirmada Ekede e meu período de resguardo foi de 21 dias. Fui trabalhar de branco na volta das férias, ainda com o Kelê e meu chefe me mandou voltar para casa, e somente retornar ao trabalho quando tudo estivesse terminado.

E se uma pessoa trabalha por conta própria? Se ela for Ambulante, por exemplo?

Há casos e casos. E por isso, meus irmãos, eu sou a favor de algumas adaptações no que tange não ao ritual em si, mas no que se segue. Posso dizer tal, uma vez que recolhi com uma Yaô, passando pelos mesmos preceitos que ela.

Quando a enquete com o mesmo assunto foi ao ar na Rádio Tropical, no Programa Nos Caminhos de Nzambi, a grande maioria pensa que não se deve modernizar os rituais e sim adaptá-los a alguns casos em particular. Porém, isso desencadearia um problema dentro dos Barracões pois uma vez dado à um, tem que ser dado à todos. E então, como resolver?

Que tipo de "adaptações" poderiam ser propostas?

Abraços e que meu Pai Oxalá nos ilumine!


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Makota
Membro Iniciante

Postagens: 13
Registro: 22/03/2005
Local: Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Idade: 41 anosSexo Feminino
 Postado em 29/03/2005 4:02:00 PM

Eu acho que cada caso e um caso, cada cabeça e uma cabeça qd eu me iniciei entrei como e com uma muzenza e trabalhava como tesoureira na epoca passei os 30 dias de preceito e mais 3 meses pois minha mãe (Kaitumba) e exigiu que isso fosse cumprido (sendo que entrei sabendo que não sou rodante, inclusive achei que por isso as coisas seriam mais faceis o que não foi) então qd fui no meu trabalho expliquei para o meu chefe e ele autorizou minha mametu quebrou a quizila do dinheiro por isso que eu acho q cada um e cada um ninguem melhor q o Inkise para conhecer o seu filho

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Makota Lembanilé
Membro Junior

Postagens: 74
Registro: 21/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 41 anosSexo Feminino
 Postado em 01/04/2005 8:56:00 AM

Olá! Mukuiu à todos!

Isso mesmo... cada um tem um caso e o Orixá sabe como conhecer intimamente seu filho.

Mas também podemos questionar o fato de alguns "Tatas" exigirem, por exemplo, a reclusão do filho também no período do resguardo. Exigência dele e não do Orixá.

Mas era bem isso o que eu procurava expressar!

Obrigada!

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Tata Toindé
Membro Pleno

Postagens: 239
Registro: 20/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 39 anosSexo Masculino
 Postado em 03/04/2005 1:00:00 PM

Olá amigos....

Mukuiú a todos.....

Como bem sabemos, a nossa religião se faz existente justamente pela individualidade de seus rituais.

É bem comum encontrarmos uma certa resistencia a mudança e bem concordo com a mesma.

Acho que a ritualística não deve ser mudada, mas assim como expressou nossa irmã Nsanxi, também concordo que esta ritualística deve ser adaptada aos dias de hoje.
Sabemos que para um ritual de iniciação, é imprescindível o recolimento e a reclusão para que os trabalhos possam ser feitos. Mas daí prender o iniciado durante seu período de resguardo, já acho falta de bom senso.
Quero deixar claro aqui, que minha crítica é feita considerando que o iniciado (preso) esteja ali a contra gosto.
Muito já ouvi falar que adeptos perderam empregos e se atrasaram nos estudos, ou até mesmo descontos devido à faltas no trabalho pq não poderiam deixar de comparecer a tal fundamento e etc.
É claro, amigos, que quando se trata de fé, a divindade vem como uma pura filosofia de vida, mas esta filosofia tem q ir de encontro à construção e busca do indivíduo como um ser pensante.
A decepção por não ter conseguido algo melhor na vida é um dos principais motivos que levam um adepto a se afastar da religião.

Então, acredito que devemos sim cumprir com nossas obrigações ritualísticas mas desde que estas não interfiram em nossa vida pessoal.
Se um munzenza tem uma vida profissional ativa, então sou a favor de que, após o período de recolhimento, o mesmo passe pelo período de migui (kele) totalmente habilitado a exercer sua função.

deve ser quebrado algumas kisilas.

E partindo daqui, aumento mais a discussão:

Imagine que uma candidata a munzenza trabalhe como promotora de vendas de uma multinacional reconhecida no mercado internacional.
Aproveitando o período de férias (30 dias), esta candidata vai até seu barracão para acertar tudo e recolher durante estes 30 dias.
Imagine que esta candidata tenha alguns problemas:

Após o período de recolhimento, obrigatóriamente ela terá que voltar ao trabalho, sendo assim (considerando que ela possa trabalhar careca, o q já é muito difícil para uma empresa como esta) ela conversa com o tata e expressa suas limitações:

1) não poderá trabalhar com cheiro de abô,
2) terá que tomar banho normal e usar perfumes;
3) terá que se maquiar completamente;
4) terá que trabalhar sentada;
5) não poderá usar fios de conta nem contregum, e;
6) terá que usar o uniforme escuro com decote, não podendo assim usar uma roupa branca por baixo.

Um Zelador conservador achará melhor que ela nem faça a obrigação, ou então dirá: "Ah minha filha, vai ter que dar teu jeito. Isso tudo é pro Nkise, então vc é quem assume a responsabilidade. Se vc quer quebrar o preceito, vc se vê com seu Nkise."
Isso não é papo! Já vi acontecer!

A atitude da pré munzenza foi a de desistir da obrigação.

Com isso deixo a pergunta:

Se vc estivesse com uma filha de santo deste tipo, vc quebraria todas as kisilas dela??

Se vc fosse a filha de santo, o que vc faria??

Será que nossa religião não perde muitos adeptos por causa disso??

Aguardo os irmãos!

Carlos

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Makota Lembanilé
Membro Junior

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Registro: 21/03/2005
Local: RIO DE JANEIRO - RJ - Brasil
Idade: 41 anosSexo Feminino
 Postado em 15/07/2005 7:30:00 PM

Mukuiú

em resposta às suas questões anteriores, digo:

Se vc estivesse com uma filha de santo deste tipo, vc quebraria todas as kisilas dela??

Suspenderia as kisilas que fossem prejudicá-la em seu ambiente de trabalho, porém, deixaria bem claro que ao sair do trabalho deveria se portar como uma muzenza pra lá de compreendida!

Se vc fosse a filha de santo, o que vc faria??

Se o meu zelador fosse tão intolerante como o que vc citou.... mudaria de zelador caso meus argumentos não o convencessem! Pois preciso do meu trabalho para sobreviver....


Será que nossa religião não perde muitos adeptos por causa disso??

Nossa religião perde muito mais adeptos, a meu ver, por ter tantos segredos que não precisam ser secretados como são! Ou seja, se o mínimo fosse explicado para os demais, muito teríamos a ganhar, uma vez que o que falta aos analfabetos de nossa religião é justamente isto: esclarecimentos!

A perda de adeptos também pode ser classificada na falta de fé ou pouca fé. Veja: se entro para o candomblé esperando que este resolva todos os meus problemas, vou quebrar a cara, pois não é o 'blé que vive no meu mundo, no meu dia-a-dia; sou Eu quem faz parte do candomblé... sou Eu quem conhece partes de seus mistérios e consegue compreender alguns de seus porquês (mesmo que eles ainda não me satisfaçam!)

Também há a parcela de zeladores mutreteiros que transforma o candomblé num segmento religioso de araque.

Então... o que achou das respostas (rsrs)







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Tata Jambonan
Membro Junior

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Registro: 12/07/2005
Local: Belford-Roxo - RJ - Brasil
Idade: 53 anosSexo não informado
 Postado em 15/07/2005 7:55:00 PM

mukuiu a todos.

Se vc estivesse com uma filha de santo deste tipo, vc quebraria todas as kisilas dela??

Se o Nkise assim o permitisse, claro que sim.

Se vc fosse a filha de santo, o que vc faria??

conversaria com o meu zelador, e entraria em um acordo com ambos.
Aconteceu comigo, precisei trabalhar, e meu Nkise liberou algumas coisas, como: Sentar, pegar em dinheiro, pegar em objetos cortantes e perfurantes, andar só na rua, entrar em lugares onde se vende bebidas alcolicas, ouvir notícias no radio, e televisão, e outros, pois trabalho em manutenção de maquinas registradoras, externo, conserto no local, foi necessário quebrar algumas kisilas.


Será que nossa religião não perde muitos adeptos por causa disso??

Não só perde, como tbm prejudica muitas vidas, se o Nkise determina que tem que ser feito para curar uma enfermidade, salvar uma vida, etc ... , ele mais do que ninquém sabe que deve liberar algumas coisas para aquele filho, ele quer o bem estar, e não a derrota de seus eleitos.

Cada caso um caso, cada casa uma casa.

Respeitosamente, Tata Jambonan.




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Ilma
Membro Iniciante

Postagens: 31
Registro: 20/07/2005
Local: Salvador - BA - Brasil
Idade: 60 anosSexo Feminino
 Postado em 22/07/2005 10:44:00 AM

Mukuiu,

Meus queridos irmãos que até agora responderam essas questões, como todos chegaram a um senso comum de que cada caso é um caso, peço licença a meu querido irmão Caboclo da Pedra Preta, pois tive a oportunidade de conversar c/ ele a esse respeito e ele assim me orientou dizendo: filha, as vezes temos que adaptar as necessidades de sobrevivencia de cada um. Não tem problema de a pessoa sair para exercer suas atividades seja ela qual for, por exemplo, se o muzenza é um médico legista ele terá que fazer o trabalho dele, é assim que nós vemos, quando ele terminar sua atividade vai prá casa toma seu banho e continua seu resguardo.
Também passei por esse período e trabalhei com tudo que tinha direito num hospital administrado por freiras. Trabalhei com um tiara ou travessa como queiram, bem larga branca, meus contra-eguns, quando não de branco, com roupas bem claras e tudo bem no ano que vem, não tive problema nenhum. Quanto aquelas pessoas que não tenham essa mesma condição devem trabalhar conforme designa o seu trabalho, sem medo de errar. Agora, quando sair dali, ande na linha.
Espero ter contribuido.

Ilma

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Makota
Membro Iniciante

Postagens: 13
Registro: 22/03/2005
Local: Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Idade: 41 anosSexo Feminino
 Postado em 22/07/2005 5:00:00 PM

Oie !!!! Mukuiu a todos !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Eu acho q tudo evolui, então ate mesmo a nossa religiao a a necessidade desta evolução antigamente não tinhamos a vida que temos hoje entao se o iniciado ficasse 1 ano de preceito nada mudaria, hoje eu no meu entender os resguardo tem que ser menores pois nao tem como a pessoa para a sua vida pessoal em função do nkise, vodum ou orixá, mesmo pq o preconceito ainda e muito grande vc saindo na rua de fio de conta ja e olhado difernete com kele então "NOSSA" então eu acho que o nkise, orixa ou vodum sendo feitos da maneira correta e dando uma conversadinha tudo se resolve, não tem necessidade de expormos a respeito da cura a minha e bem discreta mais eu queria que fosse alta para que todos veem a minha religiao ja sendo discreta tem gente que consegue ver ............
Bom por hoje e so nao posso digitar muito
Que Nzambi nosso pai maior abençoe a todos e mim tb
Anna

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jafuranga
Membro Iniciante

Postagens: 12
Registro: 22/07/2005
Local: Luziania - GO - Brasil
Idade: 38 anosSexo Feminino
 Postado em 23/07/2005 5:11:00 AM

Saudações e mokoiu a todos

" TODOS TEM QUE PASSAR POR AQUILO QUE ESTIVER ESCRITO NA VIDA DELE, INDEPENDENTE DO PRECEITO"

Vou começar pela minha mãe ( Nzambi a cubra)

Em Fevereiro de 1986 ela tinha 1 mês que havia entrado como copeira no TST(tribunal superior do trabalho) sainha preta, Blusa branca, meia calsa, sapato preto e rede no cabelo, mas ainda estava na faze da esperiência... veio o carnaval, com o recesso minha mãe soube de um Tata que era muito bom e resolveu ir tomar um bori com ele..... resultado voltou somente depois de 40 dias pois Lembarenganga bolou e não teve maleme certo para suspendelo. Todos em casa desesperados porque ela ia perder o emprego que ela batalhou tanto pra ter. Ela voltou careca, de quele no pescoço, 2kg de fius de conta, contra egum, mokam, cheirinho de abô etc.... entramos em panico de novo pois eramos umbandistas, achavamos que tinha ficado louca, minha irmã ainda tinha noticias dela por outros mas não sabiamos que o caso era mais grave. Mal chegou em casa ela arrumou o ojá e foi ver se ainda tinha o emprego. Ao chegar lá uma colega (colega nada, amiga) pegou a folha de ponto e botou na frente dela para que ela assinasse todos os dias que ela faltou.... assim ela fez.... e ia todos os dias ia trabalhar de branquinho, quele delogum, mokã, senzala e nunca nenhum ministro ou colega falou que ela era feia ou algo assim. Quando foi para tirar o quele ela foi até o chefe do departamento e pediu para ele uma semana.... foi concedido sem questionamento... trabalhou no TST até os ultimos dias de sua vida, tomando suas obrigações e indo de preceito para o trabalho sem ninguem dizer que ela era feia, pelo contrario tinha ministro que perguntava quanto ela cobrava pra fazer um trabalho...

Muitas das coisas que nos passamos quando estamos de preceito nada mais e que provações do proprio nkisi, orisá ou vodum põe para nos testar, mais nada.
Os preceitos devem continuar como são pois eu passei tambem por muita coisa nos meus preceitos pois estudava e minha prima que se iniciou este ano passou por tudo (apesar q eu até a invejo) com direito a glorias.
Ela estava recolhida e perdeu o emprego de professora numa escola publica, queria até sair do roncó quando descobriu, pois algum inergumino foi falar pra ela, uma semana depois da saida foi convidada a trabalhar no ministerio da Agricultura e foi trabalhar de quelê, banho de abô e tudo e vai muito bem no emprego, já acabou os preceitos e ninguem falou pra ela tambem que ela era feia.

Em ambas só não foram quebradas certas quisilas, mas oque poderia empedir o nosso conviviu com o mundo atual foi quebrado e estamos bem graças a Nzambi.

Meu atual Tata tambem foi trabalhar de quele e cheiro de abô, cozinheiro, e vai bem obrigada, trabalha hoje em dia na DRT e passa o dia sentado sem frituras ou algo parecido.

Sabe como eu chamo isso? Fé e respeito, se voce respeita e tem fé no seu santo passa por tudo como se nada tivesse acontecido.

Agora quanto a um "pai de santo" impedir que o mesmo trabalhe, ai eu já acho um absurdo. Ninguem tem esse direito.

Citei as historias acima para mostrar que e possivel trabalhar, estudar e viver no meio da sociedade mesmo com aquele mundo de missangas pendurados no pescoço, ojá e cheiro de abô que perto do cece de muitos e perfume.

desculpem o meu jeito, mas sou assim!!!

Kandandu

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Ilma
Membro Iniciante

Postagens: 31
Registro: 20/07/2005
Local: Salvador - BA - Brasil
Idade: 60 anosSexo Feminino
 Postado em 28/07/2005 10:48:00 AM

Mukuiu à todos

Valeu Jafuranga, é isso aí, é exatamente por aí

Que a luz de Nzambi se faça sempre em seu caminho

Ilma

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